A cidade ficou para trás em questão de minutos. Conforme avançavam pela estrada, os edifícios de concreto foram substituídos por campos e árvores que se estendiam até o horizonte.
Elaine estava no banco da frente, guiando Gabriel pelo caminho correto.
— A entrada não é óbvia. Quando chegarmos à bifurcação depois da ponte, siga à direita. Parece uma estrada abandonada, mas leva direto para a fazenda.
Helena olhava pela janela, sentindo a tensão da fuga se dissolver aos poucos. O verde vibrante da paisagem começava a trazer uma sensação de alívio inesperado.
— Então, essa fazenda… — Gabriel começou. — Você nunca mencionou isso antes.
Elaine sorriu de leve.
— Porque nunca precisei. Esse lugar é um refúgio para mim. Um pedaço de paz no meio do caos.
— Parece um paraíso — Gabriel murmurou, dobrando na estrada indicada.
A vegetação ficou mais densa, e o barulho da civilização desapareceu completamente. Quando o carro cruzou um pequeno portão de madeira, uma paisagem deslumbrante se revelou.
Um campo verdejante se estendia ao redor da casa principal, uma construção rústica, mas acolhedora. Um lago cristalino refletia o céu azul, e algumas árvores frutíferas se espalhavam pelo terreno. O vento carregava o aroma de terra molhada e flores silvestres.
Helena soltou um assobio baixo.
— Ok, admito… Isso realmente parece um paraíso.
Elaine sorriu, descendo do carro e inspirando o ar fresco.
— Eu disse.
Gabriel saiu logo atrás, olhando ao redor, atento a qualquer risco.
— Vamos descansar, mas sem baixar a guarda. Se Victor descobrir onde estamos, isso deixa de ser um refúgio e se torna uma armadilha.
Helena pegou a mala do porta-malas e caminhou em direção à casa.
— Então vamos garantir que este lugar continue a ser seguro.
Elaine observou os dois e, por um breve momento, sentiu que ali, naquele refúgio escondido, talvez tivessem uma chance real.
Pelo menos, por enquanto.