– Uma mensagem? Como assim? – ele me observa confuso, mas dois segundos depois sua expressão muda – Você sabe que ele lembrou.
– Sério? E ele não demonstrou isso, por quê?
– É o Dan, Ali. O cara que sempre esteve presente em todos os seus aniversários. Ele sempre lembrou, não vai ser agora que ele vai esquecer.
Tento me convencer disso, mas a prova de que ele não havia lembrado estava escondida dentro da minha bolsa no quarto do Simon. Na última vez que chequei, meu celular continuava a mostrar a inexistência de Daniel Reed.
– Preciso que você venha comigo. – Simon diz de repente.
Ele me arrasta pela multidão empolgada, me levando direto para a sala de estar. Ele para ao lado do espelho que eu estava há uma hora atrás, e abre uma gaveta do pequeno criado mudo tirando algo que não consigo ver o que é. Então ele vira na minha direção, e estende sua mão para mim, exibindo uma caixa média embrulhada em um papel amarelado.
– Chegou hoje pela manhã.
O embrulho não é pesado e procuro na minha mente se em algum momento encomendei algo pela internet. Viro a caixa para ler o endereço, e engasgo quando leio “Cambridge, Massachusetts” . Isso só significava uma coisa: Daniel.
Minhas mãos estão tão suadas nesse momento, que as enxugo no meu vestido para não manchar o papel. r***o com cuidado o papel amarelado, e encontro uma pequena caixa preta com um cartão em cima. Imediatamente reconheço aquela letra desengonçada e meu coração bate como se eu tivesse acabado de correr uma maratona.
“Feliz aniversário, Alissa.”
– Não vai abrir a caixa? – Simon pergunta.
Esqueci que ainda tem a pequena caixa preta para ser aberta. Caramba, aquele cartão por si só poderia ser meu presente. Ele tinha lembrado, e eu não poderia estar mais feliz agora.
Coloco o cartão embaixo da caixa como apoio, e desfaço o elegante laço dourado.
Com toda certeza não foi ele quem fez esse laço. Dan Reed não tem esse talento.
Dentro da caixa está a pulseira mais linda que eu já vi na minha vida. É uma delicada corrente dourada com um pequeno coração de cristal no meio.
É perfeita! Simplesmente perfeita!
– Eu falei que ele não tinha esquecido. – Simon diz com um sorriso convencido.
– Você poderia ter me contado mais cedo. Passei o dia acreditando que ele tinha esquecido.
– Foram ordens do Daniel. – ele ergue as duas mãos afirmando inocência. – Ele enviou seu presente há umas três semanas, você sabe como os correios demoram. Ele teve muita sorte de ter chegado hoje. Tinha uma grande chance do presente chegar depois.
Meu pedido de aniversário já tinha sido atendido antes mesmo de eu saber.
– Mas por que ele mandou pra você e não pra mim?
– Ele está te dando espaço, Ali. Por isso ele não te ligou ou mandou mensagem. Mas mesmo assim ele quis provar pra você que ainda se importa.
– Quanto você está recebendo pra defender ele?
Simon ri, descarado, e dá um simples levantar de ombros.
– Ele é meu irmão.
– O quê?! Como não descobri isso antes?!
– Engraçadinha.– ele revira os olhos.
– Você acha que eu devo dizer “obrigada” a ele?
– Na verdade, hoje quando falei com ele sobre seu presente já ter chegado, ele insistiu que eu dissesse suas palavras exatas sobre o que achou do presente.
Palavras exatas, é?
– Hum, interessante – penso em algo para dizer a ele, algo que surpreenda. – Diga a ele que eu achei legal.
Eu sei o quanto ele odeia essa palavra.
Depois de pegar meu celular no quarto do Simon para avisar meu pai de que está tudo bem, volto para a festa onde muitos convidados ainda dançam e bebem alheios aos últimos acontecimentos. Agora que sei que o Daniel não esqueceu, meu sorriso está de orelha a orelha. A linda pulseira com o coração no meio, está agora protegida pela manga do meu vestido. Estar com ela ali, é como se de alguma forma ele também estivesse. A sensação é incrivelmente reconfortante.
Briana e Lisa acenam assim que me vêem passar pela porta, e caminho até elas tomando cuidado para não esbarrar em alguém muito bêbado.
No meio do caminho, porém, sinto alguém abraçar minha cintura com força. O cheiro do álcool rouba o ar limpo de mim, e logo se torna impossível respirar.
– Achei você aniversariante. – Dimitri berra no meu ouvido.
– Ei, Dimitri Que tal você beber um pouco de água? Sabe, só para dar uma folguinha ao álcool.
– Não. – ele choraminga no meu ouvido. – O álcool é meu amigo.
Ele fala cada palavra com muita dificuldade, é como se estivesse aprendendo a falar novamente.
– Melhor amigo, pelo visto. – sussurro.
– Está na hora do seu presente.
Presente?
– Mas você já me deu o presente. – respondo receosa.
–Não. – ele acena com a mão. – Aquilo não foi nada. Esse é mais importante.
Isso não pode ser bom!
Então ele se inclina na minha direção, fazendo um bico exagerado.
Eu poderia culpar a adrenalina? Poderia. Mas ali era somente eu dizendo não!
Pelo Dimitri estar completamente bêbado e apenas com um braço na minha cintura, não foi difícil empurrá-lo na piscina. Ele caiu como uma bola de canhão, jogando água nos convidados que estavam perto. Ele afundou como uma pedra, e depois de quase sete segundos sem nenhum sinal, temi ter matado ele.
Mas então...VRA!
Ele emergiu, bem e VIVO.
– Opa, cuidado com o álcool. – grito para ele.
Todos ficam em silencio esperando a resposta dele. O único som é a batida estridente do remix do DJ.
– Festa na piscina. – ouço alguém gritar, e num piscar de olhos todos estão mergulhando na piscina como Dimitri tinha feito dez segundos atrás.
Entro no deck para me proteger da água que explode a cada vez que alguém pula, e nesse momento sinto meu celular vibrar no meu decote. Pego meu celular para checar a mensagem, e encaro boquiaberta a tela.
“Legal?”
Droga. É o Daniel.