Promete que vai ser gentil?

2287 Words
Ao me despedir de Vincent no jardim durante a festa de formatura, demorei a assimilar tudo o que tinha acontecido naquela noite: desde o nosso encontro até o abraço. Faltavam apenas duas semanas para se encerrar o semestre letivo. Durante esse tempo, vi Vincent novamente na escola, mas dessa vez, seu amigo não estava mais com ele. Eu não sabia o que tinha acontecido entre os dois, mas eu me sentia melhor sem precisar vê-los juntos demonstrando afeto em público. Naqueles dias, Vincent e eu não trocamos palavras ou emails. Para mim, ainda era surreal o que tinha acontecido, e quando acordei no dia seguinte, não conseguia acreditar que ele tinha me feito aquela proposta. Mas quando vi que a caixa de cigarro no meu bolso estava com uma unidade a menos, tive a certeza de que sim, Vincent tinha me encontrado enquanto eu fumava. Diariamente, fosse ao acordar, durante o trabalho ou ao dormir, eu não parava de pensar e imaginar como seria passar as férias de verão com ele. Eu me sentia completamente feliz e ansioso por esse momento, mas ao mesmo tempo me perguntava se eu tinha tomado a decisão certa. "E se vivermos esse amor depois que o ano letivo acabar?" Quando me sentia aflito e preocupado por causa disso, eu me lembrava que com o fim do nosso vínculo entre professor e aluno, poderíamos nos amar sem medo. Ao confrontar os meus pensamentos, eu me perguntava como Vincent estava se sentindo. Será que só eu contava as horas para nos vermos? Eu não sabia como eu deveria agir, se deveria enviar um email perguntando sobre os nossos planos para as férias. Mas quando estava prestes a escrever uma mensagem para ele, Vincent apareceu em uma das minhas aulas de reforço. "Com licença, posso entrar?" - ele perguntou parado na porta, três dias antes do término oficial do ano letivo. "Claro." - respondi. Naquele momento, alguns alunos que haviam frequentado as minhas aulas ao longo do ano estavam se despedindo de mim. Eles estavam contando sobre o que sonhavam para o futuro e também dizendo que sentiriam minha falta no ano seguinte, já que quase todos iriam se formar naquele ano. "Quase esqueci de devolver o seu livro, desculpe. Obrigado por emprestá-lo." - Vincent me disse entregando o livro 'Crime e Castigo'. Aquela era exatamente a obra que ele disse que terminou de ler por minha causa, quando nos conhecemos. "Obrigado." - respondi me perguntando o porquê dele ter me dado o livro, que eu nunca tinha emprestado para ele. Na verdade, aquele livro era dele, não meu. "Preciso ir. Obrigado por tudo, professor Dimitri." - ele disse, olhando fixamente para o livro em minhas mãos. Senti que ele queria dizer alguma coisa com aquele olhar. Vincent foi embora e eu fiquei curioso para descobrir o que aquele gesto significava. Enquanto os alunos ainda estavam na sala, não mexi no livro. Esperei todos irem embora para folheá-lo. Ao abrir as primeiras páginas, fui surpreendido: havia um marca-página com um número de telefone. Seria dele? Assim que cheguei em casa adicionei o número, e qual foi a minha surpresa ao ver que eu estava certo: a imagem de Vincent tinha aparecido na foto de perfil. Enviei uma mensagem. "Quase acreditei que aquela noite no jardim tinha sido um sonho." - escrevi, pensando em como puxar assunto com ele. Poucos segundos depois que mandei o texto, recebi a sua resposta. "Eu também…na verdade, enquanto estou falando com você, ainda estou acreditando que é um sonho." "Você ainda quer que o que conversamos se torne realidade?" "Sim. Mas só se você quiser tanto quanto eu." Parei de digitar por um momento. Eu precisava decidir se eu continuaria ou não com aquela situação. Se eu quisesse, teria que arcar com todas as consequências disso, mesmo que eu não soubesse quais eram. Pensei em tudo o que vivemos. Lembrei de quando nos conhecemos, das conversas que tivemos, dos emails que trocamos, de quando ele foi até a minha casa, e de quando ele me abraçou pela primeira vez… "Posso te buscar na esquina da cafeteria no primeiro sábado de férias?" "Estarei te esperando." Eu não teria muito tempo para planejar os detalhes das nossas férias, mas desde quando nos encontramos no jardim, comecei a fazer um roteiro de como seria se ele aceitasse passar aquele tempo comigo. Pensei em irmos para uma casa de campo de um amigo meu da faculdade. Conversei com ele sobre alugá-la alguns dias antes, já que ele tinha comentado comigo anteriormente que naquele ano passaria as férias em outro estado com a família. Eu tinha um lugar privado