No momento em que Gabriel estendeu a mão para o colar de Elaine, um tremor quase imperceptível percorreu sua pele. Helena notou o gesto, os olhos atentos. O que antes parecia apenas um jogo de sedução agora tomava um tom diferente — mais denso, mais perigoso.
— Isso é importante para você, não é? — Ele perguntou, a ponta dos dedos roçando a corrente prateada.
Elaine fechou a mão ao redor da peça, como se a protegendo.
— Mais do que você imagina — murmurou.
Helena, curiosa, deslizou os dedos pelo pescoço de Gabriel, puxando-o para perto.
— E se dissessemos que esse jogo começou muito antes desta noite? — Seus lábios roçaram os dele antes de se afastar, deixando no ar uma pergunta que Gabriel não sabia responder.
Um arrepio percorreu sua espinha. Ele olhou de uma para a outra, sentindo que estava diante de algo muito maior do que imaginava. O desejo, o mistério, as promessas não ditas — tudo fazia parte de uma trama intricada, e ele estava prestes a descobrir até onde isso poderia levá-lo.
O perigo, afinal, sempre fora sua maior atração.
Ele se afastou ligeiramente das duas, observando-as com um olhar mais penetrante. Elas notaram a mudança em sua postura. Até então, ele jogara conforme as regras delas. Agora, era ele quem ditava o rumo daquela conversa.
— Eu sei — disse ele, sua voz firme, mas sem pressa.
Helena piscou, inclinando a cabeça ligeiramente, como se estivesse considerando o que ele acabara de dizer.
— Sabe o quê, exatamente? — Sua voz ainda mantinha aquele tom sedutor, mas agora havia um resquício de cautela.
Gabriel olhou para Elaine. Ela não esboçou nenhuma reação imediata, mas seus dedos inconscientemente roçaram o colar em seu pescoço. Ele captou o gesto e avançou um passo, sem desviar o olhar dela.
— Sei que vocês não estão aqui por acaso. Sei que essa noite foi cuidadosamente planejada.
Um silêncio pesado pairou no ar. O clima na suíte, antes envolto em um jogo de sedução, agora tinha um peso diferente. A tensão era palpável.