Lembranças

1520 Words
“A mansão de Victor era um labirinto de luxo e escuridão, construída sobre mentiras e sangue. Helena já conhecia aquele lugar bem demais. Os corredores longos, o cheiro amadeirado da mobília cara, a sensação constante de que sempre havia olhos observando. Mas naquela noite, ela não estava ali para jogos de sedução ou promessas vazias. Ela estava ali para descobrir a verdade. Leonardo dormia no quarto ao lado, despreocupado, envolto no silêncio indulgente dos homens que acreditam estar no controle. Helena não era tola o suficiente para compartilhar daquela ilusão. Movendo-se silenciosamente pelo corredor, desceu as escadas em direção ao escritório de Victor. A porta estava trancada, mas não era a primeira vez que ela lidava com fechaduras. Um clique. A maçaneta girou. Ela deslizou para dentro e fechou a porta atrás de si. O ambiente era amplo, elegante e frio. Prateleiras repletas de livros intocados, um bar abastecido com os melhores uísques, e, no centro, a mesa de Victor. O laptop dele estava ali, fechado, chamando-a como uma tentação proibida. Helena sabia que tinha pouco tempo. Sentando-se rapidamente, abriu o computador e puxou um pequeno pen drive do bolso. Seu software de invasão funcionava em segundos, quebrando a senha com uma facilidade assustadora. A tela inicial se acendeu. Helena começou a navegar pelos arquivos. Primeiro, documentos financeiros. Depois, transações ocultas. Mas o que realmente chamou sua atenção foi uma pasta nomeada “Requisição de Atenção”. Ela clicou. Uma lista de nomes apareceu. Helena reconheceu alguns deles—pessoas que Victor já tinha destruído. Pessoas que desapareceram. Então, um nome que ela nunca tinha visto antes saltou aos seus olhos. Elaine Vasquez. O sangue dela gelou. Helena abriu o arquivo e encontrou fotos. Elaine em um café, Elaine saindo de um apartamento, Elaine andando pela rua. Todas tiradas de longe. Victor já estava monitorando essa mulher. Helena rapidamente leu as informações anexadas. Elaine havia matado um homem. Leonardo Vasquez. O coração de Helena acelerou. Ela releu o sobrenome. Vasquez. O nome a atingiu como um choque. Leonardo tinha um irmão. E ela nunca soube. Seus dedos apertaram o mouse. Victor queria Elaine morta. Ela sabia o que acontecia com pessoas que entravam naquela lista. Victor brincava com elas, as deixava correr, se desesperar, até que o abate fosse inevitável. Helena sentiu uma fúria fria crescer dentro dela. Ela fechou os arquivos, removeu o pen drive e apagou seus rastros. Em seguida, fechou o laptop e se levantou. Seu corpo estava rígido, sua mente girava. Ela deveria esquecer isso. Fingir que nunca viu. Mas sabia que não conseguiria. Ela precisava encontrar Elaine. E, quando isso acontecesse, nada mais seria o mesmo” Elaine e Gabriel esperaram. Eles sabiam que ela falaria quando estivesse pronta. Então, com um suspiro curto, Helena começou: — Tudo começou há cinco anos. Eu era outra pessoa naquela época… ou pelo menos gostava de acreditar que era. Ela tomou um gole do uísque antes de continuar. — Conheci um homem chamado Leonardo. Ele tinha o sorriso certo, as palavras certas… e os motivos errados. Eu me envolvi com ele, achando que era só mais um jogo de sedução, algo passageiro. Mas Leonardo não era só um homem comum. Ele estava envolvido com Victor, e mais do que isso… Ele trabalhava para ele. Elaine estreitou os olhos. — O que exatamente ele fazia? Helena olhou para ela. — Golpes. Enganar, seduzir, roubar. Ele se aproximava de mulheres com acesso a dinheiro, poder, influência… e então as destruía a mando de Victor. Gabriel soltou um riso baixo. — Clássico. Helena ignorou e continuou: — Eu fui uma dessas mulheres. Pelo menos, ele achou que eu era. O problema é que ele não sabia com quem estava brincando. Elaine se inclinou para frente, curiosa. — O que aconteceu? Helena deixou escapar um sorriso amargo. — Ele tentou me roubar. Tentou me deixar para trás como tantas outras. Só que, no final… fui eu quem o matou. O silêncio entre os três ficou pesado. — Você o matou? — repetiu Elaine, a voz mais baixa. — Ele me subestimou — disse Helena, simplesmente. — E pagou o preço por isso. Ela apoiou os cotovelos na mesa e continuou: — Mas o que eu não sabia na época… era que Leonardo tinha um irmão. Elaine sentiu um arrepio. — O homem que me enganou. Helena assentiu. — E quando eu descobri sobre você, sobre como você também caiu na armadilha da família dele… Eu