Continuação

1669 Words
Elaine riu, deslizando os dedos pelo peito dele, enquanto mordia o lábio inferior. — Digamos que não queríamos desperdiçar essa oportunidade… Helena segurou o rosto de Gabriel, fazendo-o encará-la, os olhos brilhando com luxúria e diversão. — A questão é… — ela sussurrou. — Você aguenta? Os lábios dela roçaram nos dele, ao mesmo tempo em que Elaine puxava Gabriel ainda mais para si, os corpos se fundindo na água. Ele soltou uma risada rouca, envolvendo as duas com seus braços fortes, antes de murmurar contra os lábios de Helena: — Tentem me derrubar, e verão quem realmente aguenta. O desafio estava lançado. A água ainda escorria pelos corpos dos três enquanto permaneciam juntos, recuperando o fôlego depois da entrega ardente sob a cascata. O ar estava carregado de desejo saciado, mas também de algo mais profundo—uma conexão que palavras não conseguiam definir. Helena estava recostada contra uma pedra lisa, os cabelos escuros grudando em sua pele, os olhos âmbar brilhando sob a luz do entardecer. Elaine, ao seu lado, brincava com os dedos na superfície da água, um sorriso preguiçoso nos lábios enquanto observava Gabriel. Ele estava de olhos fechados, com a cabeça jogada para trás, deixando que a corrente fria refrescasse sua pele ainda quente. O peito subia e descia devagar, um contraste com a intensidade do que haviam acabado de compartilhar. — Se continuarmos assim, não sei se vamos conseguir sair dessa água hoje — Helena brincou, sua voz carregada de diversão e exaustão. Gabriel abriu um dos olhos e sorriu de canto. — E isso seria um problema? Elaine riu, inclinando-se para beijar a clavícula de Helena antes de morder de leve. — Eu diria que temos tempo… Helena suspirou ao sentir o toque da ruiva e segurou seu rosto com delicadeza, observando-a de perto. — Acho que nunca imaginei que um dia teria isso — ela murmurou. Gabriel se aproximou, deslizando os dedos pelos ombros de ambas. — Nem eu. Mas não quero que isso acabe. Elaine olhou de um para o outro, sentindo o coração acelerar de um jeito diferente. Não era excitação. Era algo mais profundo, mais íntimo. — Então não vamos deixar acabar. O silêncio entre eles foi confortável. Apenas o som da água caindo ao redor, a respiração suave e os toques que não precisavam de palavras para transmitir o que sentiam. Por fim, Gabriel suspirou e se levantou, oferecendo a mão para ambas. — Vamos voltar para a fazenda antes que o frio nos faça querer outra rodada para esquentar. Helena aceitou a mão dele com um sorriso malicioso. — Você me conhece bem demais. Elaine apenas riu, balançando a cabeça antes de segui-los de volta pelo caminho, sentindo que, pela primeira vez em muito tempo, estava exatamente onde deveria estar. Os dias na fazenda passaram em um ritmo diferente do que estavam acostumados. Pela primeira vez em muito tempo, não precisavam olhar por cima do ombro a cada instante. A ameaça de Victor ainda pairava no horizonte, mas ali, naquele refúgio escondido do mundo, Gabriel, Helena e Elaine puderam experimentar algo que nunca tiveram antes: paz. As manhãs começavam com Gabriel acordando primeiro, saindo silenciosamente da cama para preparar café. Muitas vezes, encontrava Helena e Elaine ainda enroscadas uma na outra, dormindo profundamente. Ele sorria ao vê-las assim, tão entregues uma à outra e a ele, como se o mundo inteiro não pudesse mais tocá-los. Quando as duas finalmente acordavam, a cozinha se enchia de vozes, risadas e toques roubados. Elaine costumava provocar Helena deslizando os dedos pela pele nua da morena enquanto ela tentava preparar o café. Gabriel entrava na brincadeira, puxando Elaine pela cintura e a beijando de surpresa, até que os três se esqueciam do café e acabavam no sofá da sala, ou na mesa, ou até mesmo no chão da cozinha, se entregando à paixão sem reservas. À tarde, aproveitavam o clima ameno da fazenda. Gabriel e Helena treinavam juntos, testando reflexos e resistência física, sempre desafiando um ao outro com sorrisos competitivos. Elaine, por outro lado, preferia observar, sentada na varanda, uma xícara de chá entre as mãos, admirando a conexão crescente entre eles. Quando não estavam treinando, saíam para explorar a propriedade. Subiam colinas, nadavam no lago escondido nos fundos da fazenda ou simplesmente deitavam na grama para ver as estrelas quando a noite caía. Gabriel gostava de contar histórias sobre sua infância, Helena falava sobre os sonhos que nunca teve tempo de perseguir, e Elaine, pela primeira vez, começou a imaginar um futuro onde não precisasse fugir. A confiança entre eles se solidificou com o passar dos dias. Não havia mais espaço para dúvidas ou hesitações. O que sentiam um pelo outro ia além do desejo físico – era algo mais profundo, mais intenso. Eles pertenciam um ao outro. E naquela fazenda, longe do perigo, aprenderam a amar sem medo. Mas, por mais que quisessem permanecer ali para sempre, sabiam que a calmaria não duraria para sempre. O