Preparação Para o Último Confronto

1502 Words
O silêncio que se seguiu à fuga foi denso, quase sufocante. O carro agora avançava devagar por uma estrada deserta, cercada apenas por árvores e escuridão. O cheiro de pólvora e fumaça ainda impregnava o ar dentro do veículo. — Precisamos de um plano, e rápido — Rafael foi o primeiro a quebrar o silêncio, sua voz ainda carregada de adrenalina. — Concordo — Helena respondeu, virando-se para Elaine. — Mas, antes de qualquer coisa, precisamos de um lugar seguro. Elaine mordeu o lábio inferior e assentiu. — Conheço um lugar. Fica a algumas horas daqui, bem escondido. Ninguém nos encontrará lá. Gabriel a observou por um momento. Havia algo na expressão dela — uma mistura de determinação e receio. — Que lugar é esse? — Uma antiga propriedade da minha família — ela explicou. — Ninguém sabe que ainda está em meu nome. É o esconderijo perfeito. Eles dirigiram a noite inteira, sem parar. O cansaço pesava sobre cada um deles, mas o medo de serem seguidos não permitia descanso. Quando finalmente chegaram, o local parecia saído de outro mundo: uma propriedade afastada, cercada por mata densa, um pequeno lago refletindo a luz do amanhecer. — Impressionante — Rafael murmurou, descendo do carro. Elaine não respondeu, apenas seguiu à frente, desativando o alarme da casa. Era ali que eles fariam o próximo movimento. Helena olhou ao redor, analisando a estrutura da propriedade. — Podemos transformar isso em uma fortaleza — ela disse. — Então vamos começar agora — Gabriel completou. A guerra ainda não havia acabado. Naquela noite, reunidos ao redor de uma mesa rústica de madeira, o grupo finalmente traçou o passo definitivo. — Victor ainda não sabe que Rafael está vivo — Elaine lembrou. — Podemos usar isso a nosso favor — Rafael acrescentou. — Se eu me tornar a isca… Helena estreitou os olhos. — Isso é perigoso demais. — Mas é a única chance que temos — Rafael insistiu. — Victor acha que já venceu. Vamos fazê-lo pagar pela arrogância. Todos ficaram em silêncio por alguns instantes. Então, Gabriel respirou fundo. — Vamos acabar com isso. Do outro lado da cidade, em uma luxuosa cobertura, Victor encarava a tela de um monitor, os olhos sombrios. Algo não estava certo. Ele sentia isso. E Victor nunca ignorava seus instintos. Ele apertou os dedos ao redor do copo de uísque antes de virar-se para um de seus homens. — Descubra onde eles estão. Agora. A guerra estava longe de terminar. O refúgio de Elaine estava mergulhado em um silêncio quase irreal. Mas dentro da casa, a tensão era palpável. O plano estava traçado, cada detalhe cuidadosamente planejado. Agora, tudo dependia da execução. Rafael estava sentado no sofá, olhando para um ponto fixo na parede. A ideia de se expor como isca o deixava inquieto, mas ele sabia que era a única opção. — Você tem certeza disso? — Helena perguntou, cruzando os braços. — Não temos outra escolha — Rafael respondeu. — Victor é arrogante, mas ele não se arrisca sem motivo. Se acreditar que tem a vantagem, virá com tudo. Gabriel assentiu, encostado contra a parede. Seus olhos analisavam Rafael como se tentasse decifrar qualquer hesitação. — Se for para ser isca, então vamos garantir que ele caia na armadilha. Elaine mexeu no tablet à sua frente, estudando a movimentação das contas bancárias de Victor. — Conseguimos rastrear as transações — ela disse. — Ele anda movimentando muito dinheiro para um armazém no centro. Helena franziu o cenho. — Isso significa que ele está preparando algo grande. Gabriel trocou um olhar com Elaine antes de pegar o telefone. — Então vamos dar a ele exatamente o que quer. A informação de que Rafael estava vivo correu rápido. Na mesma noite, Victor recebeu a notícia através de um informante. O copo de uísque que segurava se estilhaçou entre seus dedos. — Isso é impossível — ele rosnou. — Temos informações de que ele foi visto no galpão abandonado da zona leste — seu homem de confiança informou. Victor estreitou os olhos. — Então ele quer brincar de fantasma? — Ele deu um sorriso frio. — Pois bem. Vamos caçá-lo. O galpão estava escuro, apenas uma lâmpada piscando no teto iluminava o espaço amplo e vazio. Rafael estava no centro, fingindo impaciência, enquanto os outros estavam escondidos nas sombras, armados e prontos. Os passos ecoaram antes de Victor surgir na entrada, cercado por seus homens. — Ora, ora… — Victor sorriu, avançando lentamente. — Eu deveria ter