Eu já sequer sinto meus pés enquanto levo mais uma cerveja para um rapaz que decidiu que a nossa banca é o local ideal para ele ficar. A música eletrônica está a todo vapor enquanto a dj de cabelos azuis agita a galera que pula animada no terreno de terra. — Tem certeza que não quer dar uma pausa, gata? — oferece com a língua embolando as palavras. Apenas sorrio e pisco para ele de um jeito sedutor. — Quem sabe mais tarde, gato? Preciso vender mais dez latinhas — finjo tristeza, projetando os lábios em um biquinho. O rapaz, que parece mais pra lá do que pra cá, abre um sorriso lânguido. Seus olhos estão ligeiramente desfocados e ele se esforça pra focar em mim. Como eu sabia que ia acontecer ele abre a carteira e estende o cartão de crédito para mim. — Eu compro — declara. Antes