mundo lá fora ainda os esperava. E Victor não havia desistido de encontrá-los. A Ligação de Rafael A noite estava silenciosa na fazenda. O vento suave balançava as folhas das árvores ao redor enquanto o trio aproveitava a paz que haviam conquistado. Mas a tranquilidade foi interrompida pelo toque repentino do telefone de Elaine. Ela franziu a testa ao ver o número desconhecido. Quase ninguém tinha aquele contato. — Quem será? — Helena perguntou, tensa. Gabriel se inclinou para mais perto, os olhos fixos na tela. — Atende no viva-voz. Elaine respirou fundo e deslizou o dedo pela tela. — Alô? A resposta veio em um sussurro apressado. — É o Rafael. Os três se entreolharam imediatamente. A última vez que o ouviram, ele tinha prometido ficar nas sombras, longe de qualquer rastro que pudesse denunciá-lo. — Por que está ligando? — Gabriel perguntou direto, a voz baixa e firme. Do outro lado da linha, Rafael suspirou. — Eu precisava falar com vocês. Victor está mais perto do que nunca. Ele pode não saber que estou vivo, mas está farejando algo... E isso é perigoso pra todos nós. Helena cruzou os braços. — O que você quer dizer com ‘farejando algo’? — Ele sente que tem algo errado. Não sabe o quê, mas está inquieto.** Se Victor descobrir qualquer pista, qualquer falha... Ele pode encontrar vocês.** Elaine passou a mão pelos cabelos, tentando manter a calma. — Você está seguro? Rafael soltou um riso sem humor. — Seguro? Não existe segurança quando se lida com um homem como Victor. Mas escutem... Se eu desaparecer, se eu não fizer contato novamente, significa que ele encontrou algo. E se isso acontecer, vocês precisam sumir. O silêncio se instalou entre os três. Gabriel foi o primeiro a falar. — Se ele acha que tem algo errado, significa que ele está perto de descobrir que você está vivo. — Exato — Rafael confirmou. — E se ele descobrir isso... Ele não vai parar até caçar todos nós. A ligação caiu. Helena fechou os olhos por um momento, absorvendo tudo. O perigo ainda estava longe... Mas cada vez mais próximo. Gabriel segurou as mãos de Elaine e Helena, apertando-as com firmeza. — Precisamos decidir o que vamos fazer. Antes que seja tarde demais. Na manhã seguinte, o trio deixou para trás a paz da fazenda. O caminho até a cidade foi feito em silêncio, cada um imerso em seus próprios pensamentos. O plano de Rafael exigia precisão e cautela, e qualquer erro poderia custar suas vidas. Gabriel dirigia, atento ao retrovisor. Helena revisava as informações no celular, conferindo as últimas instruções enviadas por Rafael. Elaine, no banco de trás, limpava sua arma e respirava fundo, preparando-se mentalmente. — Estamos prontos para isso? — Gabriel quebrou o silêncio, mantendo os olhos na estrada. — Não temos escolha. — Helena respondeu, sem desviar o olhar da tela. — Se não tomarmos a iniciativa, Victor tomará. Elaine fechou a pistola e a colocou no coldre. — Então vamos garantir que ele não tenha essa chance. Quando chegaram à cidade, o ar parecia carregado. Tudo parecia mais sombrio, mais apertado. Depois de dias na fazenda, estar cercado por prédios, luzes e pessoas os deixava inquietos. O primeiro destino era um armazém abandonado, onde Rafael os esperava. O trio entrou com cautela, armas escondidas, mas os sentidos em alerta. E então, no fundo do galpão escuro, uma sombra se moveu. — Vocês vieram rápido. — A voz de Rafael ecoou pelo lugar. Helena cruzou os braços. — Não estamos aqui para perder tempo. O que precisamos fazer? Rafael sorriu, mas seus olhos carregavam preocupação. — Vamos virar o jogo contra Victor. E dessa vez... Ele não verá isso chegando. Rafael jogou um envelope sobre a mesa enferrujada no centro do galpão. Helena pegou primeiro, abrindo e analisando o conteúdo com olhar afiado. Papéis, documentos falsos, registros bancários... Uma série de informações meticulosamente organizadas. — Isso aqui… — Gabriel pegou uma das folhas, franzindo a testa. — Você conseguiu acessar as contas dele? Rafael sorriu de canto, cruzando os braços. — Levei um tempo, mas sim. Parte do dinheiro de Victor já foi transferida para uma conta segura. Outra parte está congelada. Ele vai perceber em breve. Elaine passou os olhos pelas informações, sua mente trabalhando rápido. — Isso vai deixá-lo desesperado. Um homem como Victor não aceita ser roubado sem revidar. — Exato. — Rafael concordou. — E é por isso que precisamos agir antes que ele descubra quem fez isso. Helena apoiou as mãos na mesa e olhou para Rafael. — Qual é o próximo passo? Ele puxou um celular do bolso e o colocou sobre a mesa. — Um encontro. Eu marquei com um dos homens de confiança de Victor. Gabriel estreitou os olhos. — E ele caiu nessa? Rafael riu, balançando a cabeça. — O dinheiro some, Victor entra em paranoia. Alguém aparece oferecendo informações… Ele vai mandar alguém. A questão é: estamos prontos para recebê-lo? Silêncio... O trio trocou olhares. Era agora ou nunca.
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