Acordei com o barulho de algumas crianças brincando. Me levantei, peguei minhas coisas e fui direto ao rio para me banhar. Ao chegar lá, algumas moças já estavam mergulhadas, rindo.
— Oiii, Lyra! Venha se juntar a gente! — disse uma delas, sorrindo.
Entrei na água e, logo que me aproximei, uma moça veio até mim e me abraçou:
— Prazer em finalmente te conhecer! Sou a Iara.
Com um sorriso simpático, respondi:
— Muito prazer, Iara!
Pulando em cima de mim, ela exclamou:
— Seremos grandes amigas e boas parceiras de luta, eu já sinto isso!
Aquela sensação de conforto e aceitação me tocou de um jeito… Mas o dia estava só começando, e eu tinha muito a fazer. Agradeci, disse que precisava ir, me vesti, fiz uma trança no cabelo e fui guardar minhas coisas.
Ao me aproximar da cabana, encontrei Ubirajara.
— Bom dia! Estava indo te chamar agora.
Com um sorriso leve, respondi:
— Bom dia! Me chamar pra quê exatamente?
— Treino, ué! Ouvi dizer que você é boa na espada, no arco e flecha e na luta...
— Hmm... tá me desafiando?
— Talvez, talvez... Mas tem mais uma pessoa que vai treinar com a gente — disse ele, rindo.
— Por mim, tanto faz. Mas sinto em dizer que você vai perder f**o.
— Ihhh, Lyra, se garante tanto assim? Então vamos fazer um acordo... mas só no final você vai saber qual é.
— Fechou!
Depois de um tempo, chegamos ao local do treino. Ele me entregou uma espada linda e um punhal maravilhoso. O cabo da espada era preto com pequenas estrelinhas, e o punhal tinha uma esmeralda cravada.
Fiquei sem palavras.
— Que foi? Não gostou? — perguntou ele, confuso.
O abracei e respondi:
— Eu amei...
De repente, nossos olhares se cruzaram, e o clima ficou meio estranho. Para quebrar o clima, apontei a espada para ele:
— Está pronto para perder?
— Quem vai perder é você — disse ele, rindo.
Na primeira rodada, o derrubei no chão e coloquei a espada em seu pescoço. Na segunda, escorreguei e caí. Quando ele veio me atacar, usei o pé para derrubá-lo. Ele caiu em cima de mim. Fui para cima dele, posicionei o punhal e sussurrei:
— Quem perdeu?
Ele riu, empurrou o punhal delicadamente para o lado e me olhou com um olhar intenso. Mas, de repente, ouvimos:
— Ubirajara?
Sai de cima dele rapidamente. Ao olhar, vi quem era.
— Iara?
— Lyra? Não sabia que você já conhecia ele...
Sem graça, respondi:
— É... mais ou menos.
Ubirajara me ajudou a levantar e logo disse:
— Você demorou, hein? Vamos treinar?
E por meses foi assim. Criamos laços, memórias, aprendemos juntos. Eles se tornaram parte de mim. E, mesmo sem perceber, desenvolvi sentimentos por Ubirajara. Aprendi técnicas de luta e aprimorei meus poderes.
---
Certo dia, Jandira me chamou para ir até sua cabana. Quando cheguei, ela me olhou com ternura e disse:
— Minha menina... te passei meus conhecimentos. Seus amigos também. Você aprendeu muito... mas agora chegou a hora de você ir. Tenho muito orgulho de você. Saiba que estarei te esperando quando quiser voltar.
Naquele momento, fiquei sem chão. As lágrimas escorreram. Jandira me abraçou forte, entendendo meu silêncio.
Saí da cabana sem saber como me despedir de Iara e Ubirajara. Resolvi ir até a cabana dos dois para me despedir separadamente.
Mas, ao chegar na cabana do Ubirajara, encontrei ele sendo beijado por uma mulher.
Não vou mentir... aquilo me quebrou. Virei as costas e voltei para minha cabana, decidida: deixaria uma carta.
---
Carta deixada para Iara:
"Querida Iara,
Espero que você esteja bem. Me desculpe por não me despedir pessoalmente... mas não consegui. Obrigada por ter estado ao meu lado esses meses. Por me ensinar tanto, por me fazer sorrir. Você e o Ubirajara foram meus grandes amigos. Mas agora eu preciso voltar...
Com carinho,
Lyra."
---
Naquela noite, usei o feitiço de portal que Iara me ensinou:
"Essa porteira é firma, e eu afirmo que vou ir para onde eu bem entender."
Dois minutos depois, me vi em um lugar escuro e úmido.
— Será que deu errado?
Então sussurrei:
"Seja minha pequena luz no meio dessa escuridão."
Criei uma pequena estrela. Eu estava dentro de um armário trancado! Comecei a forçar a porta, até que consegui abrir. Caí no chão com baldes e vassouras, fazendo um barulhão.
Uma moça loira, vestida toda de rosa, apareceu gritando. Logo em seguida, Aleck desceu correndo:
— Lyra...?
Com os olhos arregalados, ele me abraçou forte. A loira, confusa, puxou ele pelo braço:
— Amor, quem é essa?
