Execução do Plano

1502 Words
Elaine se afastou de Helena e caminhou até a mesa onde o mapa e os documentos estavam espalhados. Era hora de lembrar por que estavam ali. — Nosso alvo é Victor — continuou, pegando uma caneta e circulando um prédio específico no mapa. — Ele está se movimentando, o que significa que suspeita de algo. Mas ainda não sabe que Rafael está vivo, e precisamos manter assim. Gabriel assentiu, recuperando o foco. — Nosso maior desafio será entrar na sede principal sem alertá-lo. Ele tem reforçado a segurança. Se fizermos um movimento em falso, estaremos mortos antes de pisar lá dentro. Arthur finalmente se aproximou, agora sério. — E como pretendem fazer isso? Foi Rafael quem respondeu. — Para isso, precisamos de um bode expiatório. E foi aí que Elaine teve uma ideia… — O olhar dele deslizou até a ruiva, carregado de algo que ninguém soube identificar. Elaine encontrou o olhar de Rafael, segurando a respiração por um segundo. Ela sabia que aquilo não seria fácil. — Precisamos de Artur. O nome fez o ambiente pesar. Arthur sorriu, divertido. — Sabia que não me chamaram aqui só para um jantar nostálgico. — Você conhece Victor, esteve no mesmo círculo de poder que ele — explicou Elaine, tentando ignorar a tensão no ar. — Podemos fazer parecer que foi você quem roubou o dinheiro e nos livrar da mira dele. Arthur inclinou a cabeça, os olhos cheios de interesse. — E por que diabos eu aceitaria isso? Gabriel, Rafael e Helena o encararam ao mesmo tempo. Foi Rafael quem respondeu, sua voz baixa e cheia de veneno. — Porque a outra opção é ele descobrir que você está envolvido conosco. E se isso acontecer, Arthur… você vai ser o primeiro a morrer. O silêncio que se seguiu foi cortante. Arthur suspirou, inclinando-se sobre a mesa, encarando Elaine diretamente. — Você realmente nunca muda, não é? Ainda sabe como me manipular. Elaine sustentou o olhar. — E você ainda não aprendeu a me recusar. Arthur riu, mas havia algo sombrio em seus olhos. — Muito bem. Eu jogo esse jogo. Mas se eu for cair… vou levar vocês comigo. A troca de olhares entre eles disse mais do que qualquer palavra dita. O plano estava traçado. E, a partir daquele momento, não havia mais volta. A noite estava pesada, envolta em uma névoa densa que parecia anunciar que algo grande estava prestes a acontecer. O prédio de Victor erguia-se diante deles, imponente, com luzes estrategicamente posicionadas, criando um jogo de sombras sinistro. O grupo estava dividido, cada um com um papel crucial. Nada poderia dar errado. Vestido com um terno impecável e uma postura confiante, Arthur se aproximou do prédio principal. Ele era um empresário de renome, com contatos que ainda orbitavam o círculo de Victor. Seu trabalho era simples, mas arriscado: entrar no prédio e fazer com que Victor acreditasse que ele era o culpado pelo dinheiro desaparecido. Ele respirou fundo antes de se anunciar na recepção. — Diga a Victor que tenho informações sobre os desaparecimentos recentes — disse ele à secretária, com um sorriso cínico. Os guardas se entreolharam, mas não hesitaram em escoltá-lo até a sala privada do chefe. Arthur tinha influência, afinal. Rafael e Gabriel: A Invasão Silenciosa Enquanto Arthur fazia seu papel, Gabriel e Rafael já estavam dentro do prédio. Seus passos eram silenciosos como sombras enquanto atravessavam os corredores subterrâneos do complexo. Haviam conseguido entrar pelos túneis de ventilação, que Elaine descobriu através de arquivos hackeados semanas antes. — Você já fez isso antes, não é? — murmurou Rafael, observando Gabriel manipular a fechadura eletrônica de uma das portas principais. — Mais vezes do que gostaria de admitir — respondeu Gabriel, ouvindo o som satisfatório do clique de destravamento. — Vamos. Dentro daquela sala, estava o servidor principal de Victor. Eles tinham apenas alguns minutos para hackear o sistema, apagar rastros e transferir informações valiosas. Enquanto Gabriel trabalhava rápido no computador, Rafael mantinha os olhos na porta, arma em punho. — Rápido. Arthur não vai conseguir enrolá-lo para sempre. Enquanto os homens agiam dentro do prédio, Helena e Elaine estavam do lado de fora, preparadas para garantir que todos saíssem dali vivos. Elas haviam estacionado dois carros estratégicos — um para despistar os seguranças e outro para a real fuga. — Você acha que Arthur vai nos trair? — perguntou Helena, enquanto checava a munição da arma. Elaine ficou em silêncio por um momento, antes de responder: — Acho que Arthur vai fazer o que for melhor para ele. Mas, por enquanto… somos