imaginado que um rato como você encontraria um buraco para se esconder. Rafael forçou um sorriso arrogante. — E eu deveria ter imaginado que você viria cercado, como sempre. Victor soltou uma risada baixa, mas seus olhos estavam afiados. — Me diga, Rafael… Como você está vivo? — Você realmente achou que poderia me matar tão facilmente? VFoi então que Helena, Gabriel e Elaine saíram das sombras, apontando armas para os capangas dele. — Você caiu direitinho — Helena sussurrou. Victor cerrou os punhos. — Malditos. Mas ele não estava assustado. Ele ainda tinha uma carta na manga. E ninguém saía vivo de um jogo contra Victor. A batalha final estava prestes a começar. Os capangas de Victor reagiram rápido. Em questão de segundos, armas foram erguidas, dedos no gatilho, tensão cortando o ar como uma lâmina afiada. Mas Gabriel, Helena e Elaine estavam preparados. — Vocês realmente acham que isso vai acabar bem para vocês? — Victor disse, seu tom repleto de arrogância. Rafael sorriu, dando um passo à frente. — Na verdade, Victor, sim. Foi quando o estrondo da primeira explosão soou. Victor se virou, alarmado, enquanto um de seus carros lá fora ia pelos ares. O pânico se espalhou entre seus homens, que vacilaram por um instante. E foi exatamente essa brecha que o trio precisava. Helena foi a primeira a atirar. Um dos capangas caiu antes que sequer pudesse reagir. Gabriel deslizou para trás de um contêiner, disparando com precisão. Elaine, rápida como uma sombra, girou o corpo e acertou outro homem que tentava correr em direção à saída. O galpão virou um campo de batalha. Victor se abaixou atrás de uma pilha de caixas, os dentes cerrados. Ele puxou a arma do coldre e tentou analisar a situação. Não gostava de ser encurralado, e com certeza não gostava de perder. Ele virou a cabeça e viu Rafael avançando entre os disparos. Seu antigo aliado. Seu maior erro. Victor saiu da cobertura, atirando na direção de Rafael. Mas Rafael já estava esperando. Ele rolou para o lado e disparou duas vezes. Um dos tiros acertou o ombro de Victor. O grito de dor ecoou pelo galpão, mas Victor não caiu. Ele cambaleou, segurando a ferida, o olhar cheio de ódio. Foi então que Helena surgiu atrás dele, sua arma encostando contra sua nuca. — Acabou, Victor. Victor congelou. Ele sentiu o frio do cano contra sua pele e soube que não tinha mais saída. Lentamente, ele ergueu as mãos. Gabriel e Elaine se aproximaram, suas armas apontadas para ele. — Eu devia ter matado todos vocês antes — Victor cuspiu, a raiva pulsando em sua voz. — E nós devíamos ter acabado com você há muito tempo — Rafael rebateu. — Mas pelo menos estamos corrigindo isso agora. Victor olhou ao redor. Seus homens estavam mortos ou fugindo. Ele estava sozinho. Perdeu. Mas Victor sempre tinha uma última jogada. Com um movimento súbito, ele puxou uma pequena lâmina escondida na manga e girou para atacar Helena. Mas ele nunca teve chance. Antes que pudesse tocar nela, um tiro ecoou no galpão. Helena recuou, os olhos arregalados. Victor piscou algumas vezes, parecendo confuso. Então olhou para baixo. Uma poça de sangue já se formava no chão sob seus pés. Ele levantou a cabeça e encontrou o olhar frio de Elaine. A arma dela ainda estava apontada para ele. — Agora sim — ela murmurou. — Acabou. Victor tentou dizer algo, mas seus joelhos cederam. Ele caiu, o corpo atingindo o chão com um impacto final. O silêncio se espalhou. Ninguém comemorou. Não havia nada a comemorar. Apenas uma guerra que finalmente chegava ao fim. Rafael soltou um longo suspiro, passando a mão pelo rosto suado. Gabriel abaixou a arma, olhando para o corpo de Victor sem expressão. Helena deu um passo para trás, finalmente soltando o ar que segurava. Elaine foi a única que não desviou o olhar do homem que, por tanto tempo, perseguiu suas vidas. Ela sentiu uma estranha mistura de alívio e vazio. — Precisamos sair daqui — Gabriel disse. — Agora. Eles sabiam que não poderiam ficar muito tempo. Mesmo com Victor morto, seus aliados podiam querer vingança. O grupo se moveu rápido. Pegaram apenas o essencial e deixaram o galpão para trás. A cidade nunca parecia tão grande e cheia de possibilidades. E, pela primeira vez, eles estavam realmente livres. Mas por quanto tempo? Eles partiram cada um perdido em seu próprio pensamento, em suas próprias incertesas e expectativas do que o futuro lhes reservava.
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