Ele estava encostado na porta da sacada, os olhos escuros fixos nos dois. Elaine suspirou, já percebendo o ciúme implícito na frase dele.
— Não começa, Gabriel.
— Não estou começando nada. Só achei curioso.
Elaine cruzou os braços.
— Sério? Então por que sua mandíbula está travada desse jeito?
Gabriel fechou os olhos por um segundo antes de soltar um suspiro irritado.
— Eu não gosto desse cara, Elaine. Não confio nele e não gosto do jeito que ele age perto de você.
— Ninguém confia nele, Gabriel. Mas precisamos dele.
— Isso não significa que preciso gostar dessa situação.
O clima pesou. Rafael observava a troca entre os dois, e um pequeno sorriso de canto surgiu em seu rosto. Então não era só ele que estava incomodado.
— Vocês dois parecem um casal brigando. — Ele provocou.
Gabriel lançou-lhe um olhar mortal.
— E você parece muito interessado no que acontece entre mim e Elaine.
Rafael apenas ergueu as mãos em rendição, mas o brilho em seus olhos dizia que ele estava se divertindo mais do que deveria.
Foi então que a porta do quarto de hóspedes se abriu e Arthur saiu, bocejando e alongando-se como se não houvesse tensão alguma no ar.
— Nossa, o clima aqui está carregado. — Ele disse, piscando para Elaine. — Algum problema?
Gabriel apertou os punhos.
Helena apareceu logo atrás dele, observando a cena com olhos atentos. Ela não disse nada, apenas analisou cada expressão, cada resquício de tensão, cada faísca de ciúme e rivalidade no ar.
Se um problema fosse surgir antes da execução do plano, seria agora.
— Temos que nos concentrar. — Ela disse, cortando a tensão como uma lâmina.
Elaine foi a primeira a desviar o olhar e se afastar da sacada.
— Certo. Vamos revisar tudo uma última vez.
Gabriel ainda queimava de ciúmes. Rafael tentava esconder seu próprio incômodo. Arthur sorria como se soubesse um segredo que ninguém mais sabia.
E Helena… Helena sabia que aquilo não ia acabar bem.
Elaine tentou se concentrar no plano, no clima tenso, no fato de que estavam prestes a enfrentar um inimigo perigoso. Mas era impossível ignorar Helena.
A morena estava encostada no batente da porta, os braços cruzados de maneira relaxada, mas seu olhar era atento, analisando cada movimento na sala. A luz suave da manhã iluminava sua pele dourada, e o pijama de seda vermelho deslizava sobre suas curvas como uma segunda pele.
Ela estava simplesmente irresistível.
Elaine desviou os olhos por um segundo, mas logo se pegou observando de novo. O jeito que o tecido marcava sua cintura, o sutil decote da blusa, as pernas torneadas parcialmente visíveis...
Ela não foi a única a notar.
Gabriel também lançou um olhar discreto para Helena, como se estivesse lutando contra os próprios pensamentos. Até mesmo Arthur — sempre cheio de si — deixou escapar um pequeno levantar de sobrancelha antes de recuperar sua expressão despreocupada.
Helena percebeu os olhares, mas fingiu ignorar. Em vez disso, caminhou lentamente até a mesa e pegou um copo d’água, como se não estivesse ciente do efeito que causava neles.
Elaine apertou os lábios. Concentração, foco no plano.
Mas quando Helena molhou os lábios após o primeiro gole, a ruiva soube que isso seria mais difícil do que imaginava.
Elaine passou a língua pelos lábios, desviando o olhar rapidamente. Droga. Não era hora para isso. Mas seu corpo reagia antes mesmo que pudesse se controlar.
Talvez fosse a adrenalina da missão iminente. Talvez fosse o peso do desejo que sempre os envolvia nos momentos mais inesperados. Mas, por um instante, ela se perdeu na lembrança do gosto da pele de Helena, do jeito que sua respiração ficava mais pesada quando Elaine tocava os pontos certos…
— Algum problema, ruiva?
A voz de Helena soou suave, mas cheia de malícia. Elaine ergueu os olhos e encontrou o olhar âmbar fixo nela. Droga de novo.
Helena sabia. Helena sempre sabia.
E o pequeno sorriso no canto de seus lábios dizia que ela gostava disso.
Elaine respirou fundo, tentando recuperar a compostura. Mas era difícil quando Helena a olhava daquela forma, com aquele brilho malicioso nos olhos e a expressão de quem sabia exatamente o efeito que causava.
O silêncio entre elas durou um segundo a mais do que deveria. Um segundo carregado de tensão, de promessas silenciosas, de provocações não ditas.
Helena inclinou a cabeça levemente, os lábios ainda curvados no mesmo sorriso enigmático.
— Está distraída, Elaine? — A voz dela era um sussurro rouco, íntimo, como se fosse um segredo compartilhado apenas entre as duas.
