O relógio marcava horas que pareciam longas demais para a mansão silenciosa. Cada canto da residência estava impregnado pelo poder absoluto de Lorenzo Valente, mas, pela primeira vez, havia algo diferente no ar. Amira sentia, mesmo sem compreender completamente, que uma mudança sutil estava ocorrendo — uma fissura, uma fragilidade rara no Don que não perdoava. Desde a chegada de Matteo, as dinâmicas na mansão haviam se transformado. Ele era discreto, paciente e, de certa forma, mais humano. Mas Lorenzo percebia cada passo, cada gesto, cada olhar trocado entre Amira e Matteo, e isso o irritava de forma silenciosa e profunda. Não era apenas ciúmes; era o reconhecimento de que o controle absoluto poderia estar sendo ameaçado. Amira, consciente de sua própria posição, caminhava pelo corredor

