Como Resistir

2073 Words
Bate o sinal anunciando o intervalo, me viro para a entrada procurando algum sinal dos meus amigos. Não demora muito para que eles cheguem discutindo, tô vendo que os dois ainda vão me dar muita dor de cabeça. - O que foi dessa vez? — pergunto levanta a sobrancelha. Nancy se volta na minha direção com o olhar raivoso, já Derek por sua vez, está parcialmente controlado. - Ela tá brava só por que eu estava ajudando uma garota. — Derek responde sem entender. Nancy lhe lança um olhar de desdém. - Não, ela estava simplesmente dando em cima de você. - Mas, o que que tem?! - Ela não presta pra você! Incrível sua habilidade de pegar tranqueiras! — as palavras de Nancy me pegaram de surpresa. - Ei. — chamo a atenção estalando os dedos na frente do rosto deles. — Que briga mais ridícula de vocês, dá pra pararem. Os dois se olham finalmente cedem ao meu apelo. - Vamos sentem. — peço apontando para as cadeiras. Os dois me obedecem sem dizer uma única palavra. - Como foi a aula de vocês? — pergunta tentando distrair eles. No início da certo, Nancy conta que a aula foi interessante, mas com o final entediante. Na vez de Dylan, ele descreve tomando cuidado para não mencionar a tal garota, evitando assim mais um discussão desnecessária com Nancy. - Sophia... Aquele é o bonitão da festa?! — Nancy pergunta olhando fixamente por trás de mim. — E o que ele está fazendo com aquela garota?! A palavra "garota" fez meu corpo reagir. Giro o corpo tendo a visão mais clara. Dylan sorri para a garota. Dá um abraço nela. E aponta para a saída do local, indicando que os dois estão de saída. É a mesma da festa, a tal amiga Katherine. Algo dentro de mim quer ir lá, pegá-la pelos cabelos e arremessa-la para fora do prédio. Uma raiva descontrolada arde meu coração. Faço uma careta de dor e o gosto de sangue invade minha boca, e só assim percebo que mordi muito forte meus lábios, toco em minha boca sentindo o gosto metálico sobre a língua. - De que sala ele é? Vamos investigar de perto. — Nancy se manifesta interessada. — Se eu fosse você iria lá, para impedir que essa garota desse o bote, ela já tentou com o Derek e agora vai tentar com o bonitão. Vai logo, Sophia. Então é por causa de Katharine que os dois estão discutindo, com certeza ela estava tentando achar a sala dos professores e se deparou com Derek no meio do caminho, e consequentemente deu origem a essa discussão. Volto-me para Nancy que está entretida, observando os dois melhores "amigos" conversar. - Ele é professor. — revelo fazendo Nancy olhar para mim espantada. Derek para de mastigar a comida, e levanta a cabeça afim de me encarar, certificando-se de que estou não estou brincando, ao ver que minha expressão não mudou, meu amigo arregala os olhos sem saber o que dizer. - Bom, essa garota deve ser aluna dele. — Nancy reflete retornando a atenção a eles. - Ela é melhor amiga dele, ele mesmo me apresentou ela. — comento ainda observando meus amigos. Nancy e Derek se entre olham tentando ligar os pontos. - Ah podia ser pior, ele podia ser seu professor. — comenta Nancy descontraída. O meu rosto vira um pimentão imediatamente. Derek percebe minha mudança de postura e arregala ainda mais os olhos. - Ele é o meu professor. — revelo abaixando a cabeça com vergonha. As imagens da nossa transa inundam meu cérebro, meu coração acelera como se as mãos dele estivessem no meu corpo, me tocando trazendo calafrios por toda minha espinha. Dylan me marcou com suas mãos habilidosas, e mesmo que eu não puder tê-las sobre minha pele novamente, ainda poderei visitá-lo, revivendo cada memória, cada gemido, cada toque... - Eu não acredito! — Nancy exclama interrompendo meu devaneio.