Assim que chegaram à fazenda, o trio foi recebido por um casal de meia-idade, Dona Marta e Seu Alfredo, que cuidavam do local há anos. Marta, uma senhora de sorriso gentil e cabelos grisalhos presos em um coque simples, enxugou as mãos no avental antes de abrir os braços para Elaine.
— Minha menina! Já faz tanto tempo… Pensei que nunca mais voltaria.
Elaine sorriu, abraçando a mulher com carinho.
— Eu também pensei, Marta. Mas estou aqui agora.
Seu Alfredo, um homem de olhar astuto e mãos calejadas pelo trabalho no campo, olhou para os recém-chegados com curiosidade.
— Veio acompanhada dessa vez…
Helena e Gabriel trocaram um olhar rápido, mas foi Elaine quem respondeu:
— Sim, e por isso preciso pedir um favor a vocês dois.
Marta franziu a testa, preocupada.
— O que foi, querida?
Elaine respirou fundo, sabendo que precisaria ser firme.
— Preciso que vocês tirem uns dias para descansar longe daqui. Talvez visitar seus filhos na cidade.
Os dois se entreolharam, surpresos.
— Mas, Elaine… — Alfredo começou a falar, mas a ruiva o interrompeu, tocando o braço dele com gentileza.
— Por favor. Confie em mim. Não é um pedido sem motivo.
Marta estreitou os olhos, avaliando a expressão da jovem.
— Você está se metendo em problemas de novo, não é?
Elaine sorriu de lado.
— Nada que eu não consiga resolver.
Marta suspirou, sacudindo a cabeça.
— Sempre soube que você tinha o espÃrito inquieto. Tá bom… vamos dar esse tempo pra vocês.
Alfredo bufou, pegando o chapéu e colocando na cabeça.
— Se precisar de algo, você sabe onde nos encontrar.
Elaine assentiu, observando enquanto os dois pegavam algumas malas pequenas e saÃam em direção ao jipe velho que usavam para ir à cidade. Antes de entrar no carro, Marta se virou mais uma vez para a ruiva.
— Seja lá o que você estiver fazendo, tome cuidado, menina.
— Sempre, Marta — Elaine respondeu, com um pequeno sorriso.
Assim que o carro sumiu pela estrada de terra, Elaine se virou para Gabriel e Helena.
— Agora, só nós três.
Helena sorriu de lado, cruzando os braços.
— Então é oficial. Esse é nosso esconderijo.
Gabriel passou a mão pelos cabelos, olhando ao redor.
— Um paraÃso escondido… perfeito para nós.
Elaine sorriu, sentindo que, pelo menos por um tempo, ali eles poderiam ser livres.
Com a fazenda finalmente só para eles, Elaine guiou Helena e Gabriel para dentro da casa principal. O interior era rústico, mas acolhedor. A madeira antiga rangia sob seus passos, e o cheiro de terra molhada misturava-se ao aroma sutil de ervas secas penduradas na cozinha.
Helena deslizou os dedos sobre a mesa de madeira maciça no centro do cômodo.
— Esse lugar é incrÃvel, Elaine. Nunca imaginei você com um refúgio assim.
Elaine sorriu, encostando-se no batente da porta.
— É meu pequeno segredo. Um lugar para onde eu fugia quando precisava desaparecer do mundo.
Gabriel olhou pela janela, admirando a vista das montanhas ao longe.
— Bem escondido, silencioso… Parece perfeito para nós.
Elaine assentiu, pegando três taças de vinho em um dos armários.
— Perfeito o bastante para aproveitarmos um pouco antes de começarmos a planejar nossa próxima jogada contra Victor.
Ela serviu o vinho, e os três brindaram sem dizer uma palavra. Era um pacto silencioso – ali, por algumas horas, não seriam caçados, não precisariam se esconder ou lutar.
Helena esticou o corpo, arqueando as costas de um jeito preguiçoso e sensual.
— Acho que depois dessa viagem, merecemos um banho.
Elaine ergueu uma sobrancelha.
— Tem um banheiro dentro da casa…
Helena sorriu maliciosamente.
— Mas eu estava pensando em algo mais… natural.
Gabriel acompanhou o olhar dela em direção à janela, onde a densa floresta escondia um segredo ainda mais convidativo: a cascata que Elaine sempre usava para se banhar.
Elaine riu, pegando mais um gole do vinho.
— Vocês realmente não perdem uma oportunidade, não é?
Gabriel deu de ombros, deixando a taça de lado.
— Quando se tem duas mulheres incrÃveis ao lado, por que desperdiçar um cenário como esse?
Helena estendeu a mão para Elaine, seus olhos âmbar brilhando com expectativa.
— Vamos?
Elaine hesitou por um instante, mas então um sorriso brincou em seus lábios. Ela pegou a mão de Helena e puxou Gabriel pelo outro braço.
— Vamos.
