– Caramba, Alissa, você nasceu para ser a Morticia!
– Onde você comprou esse aplique? Ele realmente parece que é seu cabelo.
– O quê? Não é aplique? Como você conseguiu esconder esse cabelo maravilhoso ?
Esses foram alguns dos comentários que eu precisei ouvir repetidamente nos primeiros vinte e cinco minutos de festa. Precisei aceitar que puxassem meu cabelo três vezes para terem certeza que era meu cabelo real e não uma peruca ou aplique.
Era tão difícil assim acreditar que eu podia ter cabelo longo?
– Ninguém acredita que é seu cabelo.– Simon como sempre responde meu pensamento – Sabe quantas vezes precisei dizer que era seu cabelo verdadeiro? Nove vezes – ele responde sem esperar que eu tente a sorte.
Se o que eu tenho possa ser chamado de sorte.
– Que bom pra você que sua palavra basta, porque a minha pelo visto não . Puxaram meu cabelo três vezes para ter certeza que não era aplique.
– Achei que o grande sucesso seriam as fantasias, mas pelo visto o sucesso é seu cabelo.
Sinto uma imensa vontade de prender meu cabelo, mas me contenho, afinal nunca vi a Morticia Addams com cabelo preso. Deixo escapar um longo suspiro e entro na casa dos Reed para me olhar no espelho mais uma vez. Encontro facilmente o espelho na sala de estar, e observo a elegante figura vestida de preto. Meu cabelo está partido ao meio, e um longo vestido preto se abre como um copo de leite ( ou no caso, café) investido. Ele é justo do b***o as coxas, e quando chega aos joelhos se abre suavemente para o chão. As mangas são justas, mas próximas aos pulsos elas se abrem da mesma forma. Já minha maquiagem tentei fazer a mais parecida possível com a original. Nos olhos uma sombra preta, e nos lábios um batom vermelho intenso.
– Ali, você está um arraso.
Viro na direção da voz, e encontro Briana vestida de Wandinha Addams.
Briana está ótima. Ela conseguiu transformar trancinhas em algo maduro para uma garota de 17 anos. O vestido da Wandinha que naturalmente ia até o joelho, agora está na altura das coxas.
O que são só alguns centímetros, não é?
– Eu não sou a única. – respondo, e ela parece empolgada, até sua expressão se dissipar aos poucos.
– Ali... – ela para, e eu imediatamente me preparo para o que estar por vir. – Notícias do Reed?
Um lado meu se abala por dentro apenas de ouvir seu nome, mas o outro sente a estranha necessidade de rir pela Briana ainda o chamar de Reed. Mesmo depois da sua partida para a universidade, ninguém na escola ousava chamá-lo de Daniel. Era como se tivessem medo que ao dizer seu nome ele aparecesse do nada e quebrasse a cara de alguém. As pessoas só esqueciam de um pequeno detalhe: ele estava do outro lado do país.
– Não, nenhuma. – e como me doeu dizer isso.
Eu esperava que hoje, acima de qualquer outro dia, ele me ligasse ou mandasse uma mensagem. Qualquer coisa, apenas demonstrasse pra mim que lembrou. Mas ele não fez isso. Daniel Reed havia sumido da face da terra, ou talvez, apenas da minha vida.
Como a garota incrível que era, Briana entendeu minha expressão de decepção e me levou em silêncio para a festa. Levei um susto quando saímos da casa. Mais pessoas haviam chegado e eu não conseguia cumprimentar ninguém sem ser levada em outra direção para cumprimentar mais convidados. Simon estava com Emmett, Anson e Dimitri do outro lado da pista improvisada de dança, e eu finalmente parei e estava cercada por Briana, May, Lisa e Olívia.
Duas horas depois, e a festa estava bombando e todos pareciam estar se divertindo. Havia lobisomens disfarçados de Jacob Black, e vampiros desde o Drácula ao Edward Cullen. Tinham bruxas e zumbis iguais ao do The walking dead. Eu estava impressionada com a criatividade de cada um, exceto de alguém que apenas jogou um lençol branco na cabeça e fingiu ser um fantasma.
O DJ estava arrasando, e o estoque de bebidas estava sempre abastecido. Tudo estava perfeito e eu estava aproveitando minha última festa como colegial.
Embora minha formatura tenha acontecido nesta mesma manhã, até o momento em que passasse pelo portão de Harvard eu ainda seria uma colegial.
– Hora do bolo. – escuto alguém gritar, e num piscar de olhos entra o Dimitri segurando um enorme bolo com biscoitos em cima como pequenos túmulos.
Logo todos estão cantando “Parabéns para você” e desejando feliz aniversário.
Simon surge ao meu lado bem no momento de soprar as velas.
– O que você pediu? – pergunto para ele
– Um apartamento bem bacana pra gente morar. E você?
– Uma mensagem.