A CONVERSA EM QUE HOPE ENSINA ANTHONY A GUERREAR
—Hope respirou fundo, seus olhos ainda estavam marejados, mas uma nova força começou a emergir dentro dela.
Com a voz firme, disse: — Então, senhor Anthony, reúna todas as provas que tiver contra eles, tudo que conseguir.
—Ela falava cuidadosamente, como se seguisse um fio de intuição.
— Traga à tona essa gravidez. Quando se tem um inimigo, é preciso estar próximo para decifrar seus planos.
Anthony a olhou, surpreso com a determinação dela.
— Continue… pediu, ansioso, eu não tenho experiência nesse tipo de situação, o senhor sabe — ela murmurou, a dor da cirurgia ainda ecoando em suas palavras —, mas minha intuição sugere que o senhor deve oferecer a eles um lugar neutro.
O senhor possui muitos imóveis, várias propriedades desocupadas, lugares que podem se transformar em armadilhas disfarçadas.
— Prepare um apartamento, mas escolha um com cuidado.
—Os detalhes são cruciais; cada cômodo deve ser cuidadosamente pensado para que eles não suspeita de nada.
—Anthony se inclinou na cadeira, atento, absorvendo cada palavra como se fossem a chave para um segredo.
— E o que eu faria com esse apartamento? — perguntou, com uma curiosidade crescente.
— O óbvio… — Hope respondeu, engolindo o desconforto.
— Câmeras, microfones, vigilância completa.
—O senhor deve gravar tudo, não podemos nos dar ao luxo de perder uma única palavra ou movimento importante.
— Contrate alguém em quem possa confiar totalmente.
— Essa pessoa será os olhos e ouvidos que podem tecer a tapeçaria de evidências, capturando qualquer informação que possa ser útil.
— Porque, se eles são como o senhor disse, essas crianças jamais podem ficar com pessoas assim, que desprezam a inocência e manipulam os desvios da vida para seus jogos sórdidos.
— Ele ficou em silêncio, absorvendo suas palavras, a intensidade do momento causando um estalo em sua mente.
— O peso da responsabilidade se instalou entre eles, um fardo que estavam dispostos a carregar juntos, unindo forças em um objetivo comum.
— Então, o rosto dele iluminou-se com um sorriso genuíno.
— Você me deu… uma ideia brilhante — disse com uma voz que soava como um elogio raro, uma faísca de admiração no tom.
— Tenho muitos imóveis, e você está certa: — devo manter meus inimigos perto, amanhã mesmo, vou chamar Antonella e propor exatamente isso, um verdadeiro jogo de xadrez onde a estratégia é tudo.
—E enquanto eles acreditam que estão recebendo conforto, estarei registrando tudo. Cada movimento, cada palavra.
— Hope soltou um pequeno riso, mas logo gemeu de dor, lembrando-se da fragilidade de seu estado recente. — Não me faça rir, senhor Anthony… estou com dor…
— Ele logo se aproximou, segurando a mão dela com cuidado.
— O calor do toque trouxe um breve alívio, um sussurro de esperança em meio ao caos que parecia engolir suas vidas.
— Ele a levantou lentamente e depositou um beijo suave em sua mão, um gesto de carinho que parecia ter surgido do nada, um ato de confiança e afeto em um mundo tão quebrado.
— Agora eu entendo… — murmurou ele — por que meu avô se apegou tanto a você.
Você é um perigo, menina, uma força da natureza disfarçada em fragilidade.
— Hope corou e desviou o olhar, sentindo uma mistura de timidez e um novo sentimento crescendo entre eles, um laço que começou a se formar em meio às tensões.
— E o senhor… — respondeu, meio tímida, meio brincando — parece até mais jovem do que eu.
— Às vezes, penso que é o senhor quem é o menino, e eu… quem sou a velha, a guardiã da sabedoria que parece ter emergido de experiências profundas. Anthony sorriu de forma torta.
— Você… acabou de me chamar de velho?
— Não! — exclamou ela, alarmada, suas bochechas corando ainda mais.
— Não foi isso que eu quis dizer… tensão no ar dançou em círculos, aproximando-os ainda mais, criando um espaço sutil de entendimento e colaboração.
— Ele soltou uma gargalhada baixa e divertida, algo raro em seu cotidiano feito de adversidades.
— Eu entendi — disse, apertando suavemente a mão dela, um gesto que transcendeu o mero físico, simbolizando uma conexão incomum.
— Você quis dizer que invertemos os papéis: a sabedoria está com você… e a idade está comigo.
— Hope sorriu, relaxando um pouco, o ambiente se iluminando com a nova atmosfera entre eles.
— A conexão entre eles parecia mais forte, como se aquelas palavras cimentar um novo vínculo, um pacto de amizade e ajuda mútua diante dos desafios.
Ele levantou a mão dela novamente, segurando firme — não como um homem poderoso que manipula seus objetos, mas como alguém que descobria, pela primeira vez, um propósito além dos negócios.
— Amigos? — perguntou, com um tom surpreendentemente leve, a seriedade do momento contrastando com a frescura da nova oferta de companheirismo.
Hope não hesitou, sim, amigos — respondeu, sincera, com um brilho nos olhos que ecoava um novo futuro.
— O que depender de mim, eu vou ajudar o senhor, vamos salvar essas crianças… dessas pessoas cruéis que se beneficiam da dor alheia.
—A determinação em sua voz ecoava como uma promessa que superava o medo presente, uma luz na escuridão, Anthony assentiu com seriedade.
— E naquele instante, sem que percebessem, o contrato deixou de ser apenas um acordo e começou a se transformar em algo muito maior — uma aliança forjada na luta, um laço profundo e inquebrável que uniria suas vidas na inabalável esperança de que ainda havia tempo para mudar o destino de vidas inocentes, um testemunho de que a bondade e a justiça podem prevalecer, mesmo na adversidade.