Barone: Tô no quarto, porta encostado, som baixo batendo no fundo. A casa tá meio silenciosa, só o barulho distante da rua, moto passando, alguém gritando lá fora. Dia de baile sempre começa assim, meio quieto antes do caos. Jogo a camisa preta na cama. Preta mesmo, sem estampa, sem frescura. Puxo pela cabeça, ajeito no corpo. Gosto de tudo escuro. Preto não chama atenção, mas quem conhece sabe. Olho rápido no espelho, só pra conferir se tá do jeito que eu gosto. Tá. Pego o calção preto também, largo, confortável. Nada apertado. Bandido não anda travado. Ajusto na cintura, confiro se tá firme. Depois vem o bloco. Enfio na cintura, daquele jeito que já virou costume. Peso ali me dá certeza de onde eu tô e de quem eu sou. Não saio sem. Corrente no pescoço. Grossa. Fria quando encosta na

