Não Me Importo Com Ele

3046 Words
- Dylan. É ela. Katherine. Afasto-me de Dylan, pulo da mesa para o chão e numa fração de segundos estou recolhendo as minhas roupas espalhadas pela sala, me encolho embaixo da ampla mesa de Dylan. Ele está branco como papel, a suas mãos desajeitadas sobem a cueca na sequência fecham os últimos botões da calça jeans. - Sou eu, preciso falar com você. Dylan caminha até a porta dando uma última olhada na camiseta extremamente amassada. Não acredito que estou me colocando numa situação como essa novamente, estou desapontada comigo mesma. Pelada, só de sutiã, com as roupas na mão, enfiada de baixo da mesa do meu professor. É muito errado. Poderia ser o diretor ao invés de Katherine, o que é infinitamente pior. Mas, todo esse raciocínio lógico morre, quando ele aparece no meu campo de visão, algo em mim grita clamando por mais, mais, mais... Dylan virou a minha droga particular, no qual sou uma dependente. - Oi. — a voz de Katherine interrompe a minha reflexão. — Por que a demora? Vejo os pés de Dylan se aproximarem dela. - Desculpe, estava com o fone de ouvido, não ouvi você bater. — a voz dele está muito contida, como se tivesse acabado de ser pego no flagra. Espero que ela não note. - Nossa, como você ta acabado cara. — exclama chegando mais perto dele. Alguns segundos se passam até que ela fala de novo: — Pronto, bem melhor. - Aconteceu alguma coisa? — Dylan fala na intenção de se livrar dela logo. - Eu quero pedir desculpa. — a voz melosa dela causa reviravoltas no meu estômago. Oh ranço! — Só estava preocupada com a sua carreira, se alguém descobre que você e aquela mulher tiveram algo... Só Deus sabe o que pode acontecer com tudo o que você construiu. - Já disse que foi só aquela noite, e eu nem sabia que era uma aluna. Caso descubram o que você acha que eles vão fazer? - Só não se encontre mais com a garota. — pede se aproximando mais. Fecho os olhos me odiando por estar ali ainda mais. Sou só uma aluna. Fácil de descartar. - Ela é só uma aluna como outra qualquer, quantas vezes vou precisar repetir isso. — Dylan fala cansado de discutir. Ele está se explicando demais para quem é só uma simples amiga. A meu ver, estou no meio de uma amizade colorida no mínimo. O que me deixa na beira do estresse. - Eu sei, só é um conselho. Ela não vai embora nunca? - Obrigado pela preocupação. — agradece Dylan a acompanhando até a porta. — Depois nos falamos, eu tenho muita coisa para resolver agora. - Sim, que tal um café mais tarde? Você tem que relaxar, só trabalho, trabalho não faz bem... Melhor ainda, vamos à boate de novo, o que acha? — sugere animada. A possibilidade faz o meu coração acelerar no peito. Que humilhação. A um silêncio que antecede a resposta, o que me faz pensar. Por que Dylan negaria? Sou só uma aluna. Descartável. Prova disso é que estou escondida feito um animal embaixo da sua mesa. Travo a mandíbula me negando a deixar que qualquer lágrima escorra, não vou me permitir chorar por ele, já é humilhante demais estar nessas condições. - Sim, claro. Eu te busco mais tarde. - Legal, até Dylan. Em seguida ouço o barulho da porta se fechando. Solto o ar preso nos meus pulmões, e deixo o sentimento de alivio me dominar por alguns segundos. Estou envergonha e com raiva. Katherine é o tipo de pessoa que tira proveito das circunstâncias para seu próprio benefício, se houve alguém no seu caminho, ela se certificará de que o pobre coitado sai por bem ou por m*l. Katherine não apareceu aqui por acaso, estava marcando território com um cachorro. "Só faltou mijar na perna dele." O meu cérebro zomba. - Sophia... Viro para atrás vendo a mão de Dylan estendida, não aceito, levantando-me com dificuldade. Ele recua para olhar o meu rosto, afins de chegar o meu estado emocional. Visto as minhas roupas depressa, pego o meu sapato me agachando ao calçar-los. - Eu disse algo que... - Não, você não disse nada. — eu interrompo-o me recusando a encará-lo. - Então, porque nem consegue olhar para mim. — fala se aproximando com cautela. Deus. Tudo o que eu quero é ir embora, e não ter que lidar com essa atração louca que existe entre nos dois. É muito difícil evitar. Os meus impulsos são mais fortes do que o meu