CAPÍTULO 1 — O LEGADO ENTRE CORES
Paula Isabella Maciel tem 15 anos, cabelos ondulados, olhar curioso e uma mente sempre inquieta. Cresceu cercada de arte, desfiles, livros e histórias que pareciam mais lendas do que fatos. Mas ela sempre soube: há algo nela que carrega mais do que talento.
Agora, é sua estreia oficial no Instituto Maciel de Arte e Moda, fundado por sua mãe. No primeiro dia, conhece Luca Mendes, um bolsista talentoso e enigmático, com desenhos surpreendentes — e um estilo que lembra os antigos traços de Madalena Maciel.
Paula sente uma conexão imediata, mas tenta esconder o sobrenome, querendo ser apenas "Paula".
CAPÍTULO 2 — O CLUBE DO ESPELHO
Na aula de História da Arte, Paula encontra um grupo de alunos curiosos por heranças visuais. Eles criam o Clube do Espelho, onde cada m****o explora símbolos antigos para criar obras modernas.
O clube vira sucesso no colégio — até que alguém, anonimamente, começa a usar a marca dos Três Olhos como parte de suas criações. Diferente do passado, não com ameaça, mas como uma estética de resistência artística.
Paula se incomoda, mas também se intriga:
— E se eu puder ressignificar tudo isso?
Enquanto isso, Aurora observa à distância, confiante… mas preocupada.
CAPÍTULO 3 — O PRIMEIRO DESFILE
O clube é convidado a apresentar uma pequena coleção no Festival Jovem de Estilo Maciel. Paula decide fazer sua primeira coleção inspirada nas mulheres que foram silenciadas — mas agora em tons claros, tecidos leves e mensagens de recomeço.
Luca a ajuda com a costura. Durante os ensaios, eles se aproximam. Ele comenta:
— Você parece carregar algo muito maior do que a idade permite.
— Ou talvez… eu só tenha aprendido cedo a cuidar do que importa.
Na noite do desfile, Paula entra com um vestido branco com detalhes vermelhos — bordado com a frase: “Herança não é destino. É escolha.”
A plateia se levanta em aplausos. Aurora chora discretamente.
CAPÍTULO 4 — NOME E PESO
Após o sucesso do desfile, Paula decide contar a verdade aos amigos do Clube do Espelho. Numa roda no jardim do instituto, ela diz:
— Meu nome completo é Paula Isabella Maciel. Minha mãe é Aurora… a Aurora.
Alguns se surpreendem, outros não, mas Luca é o único que responde com um sorriso tranquilo:
— Isso muda tudo pra eles. Mas pra mim… você continua sendo a garota que dobra o papel antes de desenhar, só pra criar simetria.
A amizade deles se fortalece, mas Paula percebe uma distância sutil entre ela e Bianca — uma colega do clube, que sempre desejou ser reconhecida por talento, não por sobrenome.
CAPÍTULO 5 — O DIÁRIO DE AURORA
Durante uma reorganização na biblioteca da mansão Maciel, Paula encontra uma caixa com seu nome. Dentro, há fotos de infância e um caderno antigo — com capa azul e folhas de papel grosso. É o diário da juventude de Aurora, escrito entre os 17 e 20 anos.
Ao ler, Paula se emociona com os trechos sobre medo, sobre não saber quem era, e sobre a amizade com Alícia. Uma frase chama sua atenção:
"Ser Maciel não é o que me faz forte. É quem me ajuda a não esquecer de ser eu mesma."
Inspirada, Paula começa a escrever seu próprio diário.
CAPÍTULO 6 — VENTOS DE ESCOLHA
O Clube do Espelho recebe um convite para expor suas peças em Paris, no evento Nouvelle Voix Jeunesse. É uma chance única, mas apenas dois alunos poderão representar o grupo.
Bianca, ainda ressentida, questiona:
— E aí? A filha da dona vai ser escolhida, né?
Paula, sem orgulho nem rancor, responde:
— Quero que todos votem. Se eu for escolhida, vou honrar. Se não for… vou aplaudir quem for.
Luca e Bianca são eleitos. Paula os abraça com sinceridade. E naquela noite, Aurora a chama para conversar:
— Você transformou o que me destruiu em algo novo, minha filha. Não posso te proteger do mundo, mas posso caminhar ao seu lado.
Paula sorri:
— E eu… só quero ser eu. Com tudo o que isso significa.
CAPÍTULO 7 — A PRIMEIRA QUEDA
Mesmo não sendo escolhida para ir a Paris, Paula recebe um convite para criar um painel artístico para a Galeria Jovem Aurora Maciel. A pressão começa a pesar. Ela quer que a obra represente sua geração, sua herança e… seu próprio estilo.
Mas pela primeira vez, Paula trava. Pinta, apaga. Desenha, rasga. Sente-se perdida entre o que esperam dela e o que sente.
Aurora percebe:
— Às vezes, o silêncio também é parte do processo.
Rodrigo, carinhoso, a leva para uma caminhada no parque e diz:
— Você não precisa provar nada. Só precisa criar quando for de verdade.
