O amanhecer chegou pesado, tingindo o céu com tons de ferro e cinza. O vento que soprava sobre Palermo parecia carregar o presságio de uma sentença. A cidade despertava devagar, mas dentro da mansão Valente, o tempo já havia parado. Lorenzo ajustava o terno preto diante do espelho. O reflexo devolvia um homem exausto, mas ainda imponente. O nó da gravata tremia entre os dedos — um detalhe insignificante para qualquer outro, mas, para ele, um lembrete c***l de que o controle era uma ilusão. Amira o observava encostada à porta, pálida, o braço ainda enfaixado. — Você não precisa ir — disse, baixo. — Eles não querem explicações, Lorenzo. Querem o seu sangue. Ele virou o rosto em direção a ela. — E se for o preço pra manter você viva, que seja. Ela cruzou os braços, a voz vacilando entre

