De noite Lorena: Já era de noite quando liguei pro Gomes ir me buscar lá na lanchonete. Nem precisei falar muita coisa, só disse. Não deu nem dez minutos direito e ele já encostou a moto na frente da lanchonete, do jeito apressado que só ele sabe ser. Eu tava parada ali, mexendo no celular, esperando ele, quando senti o clima mudar. Tinha um cliente perto de mim, só esperando acho que algum uber sei lá, nada demais. Mas o Gomes chegou encarando o cara como se ele tivesse me agarrado no meio da rua. Eu juro que quase ri na hora. Ele nem falou comigo primeiro. Foi direto com aquele olhar torto, mandíbula travada, peito estufado. Parecia que tava marcando território. Eu subi na moto, passei o braço pela cintura dele e aí sim ele abriu a boca. — Quem é esse cara aí? perguntou, seco, sem

