O primeiro

2096 Words
Minha primeira vez tinha sido estranha, desconfortável: uma memória que eu não fazia questão de lembrar. Não tinha sido com alguém que eu gostava, pelo contrário. Eu estava perdendo a virgindade e ele nem mesmo sabia disso, não contei para ninguém na época. No começo, eu via as relações carnais apenas como uma troca de calor, cheiro, suor e desejo. Enquanto eu namorava, achava que tinha vivido as experiências mais intensas com ele, mas olhando para trás, vi que eu estava errado. Ao beijar Vincent naquela noite, me senti como um vulcão em erupção. Minha pele ficou arrepiada, meu corpo ficou quente e o cheiro dele começou a ficar gravado na minha memória. Com apenas gestos simples de afeto, ele conseguia despertar a minha intensidade muito mais do que qualquer outro estímulo que eu já tinha recebido antes. Vincent estava entregando a sua primeira vez a mim…saber que ele confiava e se sentia seguro comigo aumentou ainda mais os meus sentimentos. Eu não queria me relacionar com Vincent, eu queria fazer amor, como os clichês sempre diziam. Minha vontade era preencher Vincent com todos os meus sentimentos em relação à ele: paixão, admiração, gratidão, desejo, carinho…eu queria que ele soubesse exatamente a forma como me fazia sentir. "Eu…sou virgem. Promete que vai ser gentil?" "Eu prometo." - respondi sem desviar o olhar. Ao invés de começar a chupá-lo, decidi tocar seus lábios novamente. Deitei-me sobre ele, fazendo carícias em sua bochecha enquanto o beijava com calma. Nossa respiração estava começando a entrar em sintonia, e à medida que trocávamos saliva, eu podia notar seu coração bater mais rápido. Vincent colocou as mãos nas minhas costas, deslizando seus dedos por elas e pressionando meu corpo contra o seu. Em seguida, colocou uma de suas mãos no meu cabelo, encaixando-a entre as mechas. Eu queria que ele controlasse o ritmo das preliminares, ao contrário do que eu geralmente fazia. Eu estava disposto a deixá-lo me guiar, como se naquele momento eu fosse a pessoa inexperiente. Quando percebeu que eu estava reagindo aos seus gestos e toques, Vincent pediu para que eu me deitasse no lugar dele, e eu aceitei. Encostei minha cabeça no travesseiro e olhei para Vincent, que começou a morder o meu pescoço. Os arrepios que eu tinha sentido inicialmente se tornaram ainda mais intensos, o que estava me deixando em um estado de embriaguez. Ele encaixou seus dedos nos meus, segurando minha mão com firmeza enquanto lambia minha pele. Nada passava pela minha cabeça, as sensações que Vincent despertava em meu corpo me deixavam incapaz de raciocinar. Vincent deslizou pelo meu peito, cintura e quadril. Com cuidado, tirou minha bermuda, e depois minha cueca. "Você me guia?" - ele perguntou enquanto suas bochechas ficavam rosadas. Acenei concordando e fechando os olhos. Assim que senti seus lábios começarem a me beijar, suspirei. Vincent continuou, começando a usar sua língua em toda a minha virilha. Ele parecia saber o que fazer. "Ah…" - gemi, quando ele colocou tudo em sua boca. Vincent continuou. Eu não conseguia me manter quieto na cama, meu corpo passou a se mover, acompanhando os movimentos que ele fazia. "Isso…tente engolir…" Me segurei no lençol da cama enquanto me contorcia de prazer. Eu tinha imaginado que eu seria o primeiro a dar prazer para Vincent, mas eu tinha sido surpreendido novamente. A forma como ele alternava entre movimentos de vai e vem me deixava louco, prestes a gozar a qualquer momento. "Vem aqui." - pedi sorrindo para ele. Ele deitou-se ao meu lado. Segurei seu queixo e o beijei, tocando-o por inteiro. Quanto mais eu aumentava o ritmo com a mão, mais intensamente Vincent me beijava, chegando a me deixar sem ar. "Por favor…eu preciso…"- Vincent disse baixinho, me olhando com uma expressão de prazer linda. Ele não conseguia falar sem interromper a frase com suspiros. "Deite-se de bruços." - pedi ajudando-o a se virar. Puxei o travesseiro para que ele pudesse encaixar seu pescoço em uma posição confortável. Vincent empinou seu quadril em minha direção. Dei um beijo em suas costas, e depois deslizei um dos meus dedos entre as suas nádegas. Quando sentiu a ponta do meu dedo, Vincent segurou o travesseiro. Eu pude ver