Tempo recorde

1242 Words
Capítulo 25 O príncipe Adormecido No palácio da família Al-Nahyan, o Sheik Hassan estava em reunião de família dando o veredito sobre suas negociações com Sheik persa, o acordo fora bem sucedido após uma intensa negociação de boas práticas comerciais. O sheik Malik tio de Rafique que estava alí para informar a sua decisão de apoio ao sobrinho, com casamento Nem precisou aumentar a tensão declarando os seus planos, ele foi logo surpreendido pelo novo decreto do cunhado. Que fez questão da sua presença. — O noivado anterior está encerrado. Não há mais volta. — anunciou Hassan. — Taric será o próximo a se casar. — Taric ainda está na ala médica. — lembrou o Sheik Malik. — A explosão o deixou frágil. Hassan ergueu o queixo. — Ainda assim, o acordo será selado. A mãe dele está de acordo. Não está segunda esposa? — olhou para Lyaza autoritário. A mulher em questão, com trajes bordados em ouro e olhar carregado de ambição, assentiu imediatamente. — Sim, meu marido. Se for para preservar o nome da família… que seja. Annia, a mãe de Rafique, ainda parecia hesitar, mas Hassan cortou qualquer possibilidade. — Já acabou, Annia, essa foi a única maneira. Precisamos fazer agora o casamento do Rafique com Isadora em tempo recorde. Eles estão em todas as manchetes internacionais: Isadora está grávida. Não podemos nos arriscar se descobrirem a forma como foi concebida as crianças, teremos um escândalo muito pior que distrato do casamento anterior. Rafique venceu então é o que podemos fazer agora aceitar sua esposa estrangeira. O silêncio que se seguiu foi sufocante. Malik concordou com o cunhado, e avisou que iria até Rafique para preparar tudo, com ar de preocupação aproximou-se e pousou a mão sobre a da irmã em forma de apoio. No dia seguinte, enquanto Isadora se acomodava em um divã coberto de almofadas, descansava com vasto café da manhã sem pressa. O Sheik Malik chegou com uma das suas esposas de helicóptero. Malik saudou o sobrinho com formalidade, mas seus olhos firmes logo revelaram a tensão que pairava. — Rafique. — disse Malik, a voz grave ecoando sob ambiente. — Seu pai, Hassan, agiu com rapidez. O noivado está oficialmente rompido. Mas para que o equilíbrio das casas seja mantido, a princesa Kaisle, da Pérsia, não será mais sua noiva. O acordo foi transferido. Ela se casará com seu irmão, Taric. A revelação pesou no ar. Afinal Rafique não queria ligação com a família persa. Porém aceitou e apenas estreitou o maxilar, mas manteve o olhar frio como um escudo. — Então o meu casamento com Isadora será aceito? — perguntou, direto. Malik assentiu lentamente. — Aceito, e organizado em prazo recorde. Hassan exigiu que fosse meteórico, antes que a mídia crie novos rumores. Em Dubai, em menos de uma semana, o mundo verá seu matrimônio. Por isso trouxe Davna minha terceira esposa, ela é mais habilidosa com casamento, e fará Isadora entender o seu papel como sua noiva. — Entendo. Enquanto os homens continuavam a conversa sobre os acordos e perdas. A terceira esposa do Sheik Malik foi até o quarto de Isadora que a criada a levou. Davna aproximou-se de Isadora, após uma apresentação rápida ela tocou sua mão com delicadeza. — Venha, Isadora. Você precisa entender os preparativos para seu casamento com o príncipe Rafique que está por vir. Isadora se surpreendeu com a visitante, mas ao ouvir sobre seu casamento com Rafique se encheu de esperança. Por isso foi sem questionar. — Sim, por favor. Isadora caminhava ao lado de Davna, sentindo o frio do mármore polido sob os pés. O palácio tinha tantas alas que ela se perdia facilmente, mas a terceira esposa libanesa de Malik parecia ter prazer em conduzi-la como quem guia uma