Sem pressa, os três seguiram pela trilha de pedras úmidas, guiados pelo som hipnotizante da cascata que se escondia entre as árvores. O ar estava carregado de umidade e o aroma fresco da mata misturava-se ao calor dos corpos suados pela fuga, até o pequeno paraÃso escondido. O barulho da água caindo preenchia o ar, e a vegetação ao redor tornava tudo ainda mais isolado, mais Ãntimo
Elaine foi a primeira a chegar à borda do lago. Seus cabelos ruivos caÃam em ondas molhadas sobre os ombros enquanto ela observava a água cristalina que refletia a luz do entardecer. Helena veio logo atrás, a pele morena reluzindo sob os raios dourados do sol filtrados pelas árvores. Gabriel parou no meio das duas, sentindo a eletricidade no ar – algo denso, selvagem, inevitável.
Elaine sorriu de lado, os olhos verdes brilhando com uma provocação silenciosa antes de puxar a barra da blusa e deixá-la deslizar pelo próprio corpo. Helena acompanhou o gesto com um olhar afiado, mordendo o lábio ao ver a ruiva tirar o restante das roupas sem hesitação.
— Vocês estão esperando o quê? — Elaine desafiou, entrando na água e mergulhando de forma graciosa.
Helena arqueou a sobrancelha para Gabriel antes de puxar a alça do vestido e deixá-lo deslizar até seus pés. Sua pele bronzeada contrastava com a espuma da água conforme ela entrava, os olhos âmbar fixos no homem parado ali, observando-as.
Gabriel soltou um riso baixo, tirando a camisa e revelando os músculos definidos, marcados por cicatrizes discretas. Ele não precisou de mais incentivo. Entrou na água com passos lentos, sentindo o choque térmico contra sua pele quente.
A cascata descia em véus prateados, criando uma cortina natural ao redor deles. O barulho da água se misturava ao ritmo das respirações aceleradas.
Elaine deslizou até Gabriel, os dedos traçando lentamente o peito molhado dele.
— Você parece tenso — ela sussurrou, seus lábios a um sopro de distância dos dele.
Helena se aproximou por trás, deslizando as mãos pelos ombros largos do homem, os lábios roçando na curva de seu pescoço.
— Acho que podemos ajudá-lo com isso — completou, a voz baixa e carregada de malÃcia.
Gabriel soltou um suspiro pesado, sentindo-se cercado, dominado pelo desejo que queimava entre eles. A água fria não fazia nada para apagar o calor crescente.
Ali, sob a cascata, os toques se tornaram mais intensos, os corpos se entrelaçaram, e a noite prometia ser tão avassaladora quanto a paixão selvagem que os consumia.
A água escorria pelos corpos entrelaçados, deslizando em gotas frias sobre a pele quente. Gabriel sentia o cheiro doce dos cabelos molhados de Elaine misturado ao perfume inebriante de Helena. Entre eles, a respiração ficou mais pesada, os toques mais ousados, os lábios mais famintos.
Elaine foi a primeira a se render ao momento, inclinando-se para trás enquanto as mãos de Gabriel percorriam suas curvas submersas, traçando caminhos invisÃveis de puro desejo. O contraste entre a temperatura fria da água e o calor abrasador do contato fazia cada toque parecer mais intenso, mais eletrizante.
Helena, por sua vez, arrastou os dedos pelas costas largas de Gabriel, sentindo cada músculo retesar sob seu toque. Seus lábios deslizaram pela linha do maxilar dele, provocando-o com beijos demorados, enquanto Elaine pressionava o corpo contra o dele, deixando um suspiro escapar ao sentir a firmeza de suas mãos segurando-a com posse.
O som da cascata encobria os sussurros e gemidos contidos, tornando aquele momento ainda mais Ãntimo, mais secreto. O mundo lá fora desaparecia – não havia perigo, não havia inimigos, apenas a entrega absoluta ao prazer e à conexão crua que compartilhavam.
A água ondulava ao redor deles, testemunha silenciosa de um desejo que não podia mais ser contido.
Elaine arqueou o corpo, suspirando ao sentir as mãos firmes dele em sua cintura. Com um sorriso provocante, ela sussurrou:
— Você gosta de estar entre nós assim, Gabriel?
Ele riu baixinho, apertando os dedos contra a pele macia da ruiva antes de deslizar a mão por sua coxa submersa.
— Gosto do jeito que vocês me deixam sem saÃda.
Helena, que até então observava com um brilho malicioso nos olhos âmbar, aproximou-se mais, pressionando o corpo contra as costas dele.
— E quem disse que queremos que você fuja? — ela murmurou contra seu pescoço, mordendo levemente a pele antes de deslizar os lábios por sua mandÃbula.
Gabriel fechou os olhos por um momento, sentindo o desejo pulsar entre os três. O toque suave das unhas de Elaine riscando seu abdômen e o calor da respiração de Helena em sua nuca o fizeram soltar um gemido baixo.
— Então vocês planejaram isso o tempo todo? — ele perguntou, ofegante.