A estrada cortava o norte da Sicília como uma cicatriz aberta. O céu estava encoberto, cinza, e o vento carregava o cheiro de chuva e fumaça. Três carros avançavam em formação, os faróis rasgando o escuro da madrugada. Dentro do veículo principal, Lorenzo permanecia calado, o olhar fixo na linha do horizonte. Dante, ao lado, mantinha o rádio ligado, ouvindo os relatórios das equipes. — Confirmaram o posicionamento. Ferrante está escondido em uma propriedade rural próxima ao porto velho. Trinta homens, talvez mais. Lorenzo não respondeu. Apenas tirou o anel do dedo e o deixou sobre o painel. Era o símbolo da família Valente — o mesmo que jurara proteger com o próprio sangue. — Hoje termina. — murmurou. Dante olhou de soslaio. — Termina pra quem, Lorenzo? Pra eles… ou pra você? O Don