racional, tenho que tentar resistir. Mas, Dylan não facilita. - Você tem razão. — comento terminado de amarrar o meu último tênis. — Você é o meu professor, somente isso. De relance vejo os seus pés chegarem mais perto. - Eu só estava tentando fazer ela ir embora. Com as mãos suadas apanho a minha bolsa determinada a acabar com essa conversa, mas seus dedos são mais rápidos. Sou puxada com força batendo contra o seu peitoral. Definitivamente, ele não me ajuda em nada. Engulo seco, e finalmente tomo coragem olhando nos seus olhos, o que encontro desnorteia-me. Dylan está preocupado e com medo. Medo do que exatamente? Não sei dizer. A incerteza dos seus sentimentos, abala o meu emocional já fragilizado. - Não foi o que pareceu. — as palavras saíram sem qualquer controle. Ele franze o cenho mordendo os lábios. - Está com ciúmes? — a pergunta dele deixou-me inquieta. - Ciúmes do que? Só te conheço há alguns dias, e não temos nada. — a verdade dita em voz alta incomodou-me, mas não deixo transparecer. - Então me diz, o por que dessa hostilidade? - Hostilidade? - Sim. - A sua amiguinha se referiu a mim como se eu fosse um pedaço de carne, fácil de descartar. E você simplesmente deixou. — explodi em cima dele. Não sei se foi o certo, mas não consegui conter-me quando a palavra "hostilidade" saiu dos seus lábios. Não fui hostil, só estava querendo sair daqui, nenhum momento disse algo que não fosse a verdade. O que ele espera de mim? Dylan levanta a mão repousando sobre a minha bochecha, o seu polegar queima deslizando na minha pele. - Sinto muito se você se sentiu assim, não foi minha intenção. - O que estamos fazendo? — pergunto sentindo-me perdida dentro dos meus próprios sentimentos. - Não sei. Os seus olhos descem para os meus lábios, mas por alguns segundos de lucidez percebo que vamos acabar do meu jeito de minutos atrás, eu encolhida como um cãozinho e ele tendo que despistar outra pessoa. Luto contra os meus músculos me soltando dele, uso a mão para afastar o seu peitoral, na hora algo dentro do mim doí e não sei descrever o que é isso exatamente, só sei que doí. Dylan pesa o olhar sobre mim, dificultando ainda mais. - Até amanhã, Dylan. — falo colocando a mão sobre a maçaneta, antes de abrir viro-me para ele e digo: — Espero que a sua noite na boate seja divertida. Não dou oportunidade para que ele diga nada, apenas saiu fechando a porta atrás de mim. Duas Semanas Depois... Droga, estou atrasada. Desço as escadas jogando a bolsa sobre os meus ombros, hoje é dia de prova, passei a noite inteira ontem estudando e revisão tudo, fui dormir as quatro da manhã. A minha aparência é horrível, os meus olhos estão com olheiras enormes, parece que levei um soco no olho. Passo pela sala quase tropeçando sobre os meus próprios pés, pela ausência de uma noite de sono adequada, de vez enquanto sinto uma leve tontura, no caminho até a porta, ouço o meu pai resmungar ao telefone. - Bob, sabe que não posso pedir isso. — a voz desesperada, faz o meu coração saltar do peito. Os negócios não vão bem. Raramente o vejo em casa, essas ultimas semanas foram turbulentas, reuniões e mais reuniões, vários compromissos indispensáveis e relativamente urgentes. Nos dias que o meu pai vem para casa, ele fica preso no escritório sempre no telefone ou muito concentrado no computador. É a primeira vez que o vejo discutindo no meio da sala. - Eu não vou fazer isso. — fala decidido. — Vou encontrar outro jeito. Meu pai desliga e joga o celular no sofá, ele esfrega as mãos no rosto esgotado. Nunca o vi nesse estado, o que me deixa arrasada. Respiro fundo e sigo porta afora, sei que ele gosta de ficar sozinho nessas ocasiões de estresse, principalmente quando o assunto em questão envolve a empresa. Apesar de querer saber o que está havendo, vou respeitar o tempo dele. A prova estava muito fácil, por várias vezes me peguei quase cochilando por cima das folhas, prevendo o meu cansaço, sentei bem afastada da turma, para poder dormir um pouco depois da prova. Pelos corredores da universidade encontro Nancy, que ao me ver abre um sorriso convidativo. - Oi, Sophia! — me cumprimenta feliz. — Você viu o Derek? Balanço a cabeça negando, o sorriso dela vai diminuindo aos