O Legado entre Cores

1574 Words
CAPÍTULO 1 — O LEGADO ENTRE CORES Paula Isabella Maciel tem 15 anos, cabelos ondulados, olhar curioso e uma mente sempre inquieta. Cresceu cercada de arte, desfiles, livros e histórias que pareciam mais lendas do que fatos. Mas ela sempre soube: há algo nela que carrega mais do que talento. Agora, é sua estreia oficial no Instituto Maciel de Arte e Moda, fundado por sua mãe. No primeiro dia, conhece Luca Mendes, um bolsista talentoso e enigmático, com desenhos surpreendentes — e um estilo que lembra os antigos traços de Madalena Maciel. Paula sente uma conexão imediata, mas tenta esconder o sobrenome, querendo ser apenas "Paula". CAPÍTULO 2 — O CLUBE DO ESPELHO Na aula de História da Arte, Paula encontra um grupo de alunos curiosos por heranças visuais. Eles criam o Clube do Espelho, onde cada m****o explora símbolos antigos para criar obras modernas. O clube vira sucesso no colégio — até que alguém, anonimamente, começa a usar a marca dos Três Olhos como parte de suas criações. Diferente do passado, não com ameaça, mas como uma estética de resistência artística. Paula se incomoda, mas também se intriga: — E se eu puder ressignificar tudo isso? Enquanto isso, Aurora observa à distância, confiante… mas preocupada. CAPÍTULO 3 — O PRIMEIRO DESFILE O clube é convidado a apresentar uma pequena coleção no Festival Jovem de Estilo Maciel. Paula decide fazer sua primeira coleção inspirada nas mulheres que foram silenciadas — mas agora em tons claros, tecidos leves e mensagens de recomeço. Luca a ajuda com a costura. Durante os ensaios, eles se aproximam. Ele comenta: — Você parece carregar algo muito maior do que a idade permite. — Ou talvez… eu só tenha aprendido cedo a cuidar do que importa. Na noite do desfile, Paula entra com um vestido branco com detalhes vermelhos — bordado com a frase: “Herança não é destino. É escolha.” A plateia se levanta em aplausos. Aurora chora discretamente. CAPÍTULO 4 — NOME E PESO Após o sucesso do desfile, Paula decide contar a verdade aos amigos do Clube do Espelho. Numa roda no jardim do instituto, ela diz: — Meu nome completo é Paula Isabella Maciel. Minha mãe é Aurora… a Aurora. Alguns se surpreendem, outros não, mas Luca é o único que responde com um sorriso tranquilo: — Isso muda tudo pra eles. Mas pra mim… você continua sendo a garota que dobra o papel antes de desenhar, só pra criar simetria. A amizade deles se fortalece, mas Paula percebe uma distância sutil entre ela e Bianca — uma colega do clube, que sempre desejou ser reconhecida por talento, não por sobrenome. CAPÍTULO 5 — O DIÁRIO DE AURORA Durante uma reorganização na biblioteca da mansão Maciel, Paula encontra uma caixa com seu nome. Dentro, há fotos de infância e um caderno antigo — com capa azul e folhas de papel grosso. É o diário da juventude de Aurora, escrito entre os 17 e 20 anos. Ao ler, Paula se emociona com os trechos sobre medo, sobre não saber quem era, e sobre a amizade com Alícia. Uma frase chama sua atenção: "Ser Maciel não é o que me faz forte. É quem me ajuda a não esquecer de ser eu mesma." Inspirada, Paula começa a escrever seu próprio diário. CAPÍTULO 6 — VENTOS DE ESCOLHA O Clube do Espelho recebe um convite para expor suas peças em Paris, no evento Nouvelle Voix Jeunesse. É uma chance única, mas apenas dois alunos poderão representar o grupo. Bianca, ainda ressentida, questiona: — E aí? A filha da dona vai ser escolhida, né? Paula, sem orgulho nem rancor, responde: — Quero que todos votem. Se eu for escolhida, vou honrar. Se não for… vou aplaudir quem for. Luca e Bianca são eleitos. Paula os abraça com sinceridade. E naquela noite, Aurora a chama para conversar: — Você transformou o que me destruiu em algo novo, minha filha. Não posso te proteger do mundo, mas posso caminhar ao seu lado. Paula sorri: — E eu… só quero ser eu. Com tudo o que isso significa. CAPÍTULO 7 — A PRIMEIRA QUEDA Mesmo não sendo escolhida para ir a Paris, Paula recebe um convite para criar um painel artístico para a Galeria Jovem Aurora Maciel. A pressão começa a pesar. Ela quer que a obra represente sua geração, sua herança e… seu próprio estilo. Mas pela primeira vez, Paula trava. Pinta, apaga. Desenha, rasga. Sente-se perdida entre o que esperam dela e o que sente. Aurora percebe: — Às vezes, o silêncio também é parte do processo. Rodrigo, carinhoso, a leva para uma caminhada no parque e diz: — Você não precisa provar nada. Só precisa criar quando for de verdade. --- CAPÍTULO 8 — O BAÚ DE ALÍCIA