para passar com Vincent, onde poderíamos ter tempo e espaço só para nós. No sábado, eu o levaria com um carro alugado. Fazia tempo que eu não dirigia, mas eu acreditava que conseguiria me lembrar se praticasse um pouco antes de buscá-lo no local combinado. "Mãe…depois de tantas decisões tomadas racionalmente, fiz uma escolha baseada nos meus sentimentos, mas estou um pouco preocupado." "Se mesmo preocupado você está feliz e bem consigo mesmo, não pense tanto. Aproveite cada momento." "Sim, estou feliz…vou fazer isso. Nas próximas três semanas ficarei em uma casa de campo com a pessoa que eu amo." Minha mãe não perguntou os detalhes do meu plano para as férias, mas me apoiou mesmo assim. Ela disse que sentiria minha falta, mas pediu para que eu me desligasse do mundo enquanto estivesse lá. Seria exatamente isso que eu ia fazer: naqueles dias eu pensaria apenas em Vincent, meu mundo seria apenas ele. Naquela manhã, encontrei Vincent parado na calçada. Encostei o carro próximo à esquina e esperei ele sentar-se ao meu lado, no banco do passageiro. Durante o trajeto, não trocamos nenhuma palavra, mas pudemos nos comunicar pelo olhar. Enquanto eu dirigia, olhava para Vincent: ele não parava de sorrir e me encarar. É difícil de explicar, mas sinto que estávamos apenas aproveitando cada minuto juntos. Nos próximos dias teríamos muitas oportunidades para conversar, já que naquela casa haveria apenas nós dois. A estrada era repleta de arbustos. Quanto mais nos distanciávamos da cidade, mais eu me sentia longe daquela realidade no qual ficamos presos durante todo o ano. Não éramos mais professor e aluno, apenas Vincent e Dimitri. "Eu ajudo." - comentei pegando a sua mala enquanto ele segurava a mochila. Quando entramos na casa, me surpreendi. Ela era completamente diferente do que eu tinha imaginado, e muito melhor do que os meus sonhos: era rústica, com paredes claras, utensílios domésticos em madeira e janelas grandes. Havia dois quartos: o primeiro tinha uma cama de solteiro, provavelmente a que o meu amigo dormia quando passava as férias com a família. No segundo quarto, a cama era grande e parecia muito confortável. Vincent sentou-se nela, olhando para mim de uma forma tímida. Era a primeira vez que eu o via com aquela expressão. "Depois de guardarmos as nossas coisas nas gavetas, quer andar um pouco? Meu amigo disse que aqui perto tem um lago, dá até para a gente pescar." "Claro, nunca pesquei. Acho que vai ser divertido." Embora aquela situação fosse surreal, eu me sentia confortável na presença de Vincent. Ele parecia estar respeitando o meu tempo, mostrando uma maturidade e calma que me surpreendeu. Saímos da casa e seguimos na direção de uma estrada de pedra. No final dela havia uma pequena cabana onde encontramos cadeiras e equipamentos de pesca. Vincent pegou as cadeiras e eu peguei tudo o que precisávamos para pescar. Enquanto eu olhava para o lago e pensava sobre o próximo passo que eu daria, senti que Vincent estava me encarando fixamente. Embora eu fosse experiente e acostumado a me envolver fisicamente com pessoas que eu não tinha proximidade, com Vincent eu não sabia o que fazer. Com ele parecia que tudo era novo para mim: quanto mais eu pensava sobre o que eu deveria fazer, menos eu conseguia tomar uma atitude. Mas eu estava decidido, durante o tempo em que estivéssemos juntos, eu seria a melhor pessoa que eu poderia para ele. Eu queria fazê-lo feliz, dar prazer, mas apenas se ele quisesse. Eu queria ser exatamente quem Vincent queria que eu fosse. Vincent estendeu a sua mão, olhando para mim. Sorri e entrelacei meus dedos nos seus. Sua mão era quente, macia, e segurava a minha com firmeza. Poder me aproximar dele sem medo de quem pudesse ver ou de como eu me sentiria estava sendo incrível. Comecei a transbordar de felicidade e desejo por ele. Voltamos para a casa de mãos dadas, conversando e revezando entre olhares apaixonados e sorrisos. Ao chegarmos, nos deitamos na cama, de frente um para o outro. Continuamos a trocar pensamentos e falar sobre vários assuntos como se fôssemos amigos de longa data. Vincent pegou no sono, por isso aproveitei para tomar um banho. Quando saí do banheiro, ele já tinha acordado. "Dormi muito?"