— Amor? — perguntei, surpresa.
— Sim, queridinha. Ele é meu namorado. Sou a Letícia, e você é...?
Antes que eu respondesse, ouvi outro grito:
— QUE GRITARIA É ESSA, ALECK?
Seraphina.
Ela desceu as escadas, me viu... e correu pra me abraçar, chorando.
— Eu senti sua falta...
— Seh... tá tudo bem agora. Eu tô aqui.
— Temos muito o que conversar — disse, puxando meu braço.
Fomos até a praia. O lugar trouxe um monte de lembranças.
— Me desculpa por ter sumido, Seh...
— Tudo bem. Você teve seus motivos. Todos temos.
— O que você queria me contar mesmo?
Com os olhos brilhando, ela disse:
— Eu e o Marcelo’s estamos namorando.
Abracei ela, radiante:
— Eu sabiaaa! Parabéns, Seh. Fico muito feliz por vocês! Mas... quem é a Barbie ali?
— A Letícia? Longa história... Depois que você sumiu, o Aleck ficou super m*l. Um dia conheceu essa coisa aí e no mesmo dia já pediu ela em namoro. E por pura idiotice, ela aceitou.
— Que doido... Mas que bom que ele achou alguém.
Seraphina abaixou a cabeça:
— Ly... o Chimera morreu. Mas, antes de partir, ele disse pra você não chorar e falou que tem muito orgulho de você.
Me abraçou forte. As lágrimas não seguraram.
— Seraphim e Flora só voltam amanhã. Zazi saiu em busca de um amor. Mas e você?
— Resumidamente? Treinei, fiz amizades... foi isso.
— E nenhum namoradinho?
— Não...
— Hum... duvido.
— Tá bom, tá bom! Tem o Ubirajara. Mas ele não é meu namorado. Só acho que me apaixonei...
— Ele sabe disso? Ou melhor... você sabe se ele sente o mesmo?
— Ah, Seh... ele me trata com muito carinho. Mas acho que não. Ele deve estar até namorando com a Helena. E eu não contei porque... achei que não havia futuro. Agora... tô meio arrependida.
Pra quebrar o clima, joguei uma esfera de água nela. Ela revidou.
— Juntas? — dissemos, rindo.
---
Enquanto isso, Ubirajara tentava se livrar da Helena.
— Por que você me beijou? Já falei que não quero nada com você!
— Mas eu te amo, Ubirajara... Eu não sou o suficiente?
— Não é isso... É verdade que eu gostava de você quando éramos crianças, mas isso mudou. Na verdade... eu gosto da Lyra.
Com raiva, Helena deu um t**a nele e saiu.
Cinco minutos depois, Iara entrou desesperada:
— Lyra foi embora.
Sem pensar, montamos em dois cavalos e partimos. Procuramos por horas. Ubirajara, exausto e sem encontrá-la, caiu no chão da floresta e começou a chorar.
Iara desceu e o abraçou:
— Vamos achar ela... Eu sei que você a amava. Assim como eu. Mas não há muito o que fazer agora...
Voltamos à aldeia e corremos para a cabana de Jandira.
— Jandira... Lyra... ela foi embora?
Ela respondeu com serenidade:
— Chegou a hora dela ir. Calma. Um dia ela vai voltar.
---
Semanas se passaram. Ubirajara acabou namorando com Helena, e Iara descobriu o que realmente gostava...
---
De volta à residência, Marcelo’s nos esperava. Quando me viu, correu para me abraçar:
— Já sabe da novidade?
— Sei sim! Ela me contou. Fico muito feliz por vocês dois. d****o tudo de bom.
— Olha, a Letícia não gostou muito da Lyra — disse ele, rindo.
Seraphina também riu. Eu, sem entender, perguntei:
— Uai, por quê? Ela nem me conhece...
— Está bem óbvio que ele ficou mexido quando te viu — comentou Marcelo’s. — Ela ficou com ciúmes. Normal até.
— É mesmo, Ly. Acho que ele ainda não te esqueceu.
— Ah, que bobagem, gente! Relaxem. Vai ficar tudo tranquilo.
Percebendo que Letícia tentava ouvir a conversa, Seraphina disse:
— Vem comigo, Lyra! Vou te mostrar onde você vai ficar, já que não temos privacidade aqui.
Subimos as escadas. Demos de cara com Aleck.
Seraphina me olhou:
— Vou ali falar com o Marcelo’s. Aleck, mostre o quarto pra ela depois.
— Quanto tempo, Aleck. Tudo bem?
— Lyra... Eu quero te perguntar uma coisa... Você ainda sente algo por...
— Pode parar. Já sei que está com a Barbie. Não preciso me explicar nem me desculpar.
Virei para sair, mas ele segurou minha mão e tentou me beijar. Eu o empurrei:
— Você está louco? Você tem MULHER, Aleck! O que existiu entre a gente, não existe mais! E deixa que eu vou pro quarto sozinha.
Ao chegar, o quarto estava exatamente como antes. Me deitei... e fiquei ali, pensando:
Como será daqui pra frente?