que ele estava nervoso. "Vou fazer de uma forma que não vai doer…mas se você quiser, eu paro a qualquer momento." "Obrigado…" Peguei o lubrificante na gaveta ao lado da cama e passei em Vincent. Em seguida, continuei o estimulando com um dedo. Ao ver que ele estava mais relaxado, coloquei o segundo. Aquele ângulo estava quase me levando a gozar ali mesmo, sem mesmo penetrá-lo. Vincent parecia preparado, então lubrifiquei minha ponta, garantindo que ela estava úmida o suficiente. Segurei em sua cintura e deixei seus quadris em uma posição que parecia perfeita para nós dois. Coloquei a ponta aos poucos, deixando que nossos corpos se tornassem um só no seu próprio ritmo. "Ah…Dimitr…"- Vincent gemeu quando o penetrei completamente. Você está bem? "Sim…continue…por favor…" Os movimentos inicialmente lentos estavam se tornando mais acelerados. Poder sentir Vincent daquela forma enquanto eu via suas reações era uma experiência incrível. Suas mãos segurando o travesseiro com força, seu cabelo ficando bagunçado, suas costas sendo cobertas pelo suor e seus quadris tentando acompanhar o meu ritmo…tudo issoparecia um sonho. "Quer tentar outra posição?" - perguntei me tirando de dentro dele. Vincent demonstrou que sim virando-se (ainda deitado) em minha direção. Apoiei seus calcanhares em meus ombros e me encaixei nele novamente. À medida que eu aumentava a velocidade e a intensidade dos movimentos, Vincent arranhava meus braços e costas. Sua expressão de prazer enquanto eu me movia despertava a minha libido de uma forma como eu não imaginava que era possível. Eu não podia mais me controlar. Rapidamente deslizei para fora de Vincent e despejei o ápice do meu prazer no lençol. "Vamos tomar banho juntos?"- Vincent me perguntou quando viu minhas mãos cobertas de branco. Levantamos da cama e fomos para o banheiro. Embaixo do chuveiro, nossa saliva se misturava com a água que escorria em nossa pele. "Como você está se sentindo?" - questionei quando nos deitamos abraçados na cama, após trocarmos os lençóis. "Feliz, realizado, completo…e você?" - ele parecia mesmo satisfeito enquanto falava. "Sinto que ganhei na loteria. Você é incrível Vincent…" - respondi dando um beijo carinhoso. "Nunca vou esquecer o que vivemos hoje. Quero relembrar cada instante todos os dias…" "É bom saber que foi uma experiência inesquecível e positiva pra você. " Embora Vincent parecesse realizado, eu ainda me sentia em dívida com ele. Só eu tinha gozado…e isso me fazia sentir egoísta. E se ele quisesse ter chegado ao ápice antes de mim, mas desistiu ao ver o quanto eu estava consumido de prazer? Eu precisava compensá-lo… "Ei…por que essa cara? Tem algo errado?" - ele perguntou. Por mais que eu tentasse esconder o que eu estava pensando, parecia que Vincent sabia exatamente o que estava acontecendo comigo. "Eu não devia ter gozado tão rápido…você também estava quase, não é?" "Dimitri, não se preocupe. Me senti tão desejado, que ao perceber que você estava prestes a transbordar, eu só queria aproveitar cada segundo. E sério…foi algo surreal. Despertar em alguém tanto desejo e paixão é incrível…foi perfeito." "Fico feliz por isso." - comentei, sorrindo timidamente para ele. "Além do mais, hoje é só o nosso primeiro dia. Você terá muitas oportunidades de me dar prazer. A nossa noite está sendo exatamente como eu queria que fosse: sincera. Embora você tenha o costume de esconder os seus pensamentos, enquanto estávamos fazendo amor, eu podia saber exatamente tudo o que você estava sentindo. E eu sei que o mesmo aconteceu com você também." Concordei com ele. Já havia se passado um tempo desde que estávamos deitados trocando carícias, mas eu ainda podia sentir seus quadris encaixados nos meus. Adormecemos abraçados. Eu queria que aquele momento durasse para sempre. "Dormiu bem?" - falei quando Vincent abriu os olhos preguiçosamente no dia seguinte. "Dormi. Mas é normal sentir o corpo dolorido assim? Minhas pernas estão tão cansadas." "Geralmente sim, mas com o tempo você se acostuma." Após levantarmos da cama, preparamos nosso café da manhã. Enquanto eu fazia café, Vincent lavava as frutas para comermos. Nos sentamos. "O que você quer fazer hoje?" - perguntei olhando para o seu rosto, que parecia