A Caçada Pela Noite

890 Words

Mateus. O ar da favela vizinha cheirava a esgoto e a um silêncio pesado, o tipo de silêncio que precede a tempestade. O rádio estava mudo, a ordem era clara: sem comunicação, apenas o som dos passos. Eu estava na linha de frente, movendo-me como uma sombra, o fuzil no meu ombro parecendo uma extensão do meu próprio braço. A adrenalina pulsava nas minhas veias, mas não era por medo. Era por uma fúria fria. Uma fúria por Tubarão ter ousado mandar alguém chegar perto do que era meu, mesmo não sabendo. Galvão estava ao meu lado, um pouco atrás, a presença dele tão pesada quanto a minha. Não trocamos uma palavra. Não precisávamos. A nossa comunicação era feita por olhares, por gestos de mão. Algo no qual já estávamos habituados pelo passar dos anos. Eu sabia quando ele queria que e

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