A cidade acordou coberta por nuvens densas, como se o céu pressentisse o que estava por vir. Nos becos, homens armados se moviam em silêncio, caminhonetes pretas deslizavam pelas avenidas ainda úmidas da chuva da noite anterior. Palermo, pela primeira vez em anos, parecia segurar o fôlego. O Don saíra para a guerra. Lorenzo Valente estava no banco traseiro de um dos carros, o olhar fixo na estrada, o maxilar travado. O terno preto contrastava com o sangue seco no punho da camisa. Nenhuma palavra fora dita desde que deixara a mansão. Apenas o som do motor e o clique das armas sendo engatilhadas. Dante, ao volante, olhava o espelho com frequência. — Ortega não vai esperar que você vá direto. — É por isso que ele vai cair — respondeu Lorenzo, sem tirar os olhos da paisagem. A cidade pas

