Continuação2

629 Words
Um silêncio pesado pairou no ar. O clima na suíte, antes envolto em um jogo de sedução, agora tinha um peso diferente. A tensão era palpável. Anos antes de conhecer Gabriel e Helena, Elaine se envolvera com um homem misterioso, um empresário ligado a negócios obscuros. Ele a seduziu com promessas de aventura e companherismo , mas por trás do charme havia um perigo que ela só percebeu tarde demais. Numa noite em que tentava romper com ele, um confronto aconteceu – e ele terminou morto. Oficialmente, foi registrado como um acidente, mas Elaine sabia a verdade. Seu nome nunca fora ligado ao crime, mas o peso daquele momento a acompanhava desde então, moldando quem ela era. Quando conheceu Gabriel, sentiu um arrepio familiar. Ele tinha o mesmo olhar calculista e magnético, o mesmo ar de mistério. Mas ao contrário do passado, agora ela estava no controle. Ou pelo menos, era o que pensava. Gabriel parecia enxergá-la por inteiro, como se soubesse de algo que ela jamais revelou. E Helena, com sua intensidade emocional e entrega absoluta, despertava nela sentimentos que Elaine tentava enterrar. Estar com eles era uma experiência avassaladora, e pela primeira vez, ela temia perder o controle que tanto prezava. — Você me seguiu… me usou — sussurrou Elaine, a voz carregada de incredulidade e raiva. Helena não desviou o olhar. — Eu te procurei, sim. Mas não te usei. Elaine riu, mas não havia humor ali, apenas amargura. — E espera que eu acredite nisso? Você sabia quem eu era! Sabia o que aconteceu! E ainda assim… Ela se calou. Porque a resposta estava ali, crua e inegável. Ainda assim, Helena ficou. Gabriel observava tudo como se estivesse assistindo a um espetáculo particularmente interessante. Com um meio sorriso, tomou mais um gole de uísque. — E eu achando que essa noite ia ser monótona — murmurou ele. Elaine se virou para ele, os olhos brilhando de fúria. — Você sabia disso também, não sabia? Gabriel não confirmou, mas também não negou. Apenas girou o copo na mão, deixando o gelo tilintar contra o vidro. Helena suspirou. — Eu sabia quem você era, Elaine. Mas o que eu não sabia… era que eu acabaria te protegendo. Elaine a encarou, o coração ainda disparado. — Me protegendo de quem? De você mesma? Helena fechou os olhos por um breve instante, como se tentasse encontrar paciência. — De Victor — respondeu, firme. — E de tudo o que ele quer fazer com você. As palavras pairaram entre elas, carregadas de significado. Gabriel riu baixinho. — Acho que agora é a parte em que vocês decidem se vão se matar ou se beijar. Helena estreitou os olhos para ele. — Cale a boca, Gabriel. Ele ergueu as mãos em um gesto inocente. Elaine passou as mãos pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos. — Eu deveria ir embora — murmurou, mais para si mesma. — Você pode ir. Mas Victor vai te encontrar. Ele já está mais perto do que imagina — disse Helena, séria. O medo se infiltrou no peito de Elaine. Ela sabia que Helena estava dizendo a verdade. E, apesar da raiva, da traição, do caos que agora dominava sua mente, havia uma certeza que não conseguia negar. Ela precisava de Helena e Gabriel para sobreviver. Engolindo em seco, ela olhou para ambos. — Então me digam o que vamos fazer. Gabriel sorriu de lado. — Agora sim, as coisas ficaram interessantes. — Como você soube sobre mim? — Perguntou Elaine para Helena em uma tentativa de entender como aquela mulher misteriosa descobriu o seu passado. Helena segurou o copo de uísque na mão, girando o líquido âmbar sem pressa. Seus olhos, sempre tão afiados e calculistas, estavam sombrios, como se revirassem memórias enterradas há muito tempo.
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