Helena: Meu salão tava daquele jeito cheio, barulhento, todo mundo falando ao mesmo tempo. Secador ligado, cheiro de química no ar, cliente reclamando que a progressiva ardia, outra perguntando se o pix já tinha caído. Rotina. Eu tava terminando um cabelo quando a porta abriu. Nem levantei a cabeça de primeira. Só ouvi a voz. — Tu que é a dona aqui? Já começou errado. Olhei pelo espelho. A menina tava parada no meio do salão, bolsa pendurada no braço, cara de quem acha que tá fazendo favor por estar ali. Mascando chiclete,com aquele perfume barato que já me irrita de longe logo — Sou. Fala. respondi, sem sorrir. Ela deu um passinho pra frente, toda cheia de si. Já vi que é marmita — Então, o Gomes mandou eu vir aqui. Quero botar mega. Ele falou que tu faz. Na mesma hora, senti

