Eles partiram cada um perdido em seu próprio pensamento, em suas próprias incertesas e expectativas do que o futuro lhes reservava.
O carro derrapou na estrada de terra, deixando para trás a cidade e todos os vestígios do caos que haviam causado. O sol se erguia no horizonte, iluminando o início de uma nova era para cada um deles.
No galpão abandonado, Rafael e Arthur observavam o trio partir. Eles sabiam que aquele seria o último momento juntos por um longo tempo. Elaine, Helena e Gabriel tinham conquistado sua liberdade. Já eles, haviam assumido um novo destino.
— Você tem certeza disso? — Arthur perguntou, cruzando os braços enquanto encarava Rafael.
Rafael soltou um suspiro, observando a poeira subir conforme o carro sumia na estrada.
— Nunca tive tanta certeza de algo na minha vida. Victor pode estar fora do jogo, mas o império continua de pé. E agora, ele nos pertence.
Arthur sorriu de canto, mas, por dentro, um peso crescia em seu peito. Seu olhar permaneceu fixo no carro que se afastava, mais especificamente na silhueta de Elaine. Ele sabia que nunca deveria ter permitido que ela voltasse para sua vida, mas agora que a tinha visto de novo, como deixá-la partir outra vez?
Lembranças invadiram sua mente. O toque de Elaine, o brilho desafiador em seus olhos verdes, o jeito que ela o fazia sentir-se vivo e odiado ao mesmo tempo. Ele a tinha perdido uma vez por sua própria estupidez, e agora a perdia de novo, desta vez sem ter controle sobre isso.
Ele não gostava da ideia de Rafael ao seu lado, nem de Gabriel. O pensamento de Elaine pertencendo a outro homem, ou a dois, o incomodava mais do que gostaria de admitir. Mas essa não era mais uma batalha que ele poderia lutar.
Rafael, por sua vez, manteve-se em silêncio, mas seu olhar também estava fixo no carro que desaparecia ao longe. O peso da despedida apertava seu peito de uma maneira inesperada. Ele nunca fora um homem de laços, mas com Elaine, tudo sempre fora diferente. Ele a desejava, a admirava e, de um jeito torto, até confiava nela. Mas agora, ela seguia outro caminho. Um caminho que não o incluía.
Arthur quebrou o silêncio.
— Nunca pensei que acabaria trabalhando ao seu lado.
— A vida dá voltas, meu amigo — Rafael respondeu. — O importante é que agora estamos no controle.
Dentro do carro, Elaine olhava pelo retrovisor, vendo Rafael e Arthur ficarem cada vez menores. Ela sentia um aperto no coração, mas sabia que era o melhor a se fazer.
— Eles vão ficar bem? — ela perguntou.
— Eles sabem o que estão fazendo — Gabriel respondeu, sem tirar os olhos da estrada.
Helena passou a mão pelos cabelos, exausta, mas aliviada.
— E nós também sabemos. Agora é nossa vez de desaparecer.
Elaine recostou a cabeça no banco e fechou os olhos por um momento.
— Finalmente livres.
Gabriel sorriu.
— Finalmente juntos.
A estrada se estendia diante deles, levando-os a um futuro incerto, mas, pela primeira vez, um futuro que eles poderiam chamar de seu.
No galpão, Arthur soltou um suspiro pesado, passando a mão pelos cabelos. Ele sabia que tinha acabado, mas não conseguia evitar o desejo de que um dia, de alguma forma, Elaine voltasse para ele.
Rafael não disse nada, mas no fundo, pensava exatamente a mesma coisa.
E, no fundo, ambos sabiam que, por mais que o império fosse deles agora, algo mais precioso lhes escapara pelos dedos. Algo que talvez nunca mais voltasse.
A cena se desenrolava com uma intensidade crescente, um momento decisivo para os destinos de todos os envolvidos. Rafael e Arthur estavam lado a lado, em um ambiente sombrio e seguro, onde o império que antes pertencera a Victor agora lhes pertencia. Eles não sabiam o que o futuro reservava, mas sabiam que estavam no comando.