ainda mais bonito. Por mais que tivéssemos passado a noite juntos, em alguns momentos eu sentia como se tudo fosse um sonho. Mas ao ver as marcas avermelhadas que Vincent deixou em meus braços com as suas unhas, acreditei que tinha sido tudo real. Ele percebeu que eu estava olhando para as marcas. "Me desculpe por isso…eu não percebi que estava te arranhando com tanta força." "Está tudo bem. De certa forma, é um lembrete da intensidade da nossa noite." "Não sei se você está sendo irônico ou falando sério. Sobre os planos para hoje…acredita se eu disser que me deixaria feliz apenas passar o dia inteiro deitado com você?" "Hm…e eu pensando que você queria pescar, pegar frutas ou cuidar do jardim. Mas tudo bem, estou disposto a cancelar toda a minha agenda de hoje por você." - comentei brincando. Rimos. Depois de terminarmos de comer, nos deitamos de conchinha. Apoiei minha cabeça em seu ombro. "No que você está pensando?" - ele me perguntou quando fiquei calado. "Bem…só no quanto tudo o que temos vivido é surpreendente. Há alguns meses eu nunca imaginaria que estaríamos aqui, agora. E isso só foi possível graças a você…obrigado por não ter desistido." "Eu tentei desistir…mas não consegui. Enquanto eu escrevia o livro, só conseguia pensar em você. Sempre amei escrever, mas tinha perdido a vontade depois de perceber que ninguém se importava. Mas quando você falou que acreditava em mim…isso mexeu muito comigo. Para ser honesto, acho que me dediquei tanto porque eu queria surpreender você. Nada era mais importante para mim do que o que você pensava." "Tudo o que eu te disse é verdade. Você tem muito potencial e fez um trabalho que não poderia merecer menos do que o primeiro lugar. Acho que a sua determinação e amor pela literatura que chamaram a minha atenção. Quando vi, já estava completamente arrebatado por você..."- eu disse, abraçando-o pela cintura com força. "Dimitri…você pode achar que eu sou louco, mas algo dentro de mim não me deixou desistir de você. Eu senti como se precisássemos viver algo intenso e profundo juntos…achei que estava me iludindo pensando assim, mas ao invés de questionar tanto os meus pensamentos e sentimentos, decidi deixar que o tempo dissesse se eu estava certo. E agora estamos aqui." "Não acho que você é louco. Foi por causa de tudo isso que pudemos ficar juntos, mesmo depois de tantos meses. Mas preciso te fazer uma pergunta…" "Pergunte qualquer coisa. Quero que sejamos sempre transparentes um com o outro." "Eu também quero. Você e aquele seu amigo que te ajudava em exatas…eram mais do que amigos?" "Como eu posso te explicar…éramos só amigos, mas ele disse que estava gostando muito de mim. Eu contei pra ele que eu estava apaixonado por outra pessoa, mas que era um amor platônico. Então ele pediu uma chance para me conquistar. Acabamos ficando mais próximos por causa disso, mas nunca passamos de abraços e mãos dadas." "Quando vi vocês andando de mãos dadas, achei que estavam namorando…aquilo acabou comigo." "Sinto muito por isso. Ele disse que iria respeitar o meu tempo, mas um dia tentou me beijar e eu recusei. Expliquei pra ele que eu queria ter o meu primeiro beijo sem arrependimentos e com alguém que pudesse entender o quanto isso significava pra mim. Mas ele ficou chateado e irritado com a minha reação. Acabamos nos distanciando, e depois que te encontrei na formatura, paramos de nos falar de vez." "Então você quer dizer…que até ontem à noite você nunca tinha beijado alguém?" "Sim…eu sei que é algo incomum. Você deve me achar muito careta depois de saber disso, né?" "Não, pelo contrário…se eu pudesse, teria esperado mais antes de beijar alguém. Eu com certeza teria mais memórias positivas do que negativas se tivesse respeitado o meu tempo, como você fez. Obrigado por confiar em mim." "Como eu não confiaria no meu primeiro amor?" Quando ele terminou de falar, pedi para que ele se virasse para mim. Olhando para ele, aproximei meu rosto e o beijei. Como reação, Vincent colocou seus braços em volta do meu pescoço, então segurei sua cintura e a apertei contra a minha. Eu estava perdidamente apaixonado. Vincent tinha me escolhido para ser a sua primeira vez em tudo.
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