sabia que Victor usaria isso contra você. Ele quer vingança. Elaine desviou o olhar. Gabriel, que até então apenas observava, bateu de leve os dedos no copo. — Então, deixa eu ver se entendi — disse ele. — Você se envolveu com um vigarista e o matou. A Elaine caiu na mesma rede e também precisou matar o irmão dele. Agora Victor quer as duas. — Basicamente — disse Helena, sem rodeios. Gabriel sorriu de lado. — Isso explica muita coisa. Elaine, por outro lado, ainda processava tudo. — Você me encontrou por causa disso. Você queria me usar. Helena a olhou nos olhos. — No começo, sim. Mas depois… as coisas mudaram. O peito de Elaine apertou. — Mudaram como? Helena não respondeu de imediato. Apenas sustentou seu olhar por um longo momento. Então, inclinando-se ligeiramente, ela murmurou: — Você sabe como. O coração de Elaine bateu forte. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Gabriel bateu as mãos na mesa. — Ótimo. Agora que todo mundo já expôs os esqueletos do armário… O que vamos fazer sobre Victor? O nome dele trouxe a realidade de volta. Helena se recostou na cadeira, cruzando os braços. — Nós o enfrentamos. Elaine respirou fundo, tentando acalmar a tempestade dentro dela. Ela sabia que não havia outra saída. E agora, mais do que nunca, ela queria terminar isso. De uma vez por todas. Com essas revelações, eles foram deitar. Elaine e Gabriel esperaram. Eles sabiam que ela falaria quando estivesse pronta. Então, com um suspiro curto, Helena começou: — Tudo começou há cinco anos. Eu era outra pessoa naquela época… ou pelo menos gostava de acreditar que era. Ela tomou um gole do uísque antes de continuar. — Conheci um homem chamado Leonardo. Ele tinha o sorriso certo, as palavras certas… e os motivos errados. Eu me envolvi com ele, achando que era só mais um jogo de sedução, algo passageiro. Mas Leonardo não era só um homem comum. Ele estava envolvido com Victor, e mais do que isso… Ele trabalhava para ele. Elaine estreitou os olhos. — O que exatamente ele fazia? Helena olhou para ela. — Golpes. Enganar, seduzir, roubar. Ele se aproximava de mulheres com acesso a dinheiro, poder, influência… e então as destruía a mando de Victor. Gabriel soltou um riso baixo. — Clássico. Helena ignorou e continuou: — Eu fui uma dessas mulheres. Pelo menos, ele achou que eu era. O problema é que ele não sabia com quem estava brincando. Elaine se inclinou para frente, curiosa. — O que aconteceu? Helena deixou escapar um sorriso amargo. — Ele tentou me roubar. Tentou me deixar para trás como tantas outras. Só que, no final… fui eu quem o matou. O silêncio entre os três ficou pesado. — Você o matou? — repetiu Elaine, a voz mais baixa. — Ele me subestimou — disse Helena, simplesmente. — E pagou o preço por isso. Ela apoiou os cotovelos na mesa e continuou: — Mas o que eu não sabia na época… era que Leonardo tinha um irmão. Elaine sentiu um arrepio. — O homem que me enganou. Helena assentiu. — E quando eu descobri sobre você, sobre como você também caiu na armadilha da família dele… Eu sabia que Victor usaria isso contra você. Ele quer vingança. Elaine desviou o olhar. Gabriel, que até então apenas observava, bateu de leve os dedos no copo. — Então, deixa eu ver se entendi — disse ele. — Você se envolveu com um vigarista e o matou. A Elaine caiu na mesma rede e também precisou matar o irmão dele. Agora Victor quer as duas. — Basicamente — disse Helena, sem rodeios. Gabriel sorriu de lado. — Isso explica muita coisa. Elaine, por outro lado, ainda processava tudo. — Você me encontrou por causa disso. Você queria me usar. Helena a olhou nos olhos. — No começo, sim. Mas depois… as coisas mudaram. O peito de Elaine apertou. — Mudaram como? Helena não respondeu de imediato. Apenas sustentou seu olhar por um longo momento. Então, inclinando-se ligeiramente, ela murmurou: — Você sabe como. O coração de Elaine bateu forte. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Gabriel bateu as mãos na mesa. — Ótimo. Agora que todo mundo já expôs os esqueletos do armário… O que vamos fazer sobre Victor? O nome dele trouxe a realidade de volta. Helena se recostou na cadeira, cruzando os braços. — Nós o enfrentamos. Elaine respirou fundo, tentando acalmar a tempestade dentro dela. Ela sabia que não havia outra saída. E agora, mais do que nunca, ela queria terminar isso. De uma vez por todas. Com essas revelações, eles foram deitar.
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