isso. Helena assentiu, entendendo a mensagem nas entrelinhas. Arthur era um risco, mas um risco necessário. De repente, um ruído no rádio. A voz de Gabriel soou abafada: — Conseguimos. Mas temos um problema. Victor sabe que tem algo errado. O Primeiro Tiro Dentro da sala de Victor, Arthur sentiu a mudança na atmosfera. — Você realmente acha que pode me enganar? — Victor se levantou da poltrona, os olhos estreitos, a voz carregada de veneno. Os guardas se aproximaram de Arthur, prontos para contê-lo. Mas ele sorriu. — Sabe, Victor, você sempre foi bom em suspeitar das pessoas erradas. Ele se jogou para trás no momento exato em que um tiro ecoou pela sala. Rafael havia atirado no vidro da janela, criando o caos necessário para que Arthur aproveitasse e corresse. Victor rugiu de raiva, mas foi tarde demais. O plano já estava em movimento. A Fuga e a Perseguição — ENTREM NO CARRO! AGORA! — Helena gritou pelo rádio. Rafael, Arthur e Gabriel correram para fora, os tiros dos seguranças zunindo no ar. Elaine pisou fundo no acelerador assim que os viu se aproximando. O carro derrapou na estrada de terra, saindo em disparada para longe do complexo. Mas a perseguição não tardou a começar. Victor não era o tipo de homem que deixava pontas soltas. E agora, o jogo estava apenas começando. Os faróis dos carros de Victor rasgavam a escuridão como olhos famintos, perseguindo o veículo de Elaine com determinação implacável. O motor rugia, e o velocímetro subia perigosamente enquanto a estrada de terra se tornava cada vez mais traiçoeira. — Segurem-se! — gritou Elaine, girando o volante com precisão para evitar um buraco que poderia acabar com a fuga ali mesmo. No banco do passageiro, Helena segurava firme a arma, os olhos atentos ao espelho retrovisor. O brilho das luzes inimigas oscilava, aproximando-se mais a cada segundo. — Eles estão ganhando terreno! — avisou Rafael do banco de trás, a respiração pesada pela adrenalina. Gabriel xingou baixinho, pegando uma das armas no assoalho do carro. Se não conseguissem despistá-los, teriam que enfrentá-los. Os primeiros disparos vieram antes que qualquer um pudesse reagir. Os vidros traseiros estilhaçaram quando as balas atingiram o carro. Helena revidou imediatamente, descarregando dois tiros certeiros no primeiro veículo perseguidor. A SUV preta derrapou violentamente na estrada de cascalho, saindo do caminho e batendo contra uma árvore. — Um a menos! — gritou Helena, recarregando rapidamente. Mas Victor ainda tinha mais homens. Muito mais. O segundo carro se aproximava rápido, o atirador disparando incessantemente. Gabriel se inclinou para fora da janela lateral e atirou de volta, acertando o capô do veículo inimigo. — Elaine, acelera! — ele gritou, puxando o corpo para dentro. — Eu estou tentando! — respondeu ela, os olhos fixos na curva perigosa logo à frente. Se não fizessem algo logo, acabariam encurralados. Arthur, até então calado, olhou para a estrada e depois para Rafael, uma ideia começando a se formar. — Se vocês dois segurarem esses filhos da p**a por um minuto, eu tenho um plano — ele disse, a voz carregada de tensão. Helena e Gabriel trocaram um olhar rápido, mas entenderam a mensagem sem precisar de explicações. — Vai logo! — foi tudo que Helena disse antes de se inclinar pela janela e disparar mais uma vez. Arthur pegou uma pequena bolsa sob o banco. Explosivos. Ele pulou para fora do carro em movimento no momento exato em que Elaine virou bruscamente para entrar numa estrada lateral escondida. Os homens de Victor nem perceberam o que estava acontecendo até ser tarde demais. Arthur acionou o detonador. Uma explosão ensurdecedora iluminou a noite. Os carros perseguidores foram engolidos pelas chamas, detritos voando para todos os lados. Silêncio. Então, apenas o som dos pneus de Elaine cantando no asfalto enquanto o grupo desaparecia na escuridão. O carro continuou avançando até que a cidade ficou para trás. Quando finalmente entraram em um trecho mais isolado, Elaine reduziu a velocidade e parou o veículo no acostamento. O silêncio dentro do carro era cortante. — Conseguimos? — Rafael perguntou, ainda tentando recuperar o fôlego. Gabriel soltou uma risada breve e descrente. — Por enquanto. Helena olhou para Elaine, cujas mãos ainda tremiam no volante. — Você está bem? Elaine assentiu, mas seus olhos verdes brilhavam com pura adrenalina. — Ainda não acabou. E todos sabiam que ela estava certa. Victor não desistiria tão fácil. E eles ainda tinham um acerto de contas para fazer.
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