O primeiro som que Amira ouviu foi o tique-taque distante de um relógio. O segundo foi o próprio coração. Depois, veio a dor. Uma pontada aguda no ombro, como se o fogo ainda queimasse sob a pele. Tentou abrir os olhos, mas a luz a cegou. O cheiro de éter e sangue fresco a fez lembrar de tudo — o galpão, o tiro, o rosto de Lorenzo coberto de desespero. Ela virou o rosto devagar e viu a cortina branca balançando ao vento. A mansão estava silenciosa. O lençol sob o corpo era frio, pesado, e havia uma faixa grossa de gaze cobrindo o ferimento. Por um instante, quis acreditar que tudo não passava de um pesadelo. Mas o gosto metálico na boca e o vazio no peito diziam o contrário. A porta se abriu. Dante entrou primeiro, o olhar cansado, o semblante sombrio. — Finalmente acordou. Ela te