Elaine umedeceu os lábios e se forçou a desviar o olhar.
— Só estava pensando.
— Hm… pensando. — Helena repetiu, fingindo considerar a resposta. Então se aproximou lentamente, os pés descalços deslizando pelo chão frio.
— Deveríamos estar focadas no plano, mas… algo está te distraindo, não é? — A voz de Helena era um fio de veludo, provocante e cheia de intenção.
Elaine sentiu a presença quente da morena se aproximando ainda mais. O cheiro inconfundível de seu perfume tomou seus sentidos, e a ruiva teve que se segurar para não suspirar. Maldita Helena e seu poder sobre ela.
Antes que pudesse responder, sentiu o toque sutil dos dedos de Helena roçando de leve em seu braço. Um toque inocente para quem olhasse de longe, mas carregado de eletricidade entre elas.
— Estou focada no que importa — murmurou Elaine, finalmente erguendo o olhar para encará-la.
Helena sorriu, inclinando-se ainda mais, tão perto que Elaine podia sentir sua respiração contra sua pele.
— Tem certeza, ruiva? Porque, honestamente… você não parece muito convencida disso.
Elaine abriu a boca para retrucar, mas antes que qualquer palavra saísse, Gabriel pigarreou alto.
— Se vocês duas terminarem essa troca de olhares intensa, talvez possamos voltar ao plano?
A ruiva e a morena se viraram para ele ao mesmo tempo, pegando Gabriel com uma sobrancelha erguida e um meio sorriso no rosto — o olhar dele oscilando entre as duas, carregado de uma mistura de divertimento e algo mais profundo... mais sombrio.
Mas antes que qualquer uma respondesse, outra voz se fez presente na sala.
— Eu concordo com Gabriel. E digo mais… se vão se distrair assim, pelo menos nos incluam.
Rafael.
O tom casual dele escondia o ciúme evidente em sua expressão. Os olhos dele estavam fixos em Elaine — uma intensidade que a fez sentir o peso daquela tensão crescendo no ar.
Arthur, que havia ficado mais afastado até então, observava a cena com um meio sorriso irônico nos lábios. Ele não disse nada, mas o brilho divertido em seu olhar deixava claro que ele estava gostando daquilo.
A tensão no ambiente era palpável.
O desejo, os ciúmes, as provocações... tudo se misturava perigosamente.
E, por um momento, Elaine se perguntou como diabos eles ainda não tinham explodido uns contra os outros — seja em conflito, ou em algo muito mais intenso.
afael observava a cena diante dele, tentando manter a compostura. Mas por dentro, o sangue fervia.
Ele não era i****a. Sabia que existia uma conexão intensa entre Helena e Elaine — dava para ver nos olhares, nos toques quase imperceptíveis, no jeito que a ruiva parecia completamente absorvida pela presença da morena.
Mas o que o incomodava não era apenas isso.
Era o jeito que Gabriel também olhava para as duas.
Era o fato de Arthur estar ali, com aquele maldito sorriso nos lábios, se divertindo com a situação. Ele também via. Ele também sabia.
E o pior de tudo?
Rafael se sentia de fora.
Isso o irritava mais do que qualquer coisa. Ele nunca foi um homem de sentimentos frágeis, nunca teve problemas com controle... mas Elaine mexia com ele de um jeito que ninguém jamais tinha feito antes.
Ele não queria admitir que sentia ciúmes. Mas sentia.
Não só porque Arthur claramente ainda tinha sentimentos por ela — isso já era r**m o bastante — mas porque até Gabriel e Helena pareciam fazer parte de algo que ele não conseguia acessar completamente.
Ele cruzou os braços, sem conseguir evitar que o olhar se fixasse na ruiva. Tão linda, tão intensa... e ao mesmo tempo tão fora de seu alcance.
Ela pertencia a eles?
Ou pertencia a ninguém?
A simples ideia de perder espaço para Arthur, de vê-la sendo reivindicada por outro, o fez cerrar os punhos. Droga. Ele não tinha vindo até aqui para ser um espectador.
Então, quando abriu a boca para falar, fez questão de carregar cada palavra com uma dose extra de provocação.
— Eu concordo com Gabriel. E digo mais… se vão se distrair assim, pelo menos nos incluam.
Se era para incendiar aquele jogo perigoso, ele também jogaria.
O silêncio que se seguiu à provocação de Rafael foi denso. Todos o olharam, cada um reagindo de um jeito diferente—Helena com um sorriso malicioso, Gabriel com um arquejo discreto de sobrancelha, Arthur com diversão contida nos olhos... e Elaine?
Ela simplesmente respirou fundo e estreitou os olhos.
— Vamos voltar ao que importa — disse, cruzando os braços, recuperando o controle da situação.