Na casa de sua avó, Maria Paula, Paula encontra um baú com pertences da juventude de Alícia Rogério — a amiga inseparável de Aurora, que hoje vive fora do país como diretora de uma ONG artística. Entre roupas, cartas e revistas, ela descobre algo especial: um caderno de esboços com as primeiras coleções criadas pelas duas amigas ainda adolescentes. Cheias de ousadia, humor e força. Há um bilhete de Alícia para Aurora, escrito após o nascimento de Paula: "Prometa-me que, se ela herdar sua coragem, você não tentará protegê-la demais. O mundo precisa de herdeiras que saibam voar." Paula se emociona. Pela primeira vez, sente que é parte de algo bonito… e livre. CAPÍTULO 9 — A ARTE QUE BROTA Na madrugada seguinte, Paula acorda com uma ideia. Corre até o ateliê, acende luzes, espalha telas. Sua obra final é uma instalação: três espelhos quebrados em diferentes ângulos, e no centro, uma figura feminina com asas desenhadas em tecido fino, que se movimentam com o vento. Um texto acompanha: "Sou feita de pedaços que escolhi juntar. Minha herança é o voo, não o espelho." A exposição é um sucesso. O público se emociona, principalmente Bianca, que a procura depois: — Você me lembrou por que eu comecei a criar. E pela primeira vez, Paula se sente inteira. CAPÍTULO 10 — CARTAS E DESTINOS Após o sucesso da exposição, Paula recebe um envelope vindo da França. É de Alícia Rogério, a grande amiga de Aurora e sua madrinha de coração. A carta é doce, cheia de afeto, e termina com um convite: "Venha passar uma temporada em Marselha comigo. Aqui, arte não tem nome, nem herança. Só alma." Aurora hesita no início, mas ao ver o brilho nos olhos da filha, sorri: — Toda mulher Maciel tem um ponto de virada. Esse é o seu. Paula parte com o apoio da família, e Luca a acompanha — como bolsista de um curso intensivo de moda. --- CAPÍTULO 11 — ALICIA E A OUTRA HERANÇA Em Marselha, Paula reencontra Alícia — agora com cabelos grisalhos, a mesma energia vibrante e um olhar firme, mas doce. Alícia a leva por ruínas históricas, grafites em becos e museus de rua. Falam sobre arte, juventude e a amizade com Aurora. Alícia revela que perdeu um irmão muito jovem — algo que Aurora ajudou a curar com sua amizade. — O que vocês tinham era raro? — pergunta Paula. — Era verdadeiro. E por isso, forte. Como o que você está começando a construir com Luca, talvez. Paula cora. E não responde. Ainda. --- CAPÍTULO 12 — ENTRE PALAVRAS E OLHARES No fim da viagem, Luca e Paula passeiam por um campo de lavandas. Ele confessa: — Eu sempre soube quem você era. Mas quis conhecer quem você escolhia ser. Ela responde com um sorriso tímido: — Obrigada… por não me tratar como uma herdeira. Mas como alguém que ainda está desenhando quem quer ser. Eles se beijam ali mesmo, sob o céu francês. Leve. Bonito. Real. De volta ao Brasil, Paula carrega mais do que lembranças: ela traz consigo a coragem tranquila de seguir seu caminho — com arte, alma e afeto. E enquanto observa sua filha pela janela do ateliê, Aurora pensa: "Minha herança... floresceu." EPÍLOGO — A CARTA ENTRE AS FLORES Primavera. Paula Isabella, agora com 17 anos, caminha sozinha pela antiga estufa dos fundos da mansão Maciel. O lugar estava fechado há décadas — usado por Catarina Maciel, a bisavó visionária da família, que cultivava orquídeas raras e criava perfumes artesanais. Durante a reforma para reabrir o espaço como Estúdio de Criação Botânica, Paula encontra um pequeno baú entre vasos antigos. Dentro, há frascos vazios, rascunhos de receitas florais... e uma carta lacrada com cera vermelha. > “À mulher que um dia entenderá que ser Maciel não é dominar, é florescer. > Se você encontrou esta carta, é porque chegou a hora de criar sem medo. > Eu fui ousada para meu tempo. Você será livre para o seu. > Com carinho e confiança, Catarina de Azevedo Maciel” Com lágrimas nos olhos, Paula segura o bilhete como quem recebe um abraço de gerações. Ela já começou a desenhar sua primeira coleção solo: vestidos leves, com tecidos naturais, estampas florais inspiradas nas plantas de Catarina e nomes de mulheres da sua linhagem: Aurora. Alícia. Camilla. Fernanda. Raquel. No desfile de estreia, uma frase ilumina o cenário central: "Sou herdeira do que escolhi honrar — e do que aprendi a transformar." Aurora, sentada na primeira fila ao lado de Rodrigo e Alícia, aperta a mão da filha com orgulho silencioso. E assim, o ciclo recomeça — não como repetição, mas como nova semente.
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