— Você fez sexo com o seu professor, é o sonho molhado de qualquer garota. Faço um sinal de silêncio, olhando para os lados com medo que alguém pudesse ter ouvido, mas felizmente ninguém estava perto o suficiente para escutar essa atrocidade. Não é motivo de orgulho dormir com um professor, na verdade, é mais complicado ainda por que cedi a própria tensão e cometi esse erro aqui na escola, já sabendo que Dylan é o meu professor. Derek toca na minha mão, na intensão de chamar minha atenção. - Você não sabia, e eu tenho certeza que ele vai manter a discrição, até por que se alguém descobrisse seria o fim da carreira dele. — Derek faz carinho com o polegar nos meus dedos, buscando me acalmar. - É relaxa. — Nancy concordo e posso apostar que ela não ouviu nem metade do que Derek disse. - Aconteceu ontem, no primeiro dia de aula... Quatro salas depois da minha... - O que?! — Nancy interrompe minha fala novamente. Ela usa as mãos para tapar a boca completamente chocada com a descoberta, Derek por outro lado não fica surpreso e não esboça reação. - Sophia isso é perigoso, você tem que se afastar dele. — meu sábio amigo me repreende com cautela. Entendo o seu medo, de certa forma eu também tenho, mas o meu ato de procurá-lo ontem foi algo que eu não consegui evitar. Nancy dá ombro para Derek, e se vira para mim com um sorriso malicioso no rosto. - Amiga. — ela fala repousando a mão sobre meu ombro. — Vai na fé, seja feliz, a única coisa que você vai precisar ter é cuidado, se forem fazer algo que seja fora daqui. Arregalo os olhos ao sentir uma presença forte perto de mim. Os meus dois amigos ficam brancos como papel, olhando fixamente como se um fantasma estivesse atrás de mim. - Senhorita Mitchell. É a voz dele ou estou delirando? Cada centímetro do meu corpo vibra, se enchendo de uma falsa expectativa de que ele vá me tocar. Deus, o que está acontecendo comigo? Nunca senti nada tão forte por qualquer homem na minha vida como sinto por ele. Chega a ser irracional. Viro a cabeça na sua direção, me deparando com a sua presença imponente. O cabelo loiro penteado para o lado, e a roupa perfeita alinhada lhe trás um ar sofisticado e sexy. - Você esqueceu isso na sala ontem. — ele ergue a mão ao terminar de falar. — E peço que venha comigo até minha sala, preciso conversar sobre um assunto da aula de ontem. Uma pequena embalagem sobre a palma da mão dele me desperta curiosidade. Não esqueci nada ontem, será que Dylan se enganou? Meus amigos estão imóveis atrás de mim e o professor espera uma resposta minha. Ir na sala dele não é prudente, eu conheço os meus limites, e ficar sozinha com esse homem é desafiar o perigo. - Tudo bem, mas quando? — pergunto apanhando a caixinha. Dylan coloca a mão nos bolsos da calça jeans preta, e um sorrisinho torto nasce no canto da sua boca fazendo meu coração derreter. Ele está de brincadeira comigo só pode. - Agora. Você tem um tempinho agora? — pergunta erguendo a sobrancelha. Respiro fundo tentando acalmar a fera interior. - Claro. — respondo mordendo os lábios. Dylan olha para minha boca, e algo no meu íntimo grita dizendo para não ir. Ele caminha em minha frente, e antes de começar a acompanhar seus passos, dou uma última olhada para as duas estátuas atrás de mim. - Não esquece de usar camisinha. — Nancy sussurra dando uma piscadela. Olho assustada para os lados certificando-me se há alguém por perto, por sorte o refeitório está vazio, e o professor já está longe conversando com Katharine na porta. - Fica quieta, Nancy! — repreende Derek colocando o dedo nos lábios. - Ué, foi um bom conselho. — ela se defende erguendo as mãos no ar. - Depois nós vemos. — me despedi rapidamente com medo de mais alguma pérola sair da sua boca. Katharine e Dylan conversam sobre algo com muita intensidade, ela revira os olhos e sai assim que eu me aproximo. O que eu fiz pra essa garota me odiar? A pergunta brota no meu cérebro acompanhado com a resposta clara como a