A CHEGADA NA CASA DO VOVÔ PORTIÇO — O PRIMEIRO LAR DE HOPE
Anthony deixou Hope na porta como quem entrega um tesouro ao seu lar. A enfermeira desceu primeiro, organizando as bolsas, enquanto ele ajudava Hope a sair do carro com cuidado, segurando-a pela cintura, quase como se temesse machucá-la. Antes mesmo de tocarem a campainha, a porta da casa se abriu. O vovô Portiço estava no batente, com os olhos brilhantes e úmidos, as mãos trêmulas apoiadas na bengala.
— Minha menina… — a voz dele falhou. — Você voltou.
Hope sentiu seu coração apertar. Caminhou devagar até ele, abraçando-o com delicadeza e apoiando o rosto em seu ombro. O cheiro familiar da casa, uma mistura de baunilha e lenha queimada, a envolveu em um abraço caloroso de memórias.
— Voltei, vovô… — disse ela, com um sorriso emocionado. — E voltei bem. A saudade foi tão grande que m*l consegui dormir direito nas últimas noites pensando em você.
Ele se afastou um pouco para olhar em seu rosto, apreciando a juventude e a força dela, que se destacavam em meio à fragilidade que a vida lhe havia imposto.
— E a sua irmãzinha? Como ela está?
Hope suspirou, cheia de esperança.— Graças a Deus, a cirurgia foi um sucesso. Logo ela volta. Agora é só a fase de manutenção, mas tudo correu bem. Sonhei com ela todas as noites, vovô, sempre imaginando como vai ser quando nós duas estivermos juntas de novo.
O velho respirou aliviado, os olhos se encheram de lágrimas. Para ele, a vida ainda estava cheia de desafios, mas havia no coração um ingrediente essencial: a fé e a esperança.
— Eu sabia… sabia que Deus ia cuidar dela também. A nossa família sempre teve a p******o dele, não é mesmo?
Hope segurou suas mãos com carinho, sentindo a textura da pele enrugada dele, repleta de histórias e vivências.
— E o senhor terá minha companhia o tempo inteiro agora. O Tony contratou uma enfermeira para cuidar de mim... assim poderei me dedicar completamente ao senhor. Vamos fazer chá da tarde juntos, contar histórias e até jogar cartas. Não é mesmo isso que os netos fazem com os avós?
O vovô piscou, confuso.— Tony? Quem é Tony? Eu não conheço ninguém com esse nome.
Hope soltou uma risada suave, arrumando o cachecol em seu pescoço enquanto pensava em como era doce e ingênuo o amor do avô.
— O Anthony. Ele pediu para eu chamá-lo assim agora. É uma forma de deixá-lo ainda mais próximo de mim. Ele se preocupa tanto, vovô… você não imagina.
O velho sorriu, um sorriso que iluminava seu rosto, aquecendo o ambiente em volta como se fosse sol da manhã. A presença de Hope era um bálsamo para sua alma. Ele sempre acreditou que os laços familiares eram o que realmente davam sentido à vida.
— Hm. Então ele deixou você me chamar de vovô e agora deu permissão para usar apelido com ele… — Portiço ergueu uma sobrancelha, um brilho travesso nos olhos. — Esse homem tá é com medo de te perder, menina. Não se preocupe, eu vou ajudá-lo a cuidar de você.
Hope ficou ruborizada, mas não disse nada. O coração dela dançava com a mistura de alegria e nervosismo que a presença de Anthony trazia. Ela se lembrava da primeira vez que se encontraram; era como se ele soubesse exatamente como amá-la após os dias mais difíceis de sua vida.
Anthony, que observava a cena da porta, aproximou-se e deu um carinho na testa do avô. A generosidade e a bondade dele eram um complemento perfeito para a fragilidade do vovô.
— Cuida bem dela, vovô. Você sabe que ela precisa de você tanto quanto você precisa dela.
Depois, inclinou-se e deu um beijo breve na testa de Hope também. Ela fechou os olhos por um instante, sentindo aquele gesto no coração, não apenas na pele. A conexão entre eles era forte, um fio invisível que não se romperia facilmente.
— Eu vou trabalhar. — Ele arrumou o paletó, preparado para a luta do dia a dia, mas com a suavidade de quem sabe que em casa o amor a aguardava.— Mas, se precisar de qualquer coisa, você me liga. Qualquer coisa. Estou sempre a um telefonema de distância.
— Eu ligo, Tony. — respondeu ela baixinho, emocionada. Aquela promessa era um compromisso silencioso que envolvia todos com amor.
Ele sorriu ao ouvir o apelido saindo da boca dela. Um sorriso pequeno, mas repleto de significado. Então, saiu, deixando para trás um rastro de esperança e renovação.