O mar estava agitado quando Amira chegou ao porto de Palermo. A névoa encobria tudo, como se o próprio mundo tentasse esconder o que restava da verdade. Ela usava um casaco pesado, o capuz cobrindo o rosto, e nas mãos, a pequena carta deixada sobre a mesa de Lorenzo. “Um rei nunca morre sentado. Morre caminhando pro próprio inferno.” Era a única pista que tinha. Rosetta insistira para que ela ficasse, mas Amira sabia: Lorenzo não fugira. Ele fora levado. E se havia alguém capaz de levá-lo, era a Ordem do Caos — a mesma organização que destruíra tudo o que ele amava. Atravessou os armazéns abandonados, guiada apenas pelo farol distante que cortava o nevoeiro. O som das gaivotas misturava-se ao vento, e a cidade dormia como se ignorasse o sangue derramado horas antes. No chão, marca