poucos, ela disfarça jogando o cabelo sobre o ombro tentando se recompor. - Não vi ele o dia inteiro, provavelmente deve estar em prova. — tento tranquilizá-la. Nancy sempre está com Derek, quando os dois não estão juntos, ela fica caçando ele por todos os lugares chega a ser engraçado, parecem irmãos siameses. Isso só ficou cada vez mais evidente depois da boate. - Sim, pode ser. É que eu queria contar uma novidade, queria que Derek estivesse aqui. — fala mordendo os lábios de nervoso. Ela olha para trás de mim e logo sorri. "Lá está a Nancy de sempre quando Derek esta por perto." — Derek, onde você estava? Viro-me para encarar o meu melhor amigo, o seu jeans folgado combinada perfeitamente com a camiseta polo marinho, e é claro que não poderia faltar o cabelo bem alinhado e arrumado. De relance Nancy fica vermelha como um pimentão, ao vê-lo abrir um sorriso de canto ao encontrar os seus olhos. "Acho que eu to sobrando aqui." - Eu estava terminando uma prova, estava difícil. — conta ainda encarando ela. - Eu disse. — falo erguendo as mãos. Nancy concorda com a cabeça, ficando mais aliviada. Onde ela acha que ele estava? Os dias se passaram e o meu entendimento de que os dois devem tentar ter algo a mais, se solidifica. Já procurei conversar com cada um isoladamente, mas foi uma missão perdida, eles estão convictos que seria um erro... Mas, pra mim a amizade deles nunca mais foi a mesma desde a noite da boate. - Você acha que foi bem? — pergunto a Derek chamando a sua atenção. Ele se lembra que estou ali e sorri sem graça. - Sim, e você? — pergunta já recomposto. - Pra mim estava moleza, acho que fui bem. — comento sem interesse, só querendo quebrar o gelo. Olho horário e percebo que estou atrasada para a próxima aula. — A gente se vê mais tarde, tenho que ir estou atrasada. Nancy segura o meu braço me impedindo de prosseguir, encaro ela sentindo a ansiedade estampada no seu rosto. Derek estreita os olhos também sem entender. - Antes eu preciso contar uma coisa. — fala ansiosa. Ela solta o meu braço ao ver que parei para escutá-la, Derek se junta do meu lado curioso. Pela cara dela, é algo que ela estava guardando a sete chaves para contar, mas por que agora? Nancy poderia muito bem fazer isso no final das aulas, o que a de tão urgente que não pode ser esperar até o final do dia? Ela toma folgo pronta para falar. - Conheci uma pessoa. Automaticamente os meus olhos vão para Derek, que suspira engolindo todo o orgulho e logo solta: - Fico feliz por você. — ele fala forçando um sorriso amarelo. Nancy sorri sem notar o falso comentário do amigo. A vontade que eu tenho é de abraçá-lo, sei que está arrasado com a notícia, não precisa de muito esforço para perceber, só quem não viu foi ela. - Quando você nos apresentar? — pergunto fingindo interesse. De repente ela fica ansiosa de novo, me deixando confusa. Essa conversa dela não está levando a lugar nenhum, e ainda continuo achando que essa informação poderia ter sido dada após as aulas finalizadas. - Que cara é essa gente? Vocês não querem conhecer o meu namorado? Fiz questão de trazer ele aqui. — resmunga cruzando os braços. Derek revira os olhos antes de falar: - Estou atrasado também, só vamos logo conhecer o felizardo e ir. — fala tentando miseravelmente disfarçar o quão irritado está com a situação. - Vamos seus estraga prazeres. Ela anda na frente em passos largos, eu e Derek nos encaramos antes de prosseguirmos. Os corredores vão se esvaziando conforme avançamos, até chegar no refeitório. Paro no meu lugar ao ver dois homens escorados na parede, conversando casualmente. Um deles faz o meu coração saltar no peito. - Esse é o Peter Dempsey, o meu namorado. A voz de Nancy atrai a atenção deles, fazendo-os virar a cabeça na nossa direção. - Oi, amor. — fala o tal Peter. Ele a puxa para si dando um breve beijo na bochecha dela, o seu braço repousa sobre a sua cintura a abraçando com doçura. Sinto o olhar de Dylan em mim ficar mais pesado, mordo os lábios com o desespero apertando o meu coração. Faz duas semanas que eu tomei a decisão de me afastar, desde então, só lhe direciono a palavra quando é estritamente necessário em sala de aula. Derek segura a minha mão tentando me dar