Capítulo 7– Entre Flechas, Beijos e Girassóis Falantes

1177 Words
Ele me puxou para mais perto, encostando minha cabeça em seu peito. Sua voz veio suave: — Então, Lyra... você sabe que eu te acho incrível. E já tem um tempinho que ando interessado em você. Quando te vi pela primeira vez, achei que você seria só mais uma pessoa entrando na minha vida. Mas eu não sabia que acabaria desenvolvendo esse sentimento por você. Lyra, eu te amo. Não quero te deixar confusa, mas eu precisava dizer isso... Levantei a cabeça devagar, e nossos olhares se cruzaram. Eu estava paralisada, sem saber o que dizer ou fazer. Foi então que ele apertou a mão em minha cintura, me aproximando mais. Quando ele se inclinou... — Aí! Aiaiaai! Que dor... — soltei. Ele se afastou, preocupado: — O que aconteceu?? Você está bem? Coloquei a mão no pé e respondi: — Acho que machuquei meu pezinho... tá doendo. Acho melhor me sentar. Na minha cabeça, ele não chegaria mais perto como naquela hora... Mas aí ele me pegou no colo, no meio do baile, e me sentou numa cadeira. — Tá melhor? — Não... tá doendo muito. Acho melhor ir pra casa. Mas vocês podem continuar aqui! Seraphina chegou animada: — Vocês não vão acreditar no que acabou de acontecer— Espera... cê tá bem? Aleck respondeu: — Ela machucou o pé e tá querendo ir embora por isso. Abaixei a cabeça: — É... mas não se preocupem, podem ficar. Aleck me encarou: — Eu vou com você. Seraphina riu: — Então tá... melhoras com seu pé! Ela saiu. Aleck me pegou no colo de novo e abriu a porta. Num piscar de olhos, estávamos de volta à nossa residência. — Pode deixar que eu te levo pra cama — disse ele. Me joguei dos braços dele: — NÃÃÃO, não mesmo! Pode deixar que eu subo! Ele riu: — Você tá bem, garota? Acabou de cair aqui e quer subir sozinha? — Calma, não é pra tanto... Na hora que tentei levantar, vi que meu pé estava realmente machucado. Comecei a mancar, mas ele segurou meu braço: — Calma... ainda não terminamos nossa conversa. Ele segurou minha cintura, se aproximou... e me beijou. Saí correndo escada acima e fui direto para meus aposentos. Me joguei na cama e murmurei: — Você é muito burra, Lyra... por que não falou que também gostava dele? Mas eu estava tão cansada que acabei dormindo. --- No dia seguinte, evitei Aleck um pouco. Logo de manhã, chamei o Marcelo’s para treinar. Ficamos cerca de três horas nisso, e sinceramente... ele era péssimo com espadas. Um feiticeiro e tanto, mas com espadas... nada feito. Pensei: “Bom... talvez seja bom de pontaria?” — Marcelo’s, faz um favor: conjura dois arcos e algumas flechas. Vou fazer os alvos! Fui até a floresta, encontrei algumas frutas caídas no chão e pensei: “Vai dar pro gasto.” Levei as frutas, posicionei nos lugares e — surpresa! — ele era realmente bom nisso. — Vamos fazer um acordo? — falei. — Eu te ajudo com espada, e você me ensina feitiços. Ele riu: — Certeza que dá conta? Disparei uma flecha que acertou uma folha em queda, bem sobre a cabeça dele. — Claro que sim. Pode pagar pra ver. Ele colocou a mão no peito: — Eu vi a morte… nunca mais vou duvidar de você, juro. Depois de mais duas horas de treino, Marcelo’s voltou para casa e eu fui visitar Chimera, fazia um bom tempo... Chegando lá, ele disse animado: — Lyra! Estava te esperando. Por que demorou tanto? — É verdade, né... faz tempo. Tenho tantas coisas pra te contar! — Vou te perdoar dessa vez! Mas sobe aqui, vamos dar uma volta! Subi em suas costas. Era minha segunda vez nas alturas, mas parecia a primeira. Foi maravilhoso. — Agora conta tudo, detalhe por detalhe, ok? Contei sobre o Marcelo’s. Chimera franziu o cenho: — Vocês aceitaram um estranho? E se ele fosse um inimigo? — Calma, Chimera! Se ele fosse nos m***r, já teria feito isso! Contei então sobre a declaração do Aleck. Chimera riu: — Eu sempre soube. O jeito que ele te olhava... Mas, Lyra, não acha que você é nova demais? Você só tem 17 anos. Cuidado, viu? Fiquei um pouco desconfortável: — Err... eu não penso em ter um relacionamento com ele agora. Posso até gostar dele, mas... meu pai era h******l com minha mãe, sabe? — Entendo, Lyra. Mas não se preocupe. Ele não vai te machucar. E se tentar, eu mato ele. E outra coisa: você é uma mulher incrível e independente. Relaxa. O abracei apertado. — Chimera... preciso ir. Pode me deixar no campo de girassóis? — Posso sim, minha menina! Estava quase escurecendo. Ao chegar no campo de girassóis, me sentei no chão e comecei a cantar para eles. Foi quando um dos girassóis me respondeu: — Olá, minha rainha! O que deseja? — O-oi? Rainha? — Sim, você mesma! O que deseja? — Mas... eu não sou da realeza. Sou de uma família camponesa, bem simples... — Ué... será que me confundi? Antes que pudesse pensar mais sobre isso, Seraphina surgiu gritando: — LYRAAAA! Ô TUA c***a! CADÊ VOCÊ, LYRAAAAA!!! Me aproximei calmamente: — Também senti sua falta, vaca velha! Nos abraçamos, mas logo ela me deu um t**a no rosto: — Eu fiquei preocupada, tá doidona? — Isso é porque ficou preocupada? Imagina se não tivesse... Ela me puxou dizendo que todos estavam preocupados. Cinco minutos depois, chegamos à sala — todos estavam lá me esperando. Assim que abri a porta, começaram a perguntar: — Onde você estava? Por que voltou tão tarde? Zazi veio em minha direção com aquele jeitinho fofo. Com medo, recuei: — Calma, calma! Tô aqui, vivinha! Não precisa disso tudo! Mas ela continuou vindo. Comecei a correr pela casa, até que ela parou... fez um som estranho... e me mordeu! Todos riram, e eu, frustrada: — Precisava disso tudo? Subi pro meu quarto, cansada e estressada. No corredor, Aleck veio atrás: — Ly! Lyra! — Oi, Aleck... — Depois quero conversar com você, mas agora... relaxa, vai se banhar. Fiquei morrendo de vergonha: — Tá bem! Saí correndo pro meu quarto, liguei a banheira e fui tomar meu banho. --- Enquanto isso, Seraphina chegou de fininho e disse: — Ruum… você e ela, né? Já contou pra ela? Aleck se assustou: — O quê? Como...? Não. Quer dizer... sim... mais ou menos. Acho que ela entendeu. Mas parece que tá me evitando, sabe? — Uaaau! Quem diria que você deixaria de ser tão vergonhoso assim! Não se preocupe, a Lyra não faria isso. No exato momento em que ela falou meu nome, Flora caiu de um canto escondido. Todos se assustaram. — Flora?! Ela se levantou e saiu correndo. Seraphina, sem entender, perguntou: — O que deu nela? Aleck deu um sorrisinho convencido: — Ah... é que ela tem muito ciúmes de mim. E olha, ter um irmão bonitão como eu não é pra qualquer uma! Seraphina puxou a orelha dele: — CONVENCIDO!
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