- ele perguntou enquanto se espreguiçava. "Não, mas fico feliz que você tenha descansado. Chegamos bem cedo hoje." "Mas não quero gastar o tempo precioso que temos dormindo…" - ele disse se sentando na cama. "Bem, nesse caso…vou fazer a nossa comida. Assim podemos começar a noite com um jantar à luz de velas. "- respondi sorrindo. Ele concordou e levantou-se da cama, indo tomar banho. Vincent tinha oferecido ajuda, mas eu disse que preferia que ele aproveitasse aquele tempo para relaxar e descansar, já que a nossa noite seria longa. Enquanto eu cozinhava, senti um frio na barriga que intensificava-se cada vez mais. Eu tinha reprimido durante tanto tempo aquele sentimento, que parecia que só agora eu estava começando a me libertar de tantos pensamentos ruins. Eu sentia que aquela noite seria especial, e era minha responsabilidade garantir que Vincent se sentisse amado, respeitado e desejado a cada segundo. Mas eu só conseguiria fazer isso e demonstrar tudo o que eu queria se eu deixasse para trás qualquer memória ou pensamento relacionado ao passado. Ao decidir estar com Vincent, eu tinha escolhido me entregar a ele, e nada poderia estragar isso. "Como é bom experimentar a sua comida. Está uma delícia." - ele comentou com um olhar de alegria contagiante. "Tentei caprichar ao máximo. Eu não sabia como você preferia o tempero, então fiquei um pouco preocupado se você ia gostar." "Dimitri…"- Vincent falou parando de comer e olhando para mim sério. "Sim?" "Desde que nos encontramos hoje de manhã…eu sinto que você parece um pouco fechado. Talvez preocupado ou tímido…eu queria que você soubesse que só de estarmos aqui juntos, estou completamente feliz. Isso é como um lindo sonho, você é exatamente tudo o que eu sempre quis em alguém: gentil, inteligente, bonito, educado…e quando decidi vir até aqui, eu prometi a mim mesmo que não criaria expectativas. Eu só aceitaria o que você pudesse ou estivesse disposto a me oferecer. Então se nos próximos dias você quiser que a gente conviva apenas como amigos, eu ficarei bem sobre isso, ok?" "Mas o que você gostaria que acontecesse? Você quer que sejamos somente amigos?" "Não…embora a gente tenha construído uma amizade, não é só isso que eu quero ser…" Vincent era surpreendente. Por mais que ele tivesse se declarado para mim mais de uma vez e eu tivesse retribuído seus sentimentos apenas após meses, ele não esperava nada de mim. Como eu poderia passar mais um segundo agindo como um amigo? Estava na hora de eu reunir coragem e enfrentar os meus pensamentos de uma vez por todas. Eu queria me entregar a ele. Levantei-me da cadeira e fui até Vincent, estendendo minha mão. Ele a segurou e eu o puxei calmamente para o quarto, acendendo o abajur. Me sentei na beirada da cama e abracei seu quadril, apoiando minha cabeça em sua cintura. Vincent fez carinho no meu cabelo, me fazendo sentir em paz. Após alguns minutos, ele se afastou, e ainda em pé parado na minha frente, tirou a camisa. Em seguida, tirou a calça. Vê-lo se despindo daquela maneira estava me deixando anestesiado. Eram tantas sensações invadindo meu corpo, que eu só conseguia olhar para ele sem piscar. Ele veio até mim e colocou uma mão no meu rosto. Me levantei e olhei em seus olhos verdes, começando a tocá-lo pela cintura. Ao envolvê-lo com meus braços, inclinei minha cabeça em sua direção e o beijei. Seu beijo era tímido, leve. Comecei a beijá-lo delicadamente, encostando meus lábios nos seus devagar. À medida que o meu toque se tornava mais intenso, ele movia a sua boca e explorava a minha. Quando passei minha língua em seus lábios, ele começou a morder aos poucos minha boca, me deixando completamente rígido. Quanto mais nos beijávamos, mais nos sentíamos conectados. Tirei a minha camisa. Sentir a sua pele quente colada à minha estava aumentando o meu desejo de beijá-lo e tocá-lo. Vincent estava em meus braços demonstrando a sua intensidade através de cada centímetro do seu corpo: seus olhares, sua respiração, seus gemidos e seu suor. Ele estava tão duro quanto eu. Peguei Vincent no colo e o coloquei gentilmente na cama, apoiando seu corpo sobre o travesseiro e o lençol. Subi sobre ele e comecei a beijar seu pescoço, enquanto tocava seu peito. Vincent não parava de suspirar profundamente, deixando escapar gemidos curtos e baixos. Ao ver a sua reação, comecei a explorar a sua sensibilidade. Do pescoço, segui para o seu peito, dando beijos leves que revezavam-se com mordidas fracas. Vincent não conseguia se controlar de prazer. Meus lábios pararam em sua barriga. Com a ponta dos meus dedos, puxei devagar sua cueca, deixando à mostra seus quadris. Ao beijar sua virilha, Vincent segurou meu cabelo com firmeza. "Eu…sou virgem. Promete que vai ser gentil?" "Eu prometo." - respondi sem desviar o olhar.
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