apoio, fazendo o meu coração se encher de gratidão. Afinal, quem é Peter? Irmão? Primo? Ou o que? O sobrenome é igual. Nancy está tão perdida olhando para o namorado, que por uns segundos acho que esqueceu estamos aqui. Não há como negar a semelhança, os dois são muito parecidos, tirando o fato de que Peter é um pouco mais baixo e o cabelo é discretamente puxado para o loiro escuro. - Nem preciso apresentar, já que o meu irmão falou que são alunos dele. — comenta Peter todo simpático finalmente nos dando atenção. Sorriu para ele estendendo a mão. - Prazer, Emilly. - Derek. — o meu amigo também estende a mão. O aperto de Peter é firme e gentil. Derek volta a apertar a minha mão. Dylan olha para as nossas mãos trancando a mandíbula, o ignoro e volto a dar atenção ao casal. - Então, Peter como se conheceram? — pergunto realmente interessada em saber. A tantos homens, porque juntamente o irmão dele. - Eu estava com o meu irmão e a "amiga" dele. — Peter faz aspas lançando um olhar malicioso para Dylan. Aperto a mão de Derek que apesar da força exercida ali, em nenhum momento se afasta. — ... Numa boate, isso faz mais ou menos duas semanas, e eu vi essa deusa na pista e o resto vocês já imaginam. Ah merda. Deve ter sido naquele dia que a Katherine chamou ele para a boate, as imagens do nosso último beijo na sua sala causam-me espasmos no corpo. - Quais são as chances, não é? — comento com ironia. — Logo o irmão do nosso professor, Nancy. Ela entende o duplo sentido das minhas palavras, ficando envergonhada. - Não sendo o professor, que problema tem, Srta. Mitchell? — rebate Dylan ainda encarando eu e o meu amigo de mãos dadas. - Nenhum, só achei uma conveniente coincidência, Sr. Dempsey. — falo fitando os seus olhos com maior cara de p*u que consigo. — E afinal, quem iria querer namorar um professor? - É tem razão. — concorda com a cabeça. — Mas, acredite senhorita, já conheci muitas garotas com esse desejo impróprio. "Muitas garotas"? A minha pele queima de raiva. - Azar o delas se toparem com o senhor. — finalizo a minha frase com um sorriso amarelo nos lábios. Dylan abaixa a cabeça evitando contacto visual. Peter encara-me com curiosidade no olhar. Nancy observa tudo em êxtase, só faltava um balde de pipoca na sua mão. Derek ignora os próprios sentimentos para me dar apoio caso necessite, ficando ligado no rumo da conversa. - Tenho que ir. — falo soltando a mão do meu amigo. - Ei, acho que eu vou te acompanhar, temos aula juntos. — Derek fala voltando a segurar a minha mão. - Ótimo, então vamos. — falo sentindo um alívio correr sobre a minha espinha. — Até qualquer hora, Peter. Peter sorri amigável ainda com um ar curioso nos olhos, algo me diz que ele vai fazer muitas perguntas ao irmão. - Temos que marcar para sairmos juntos, vai ser divertido. — Peter comenta atento. - Claro, por que não? - Nos encontramos depois. — fala Nancy engolindo seco. Concordo com a cabeça, e puxo Derek corredor adentro, assim que saímos do campo de visão deles, corro para a saída sentindo o ar sumir dos meus pulmões, encontro um lugar isolado e acomodo-me no chão. Derek se joga ao meu lado, e fica estático sem dizer uma única palavra. Ele pode até achar que está mentindo para mim, mas o conheço o suficiente para tirar as minhas próprias conclusões. Está apaixonado por Nancy, e o encontro de hoje o despedaçou completamente. Como ela pode ser tão cega? - Estou vendo que as últimas semanas não têm sido fáceis, quer conversar sobre isso? — Derek quebra o silencio. - Não me importo com ele. — solto com raiva. — Depois do que ele disse, me importo ainda menos. f**a-se se ele come muitas alunas ou não, de verdade que se dane. - Sophia, posso ser sincero com você? Balanço a cabeça concordando. Derek pega a minha mão, e com delicadeza olha nos meus olhos, o seu toque é tão suave e cuidadoso, sinto como se tivesse falando com um irmão mais velho. - Você se importa sim. Eu vi o jeito que olhava para ele, mas um conselho eu vou te dar... Tenha muito cuidado, isso pode acabar m*l. — ele fala tomando cuidado com as palavra o tempo inteiro. - Você está certo eu tenho que me afastar, e é isso que vou continuar a fazer.
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