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CAPÍTULO 8 — O BAÚ DE ALÍCIA
Na casa de sua avó, Maria Paula, Paula encontra um baú com pertences da juventude de Alícia Rogério — a amiga inseparável de Aurora, que hoje vive fora do país como diretora de uma ONG artística.
Entre roupas, cartas e revistas, ela descobre algo especial: um caderno de esboços com as primeiras coleções criadas pelas duas amigas ainda adolescentes. Cheias de ousadia, humor e força.
Há um bilhete de Alícia para Aurora, escrito após o nascimento de Paula:
"Prometa-me que, se ela herdar sua coragem, você não tentará protegê-la demais. O mundo precisa de herdeiras que saibam voar."
Paula se emociona. Pela primeira vez, sente que é parte de algo bonito… e livre.
CAPÍTULO 9 — A ARTE QUE BROTA
Na madrugada seguinte, Paula acorda com uma ideia. Corre até o ateliê, acende luzes, espalha telas.
Sua obra final é uma instalação: três espelhos quebrados em diferentes ângulos, e no centro, uma figura feminina com asas desenhadas em tecido fino, que se movimentam com o vento. Um texto acompanha:
"Sou feita de pedaços que escolhi juntar. Minha herança é o voo, não o espelho."
A exposição é um sucesso. O público se emociona, principalmente Bianca, que a procura depois:
— Você me lembrou por que eu comecei a criar.
E pela primeira vez, Paula se sente inteira.
CAPÍTULO 10 — CARTAS E DESTINOS
Após o sucesso da exposição, Paula recebe um envelope vindo da França. É de Alícia Rogério, a grande amiga de Aurora e sua madrinha de coração.
A carta é doce, cheia de afeto, e termina com um convite:
"Venha passar uma temporada em Marselha comigo. Aqui, arte não tem nome, nem herança. Só alma."
Aurora hesita no início, mas ao ver o brilho nos olhos da filha, sorri:
— Toda mulher Maciel tem um ponto de virada. Esse é o seu.
Paula parte com o apoio da família, e Luca a acompanha — como bolsista de um curso intensivo de moda.
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CAPÍTULO 11 — ALICIA E A OUTRA HERANÇA
Em Marselha, Paula reencontra Alícia — agora com cabelos grisalhos, a mesma energia vibrante e um olhar firme, mas doce.
Alícia a leva por ruínas históricas, grafites em becos e museus de rua. Falam sobre arte, juventude e a amizade com Aurora. Alícia revela que perdeu um irmão muito jovem — algo que Aurora ajudou a curar com sua amizade.
— O que vocês tinham era raro? — pergunta Paula.
— Era verdadeiro. E por isso, forte. Como o que você está começando a construir com Luca, talvez.
Paula cora. E não responde. Ainda.
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CAPÍTULO 12 — ENTRE PALAVRAS E OLHARES
No fim da viagem, Luca e Paula passeiam por um campo de lavandas. Ele confessa:
— Eu sempre soube quem você era. Mas quis conhecer quem você escolhia ser.
Ela responde com um sorriso tímido:
— Obrigada… por não me tratar como uma herdeira. Mas como alguém que ainda está desenhando quem quer ser.
Eles se beijam ali mesmo, sob o céu francês. Leve. Bonito. Real.
De volta ao Brasil, Paula carrega mais do que lembranças: ela traz consigo a coragem tranquila de seguir seu caminho — com arte, alma e afeto.
E enquanto observa sua filha pela janela do ateliê, Aurora pensa:
"Minha herança... floresceu."
EPÍLOGO — A CARTA ENTRE AS FLORES
Primavera.
Paula Isabella, agora com 17 anos, caminha sozinha pela antiga estufa dos fundos da mansão Maciel. O lugar estava fechado há décadas — usado por Catarina Maciel, a bisavó visionária da família, que cultivava orquídeas raras e criava perfumes artesanais.
Durante a reforma para reabrir o espaço como Estúdio de Criação Botânica, Paula encontra um pequeno baú entre vasos antigos. Dentro, há frascos vazios, rascunhos de receitas florais... e uma carta lacrada com cera vermelha.
> “À mulher que um dia entenderá que ser Maciel não é dominar, é florescer.
> Se você encontrou esta carta, é porque chegou a hora de criar sem medo.
> Eu fui ousada para meu tempo. Você será livre para o seu.
> Com carinho e confiança,
Catarina de Azevedo Maciel”
Com lágrimas nos olhos, Paula segura o bilhete como quem recebe um abraço de gerações.
Ela já começou a desenhar sua primeira coleção solo: vestidos leves, com tecidos naturais, estampas florais inspiradas nas plantas de Catarina e nomes de mulheres da sua linhagem: Aurora. Alícia. Camilla. Fernanda. Raquel.
No desfile de estreia, uma frase ilumina o cenário central:
"Sou herdeira do que escolhi honrar — e do que aprendi a transformar."
Aurora, sentada na primeira fila ao lado de Rodrigo e Alícia, aperta a mão da filha com orgulho silencioso.
E assim, o ciclo recomeça — não como repetição, mas como nova semente.