ANTHONY CHEGA AO HOSPITAL
Quando Anthony entrou no quarto no final da tarde, as flores que trazia nas mãos eram um gesto sombrio, uma tentativa de iluminar um dia que há muito se tornara cinzenta.
— No entanto, a culpa estava visível em seus olhos, refletindo uma tempestade de emoções que ele m*l conseguia controlar.
— Ao avistar Hope enxugando discretamente o rosto com um pequeno lenço de papel, seu coração apertou repentinamente, como se uma mão invisível estivesse o apertando com força.
— Hope? O que aconteceu? Está com dor? — ele perguntou, colocando as flores na poltrona em um gesto quase mecânico, sua mente emaranhada em preocupações.
— Ele se aproximou rapidamente, sentindo os instintos de p******o naturais de um homem em relação àquela que significava tanto para ele.
Ela respirou fundo, seu olhar encontrando o dele com uma firmeza abalada, como se estivesse lutando para manter a compostura diante da verdade devastadora que estava prestes a ser revelada.
— A sua secretária… esteve aqui. — suas palavras saíram em um sussurro, carregadas de um peso que parecia ecoar entre eles.
Ele piscou algumas vezes, sem entender, a confusão se transformando em uma névoa de inquietação.
— Minha secretária? O que você quer dizer com isso? — um frio percorreu sua espinha enquanto a incredulidade começava a dar lugar a uma ansiedade profunda.
— Antonella — confirmou ela, com a voz frágil que quebrava um pouco mais a barreira de seu coração.
— E a sua namorada, ela veio dizer que está grávida, que o senhor vai ser pai.
As palavras dela caíram sobre ele como uma bomba atômica, o impacto dessa notícia atingiu Anthony como um soco no estômago, fazendo com que sua respiração se tornasse irregular.
—Ele arregalou os olhos, incrédulo, como se pudesse, de alguma forma, desviar o olhar da realidade angustiante que se desdobrava diante dele.
— A ideia de fazer parte de algo tão complexo e inesperado o deixou paralisado, uma mistura de pânico e dessemelhança como um farol em um mar revolto, guiando-o para águas perigosas.
— Antonella não poderia ter vindo aqui, ela não tinha esse direito! — exclamou Anthony, a voz tingida de incredulidade e raiva.
— No fundo, sentia-se traído, como se o mundo que ele conhecia tivesse desmoronado ao seu redor.
—Como ela ousou intervir assim, trazendo à tona uma realidade que ele tentava desesperadamente evitar?
Hope fechou os olhos por um momento, tentando controlar as lágrimas que ameaçavam transbordar.
— Era uma batalha interna; ela sabia que não poderia se permitir sucumbir à dor.
—O medo e a insegurança a consumiam, mas qual era o ponto de se deixar levar pela tristeza agora?
— Eles haviam construído algo belo e verdadeiro, e a ideia de que tudo poderia entrar em colapso a aterrorizava.
— Mas ela veio — disse Hope, a voz firme, embora trêmula. —Era uma afirmação categórica, uma lembrança do fato de que Antonella não era apenas uma sombra do passado; ela era uma presença real, e agora, uma parte inevitável do futuro de Anthony, não importava o quão indesejada essa parte fosse.
Anthony passou a mão pelos cabelos, sentindo-se tomado por uma ribalta de emoções conflitantes: irritação, culpa e vergonha misturavam-se de forma insuportável.
— Ele se perguntava como poderia ter deixado que isso acontecesse, como havia subestimado as consequências de suas ações. — A realidade dele estava prestes a mudar, e ele não estava preparado para isso.
— O filho legítimo é aquele que eu vou ter com você — declarou, tentando enfatizar sua escolha, na esperança de que isso dissolvesse a tensão.
— Não com ela, o que havia com Antonella era um erro, uma paixão passageira. — Ele queria acreditar que a vida que estava construindo com Hope era o que realmente importava.
Hope o encarou com a serenidade de alguém que já conheceu a dor da rejeição e não possui mais ilusões.
O olhar dela era penetrante, o tipo de olhar que carregava o peso de experiências passadas e profundos entendimentos. — Mas os filhos que ela está esperando… são seus, senhor.
E o senhor vai rejeitá-los? — perguntou ela, a voz embargada, mas ainda cheia de uma fragilidade obstinada.
— Eu e Faith sabemos muito bem o que é ser rejeitado, ela não merece isso.
— E eles também não, eles são inocentes nesse tumulto, e ela, apesar de suas falhas, não lhes deve ser negada — completou, como se estivesse se oferecendo como defensora dos indefesos.
Anthony ficou sem palavras, embasbacado. Pela primeira vez… ele não sabia como limpar a própria sujeira.
Era como se estivesse diante de um espelho quebrado, onde cada fragmento refletia não apenas seu eu, mas também as vidas que de alguma forma afetou. O que ele deveria fazer agora?
Como poderia lidar com algo tão complexo e clamoroso ao mesmo tempo?