estrangeira em território sagrado. Pararam diante de uma porta dupla, entalhada com arabescos dourados, e entraram em uma sala de cinema privada do palácio que parecia mais luxuosa que qualquer cinema de luxo no ocidente. As paredes eram cobertas de seda dourada, com desenhos geométricos intrincados, e o aroma de incenso de oud impregnava o ar. Isadora caminhava com passos hesitantes, sentindo-se pequena diante da imensidão do lugar. Davna, a esposa do Sheik Malik, seguia à frente com a postura de quem estava acostumada a reinar em silêncio e imponência. — Entre. — Davna abriu, revelando a sala de cinema particular do palácio. O teto abobadado, as poltronas de veludo azul e a tela gigantesca davam a sensação de estar em um espaço solene, não apenas de lazer. Assim que se acomodaram nas poltronas reclináveis revestidas de veludo azul, a tela gigante iluminou-se com imagens de casamentos reais árabes. A música tradicional ecoava, com tambores profundos e melodias hipnóticas. Davna cruzou as pernas, elegante, e olhou para Isadora como se fosse uma aluna prestes a ouvir sua primeira lição. — Este é o ritual de um casamento digno de uma família real árabe. — Sua voz soou firme, quase professoral. — Observe a noiva: não é apenas uma mulher, é um símbolo. Cada gesto dela tem significado. Isadora se inclinou para frente, atenta. — Símbolo? — Sim. Ela representa a pureza, a honra e a continuidade da linhagem. Veja como não caminhar apressada. É treinada para se mover com a delicadeza de quem carrega gerações sobre os ombros. Isadora como simples brasileira engoliu em seco. Nunca havia pensado em um casamento nesses termos. Para ela, casamento era amor, escolha, cumplicidade. Aqui, parecia um papel político e cultural. Davna prosseguiu, com um leve sorriso irônico: — Você é… brasileira, não é? Ocidental. Vocês se casam por amor, por impulso, às vezes até por rebeldia. Aqui é diferente. O casamento de Rafique não é apenas dele, é da sua família, da nação. As palavras pesaram no peito de Isadora. Ela apertou as mãos sobre o colo. — E… e se eu não conseguir? Davna deu uma risada curta, sem humor. — Então será vergonhoso para você. Afinal muitos já esperavam que Rafique se casassem com uma princesa persa, ela era alguém nascida para isso. Mas… ele não a quis e preferiu você. Isadora sentiu o rosto arder, como se tivesse sido repreendida. Na tela, mostrava-se agora o ritual do contrato matrimonial (Nikah), com o noivo declarando três vezes sua aceitação diante do sheik que presidia a cerimônia. Os convidados respondiam com orações. Davna apontou com um gesto delicado da mão: — Isto é o mais importante: o contrato. Sem ele, nada tem validade. É lido diante de testemunhas. Você deverá estar presente, mas será Rafique quem dará a palavra. É a honra dele que está em jogo. — E eu? — perguntou Isadora, quase num sussurro. — O que eu faço? — Você deve estar impecável, recatada, silenciosa. Sua função é apenas confirmar. O brilho do dia pertence ao príncipe. Isadora engoliu em seco, olhando a noiva na tela que caminhava coberta de ouro e véus bordados. — Eu... não sei se consigo. — murmurou, quase para si mesma. — Não tenho a elegância delas. — disse, referindo a noivas árabes do vídeo. Davna inclinou-se levemente, e um sorriso enviesado surgiu em seus lábios pintados. — Pois é, uma lástima... — disse com frieza. — Um príncipe como Rafique merecia uma noiva criada dentro dessas tradições. Não uma ocidental brasileira, com gestos e costumes tão diferentes. As palavras cortaram Isadora por dentro. Ela desviou os olhos da tela, mordendo os lábios para não responder. Autora: Graciliane Guimarães
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