neve. Ela gosta dele, mas Dylan não parece perceber. Ele bufa olhando ela se afastar, cansado e talvez até exausto do assunto em que tratava. - Se não for um bom momento, marcamos outra hora. — falo chamando a atenção dele. Dylan faz um breve movimento com a cabeça sem olhar na minha direção. - Vamos. Seus passos são rápidos, mas não o suficiente para me deixar para trás. Os corredores estão vazios, o que é um alívio. Quanto menos pessoas nos verem melhor. Dylan para em frente de uma porta e a destranca, parando ao lado aguardando eu entrar primeiro. A sala é pequena e relativamente aconchegante, contendo um mesa grande marrom de centro, com uma grande cadeira preta estofada para o anfitrião, e duas cadeiras madeira simples para os convidados a frente. Já as paredes não se vê as cores da tintura, pois é coberta dos pés a cabeça por várias estantes de livros. - Sente-se. — ele pede apontando para a cadeira. Ele fechou a porta e eu não vi, estou tão absorvida pelo ambiente que notei esse mínimo detalhe. Dylan se mantém em pé, com os olhos abaixado como se estivesse pensando sobre algo muito importante, e de certa forma me incomodou. O humor dele mudou, depois da conversa calorosa com Katharine, e agora estou aqui olhando para ele sem saber o que esse homem quer comigo. - Ok. O que você quer comigo? — pergunto ficando impaciente com o seu silêncio. Dylan continua em silêncio, fechado em sua bolha. Aperto os punhos já cansada dessa situação. - Quando estiver em condições melhor, você me procura para falar o que você quer. — falo me levantando. Caminho para a porta batendo os pés com força no chão, meu corpo inteiro treme de raiva. Não faço ideia se ele está brincando comigo ou não, só que permanece nesse vai e vem não é pra mim. - Sophia. Sinto sua mão pegando meu ombro, automaticamente os meus pés param no lugar, meu corpo esquenta tanto que começo a transpirar. Merda. - O que você quer, dá pra falar logo. — peço sem querer me virar. - Você conversou com alguém sobre nós? — pergunta realmente preocupado. - Só meus amigos sabem, até por que eles te viram dançando comigo na boate. — respondo irritada. Ele acha mesmo que eu sairia espalhando? Só pode ser palhaçada. - Confia neles? - Sim. — respondo revirando os olhos. — Era só isso? Já posso ir? - Não. — ele responde me surpreendendo. Não? - E você confia na sua amiga? Pelo o que eu vi hoje, ela também sabe de nós dois? — pergunto de supetão. Ouço ele suspirar, em seguida o hálito bate no meu pescoço me causando calafrios. - Sim, confio muito nela. — ele responde naturalmente. — Ela sabe que você é só minha aluna. - Pelo o que eu sei, professores não tocam em alunas assim. — falo estressada. — Cadê aquele papinho de você me tratar de maneira "estritamente profissional"? - Por que você está nervosa? - Por que se eu sou "só" sua aluna, por que diabos ainda estou aqui. — falo finalmente tomando coragem de me virar para encara-lo. Seus olhos verdes encontram os meus, e por um breve momento sinto que vou me entregar, me xingo mentalmente várias vezes por notar o quão fraca eu sou perto dele, tão vulnerável e frágil como um pedaço de papel solto na chuva. A respiração de Dylan aumenta, seu peito sobe e desce com muita rapidez. A pupila dilata no instante em que desce para os meus lábios. - Eu não sei, Sophia. — ele responde se aproximando. — Eu só queria te ver. Seus braços agarram minha cintura, seus lábios em segundos estão sobre os meus. E toda a raiva e irritação evaporam no ar. Tudo o que minha mente consegue pensar é: "Como vou conseguir sobreviver a essa pós graduação?" A caixinha cai no chão, e de relance consigo visualizar o pedaço de pano no tapete da sala... É a minha calcinha que perdi na casa dele. Definitivamente, não vou sair inteira daqui.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD