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Leone e a Nobreza

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Blurb

Sinopse/Descrição 📍Luca e Fhilipe são de mundos diferentes, mas com histórias parecidas. O amor entre eles cresceu como faísca, e para ficarem juntos vão precisar enfrentar seus medos, seus traumas, os seus passados. Em um momento, um amor do passado de Luca aparecerá,com uma surpresa. Luca apresentou Maria a Demain, seu amor antigo, que agora é um amigo.Ele sorriu pelo casamento deles. Mas a carta que anuncia tudo também ameaça expor o segredo que Luca guarda há anos. Entre o medo e o amor, surge Fhilipe — e com ele, a chance de finalmente ser visto.

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- Capítulo 1 - A carta
- Capítulo 1 - A carta Era uma manhã qualquer na cidade de Ferrara, às sete da manhã Luca já estava de pé preparando as roupas do Príncipe Fhilipe e medindo a temperatura da água para o banho de sua alteza. Enquanto o príncipe ainda dormia em sua cama grande e acolchoada, Luca abria as grandes cortinas do Palácio, deixando que a luz do sol entrasse pelas enormes janelas do quarto. — O céu está tão lindo hoje... - Diz Luca baixinho para si, enquanto olhava para fora. Enquanto os outros criados acordavam o príncipe. Fhilipe era conhecido por ser frio, quieto, misterioso... completamente o oposto de Luca: era doce, meigo, gentil e educado. Porém, Luca não o via dessa forma. — Bom dia, Vossa Alteza. - Diz Elionor, uma das criadas, enquanto ajeitava as almofadas da cama. — Bom dia. - Responde Fhilipe de forma seca e direta. Luca olha diretamente para Elionor, revirando os olhos com uma ponta de ciúmes misturado com inveja. Ele não fala um "A" para mim, mas dá "bom dia" para ela, inacreditável. - Luca pensa apenas olhando a cena. Logo após os demais criados saírem dos aposentos... Fhilipe se dirige a banheira. Cada toque de Luca era um flerte quase imperceptível enquanto tirava as vestes veludadas do seu senhor. "Eu tenho uma reunião com a corte. Meus pais estão querendo me casar com Anastasia, apesar que as cartas do Rei de Veneza ainda não chegaram. Preciso treinar mais minhas habilidades de fala e... porque deste garoto me olhar dessa forma? Ele acha que não o percebo... ?" - A cabeça de Fhilipe estava a mil, enquanto terminava o banho... logo se ajeitando para tomar o café da manhã com sua família. Já na mesa... — Irmão? Você está bem? - Nora pergunta, o olhando, enquanto ele está imóvel fixo no banquete a frente, mas sem conseguir comer. — Fhilipe, você m*l tocou na comida. - Falou sua mãe, já estressada como de costume. — Desculpa mãe... eu só estou com muitas coisas na cabeça. - Ele fala de cabeça baixa, um tanto quanto triste. — Muitas coisas na cabeça, Fhilipe? Ah, por favor, você ainda é só um príncipe... claro que tens teus deveres e responsabilidades, mas se já está reclamando agora nem imagino o que você fará quando for Rei! Deveria agradecer por mim não colocar um peso em suas costas, garoto! Você ainda tem muito o que aprender... eu sou a Rainha, eu tenho responsabilidades de verdade! Eu é que devia dizer que tenho muitas coisas na cabeça, mas você está me vendo reclamar?! - Ela fala gesticulando, o rosto sério o encarando. — Mas... mãe... - Ele tentou dizer algo. — Já chega, Fhilipe. - Ela o interrompeu, voltando a comer. — Mamãe, por favor, Fhilipe também tem responsabilidades assim como você e o papai. - Nora disse tentando defender o irmão. Fhilipe percebe e dá um pequeno sorriso de canto, porém logo abaixando a cabeça, com medo de ouvir mais palavras da boca de sua mãe. E enquanto o seu pai? Bom... seu pai, o Rei Nathanaell Willians Norteuest, ele é um homem frio, rígido e de poucas palavras, não abaixa sua cabeça para ninguém, e como alguém que tira vantagens de sua posição como governante de um povo, ele é egoísta, manipulador e grosseiro. Os seus filhos por outro lado são dóceis, meigos, e gentis... principalmente a Princesa Nora, a irmã mais nova do príncipe. — O café acabou. Vão trabalhar. Eu e sua mãe precisamos conversar. - Nathanaell cortou a briga. Fhilipe e Nora se levantam da mesa, deixando a sala. Seus criados começam a organizar o lugar, limpando cada canto em silêncio. Andando pelos corredores do Palácio, Fhilipe mantinha o olhar no chão e os dedos apertavam a própria manga. — Por quê minha mãe é assim? Por que sempre é tão estressada comigo? Eu também tenho responsabilidades! - Soltou alto, fazendo com que os pássaros que estavam na janela do corredor saíssem voando para longe. De repente... — No que você anda pensando tanto? - Nora perguntou, aparecendo atrás dele, fazendo ele levar um susto. — Nora! Por tudo que é mais sagrado... para de me dar susto, mulher! Eu vou ter um treco uma hora. - Ele grita, enquanto dá um leve empurrão na sua irmã. — Meu Deus, Fhilipe! como você é medroso. - A princesa disse rindo. — Fica quieta, pirralha. - Ele responde, enquanto os dois riem juntos. Andando juntos, Nora percebe o olhar cansado do irmão, mesmo tentando esconder os sentimentos, Fhilipe sempre pode ser ele mesmo com sua irmã. A única que sabia tudo sobre ele, desde criança. Mesmo sabendo que era teimoso, ela insistiu em perguntar: — Maninho, você não quer se tornar rei, não é... ? - Pergunta num tom baixo, olhando para o chão. Fhilipe para. Ele trava com a pergunta da irmã, pois sabe que ela entende o que ele quer, ou até mesmo pensa. — Eu... eu quero ser eu mesmo, Nora. Eu quero ter alguém que me aceite e me ame da mesma forma que você... - Ele soltou como se segurasse o coração na mão. Nora sem saber o que dizer ao irmão, apenas o abraça. E naquele momento era tudo o que ele precisava. Logo após a conversa os dois seguem para aula de esgrima no salão de luta, onde Nora perde para Fhilipe incontáveis vezes, mas isso para eles era um momento de felicidade, na qual ambos podiam se divertir na companhia um do outro. Enquanto isso... O Rei e a Rainha, no Palácio da corte, discutiam sobre o casamento arranjado do Príncipe, problemas da cidade e questões do castelo. Até que o chanceler do Palácio chega com cartas enviadas pelo Rei Edward D'Mirantez, de primeira escrita para falar sobre o noivado de que de grande empolgação só tinha o Rei e a Rainha, afinal Fhilipe não aceitava ter alguém qualquer apenas por aliança ou honra, porque para ele o amor não nascia desta forma. —Vossa Majestade, com licença. - Diz o chanceler com todo o respeito para que não os atrapalhasse. — Sim, Lumière, traga-as aqui por gentileza. - Viktória, a rainha, falou calmamente. Lumière as coloca na mesa e faz reverência ao Rei e a Rainha. Em seguida saí em silêncio. Assim que sai, ele vai até Luca que estava lendo sozinho na biblioteca, escrevendo poesias em seu caderno. — Luca ? - Lumière disse ao entrar na biblioteca que era incrivelmente bonita sob o sol da tarde, que entrava pelas grandes janelas. — Oi, Lumière! O que te trás aqui ? Você trabalha com cartas, mas m*l chega perto de livros. - Ele ri — Vai entender você, né. Lumière solta uma risada coçando a cabeça desajeitadamente. — Chegou uma carta, Luca... - Ele falou mudando o tom de voz. Luca o encara. — Uma carta? Pra mim ? - Perguntou com os olhos arregalados. Fazia muito tempo que ele não recebia cartas, para falar a verdade, só havia uma pessoa na qual Luca fazia questão de enviar e receber cartas : seu melhor amigo, Hiller. — Chegou agora pouco as correspondências reias, junto com as cartas para os criados... e essa aqui, está com um nome, mas sem endereço. Não pergunte como, mas sei que é para você. - Lumière comenta entregando a carta para o garoto, que a pega com as mãos levemente suadas. Logo agradecendo ao amigo. Lumière logo sai de lá, deixando-o. De quem será... ? - O garoto se pergunta. A carta "Caro Luca... estou a lhe enviar esta carta para te dar a notícia de que em breve irei me casar com Maria, ela está gravida de a menina. Gostaríamos que viesse para a festa e a cerimônia. Acontecerá na primavera, para celebrar o nascimento da nossa garotinha, a Merida. Assinado: Demain Beccari." — De... Demain?! - Ele trava, sem conseguir acreditar. — Demain? Quem é Demain, Leone? - Um dos criados pergunta curioso aparecendo atrás dele. — Ni... ninguém. Até mais tarde. - Luca respondeu saindo rápido e tentando segurar o choro. Já estava anoitecendo. Luca corria para fora da biblioteca com a carta na mão junto com o caderno. Suas lágrimas começaram a cair junto com as gotas de chuva que estava naquele céu escuro, ele correu direto para os fundos do Palácio Norteuest... entrou pela cozinha, quieto, ainda com o coração a mil, mas disfarçando as lágrimas para que ninguém perguntasse e porque ninguém precisava saber, até que ele esbarra em Nora, que sempre aparecia a noite na cozinha para cheretar o que seria o jantar. — Ai... me desculpa, eu... oh, princesa Nora, mil perdões, eu não estava olhando para onde estava indo, e acabei... - Ele para. Ela o interrompe. — Ai, meu Deus! você está bem, Leone? - Nora perguntou realmente preocupada e com uma delicadeza e gentileza que só ela tinha. — Eu estou bem, obrigado, princesa. - Luca agradeceu fazendo reverência a ela. Nora faz de volta, segurando a barra do seu vestido. Ela logo percebe os olhos vermelhos de choro, porém Luca não parecia querer conversar. De repente, Fhilipe aparece na cozinha, meio desajeitado e cansado. — Nora, tudo bem?! Aconteceu algo? - Ele olha para Luca rapidamente por cima, logo puxando sua atenção para a irmã. — Eu esbarrei no Leone e estava me desculpando, pois foi eu que não o vi entrar. - Ela fala, tirando a culpa de cima do rapaz, pois Fhilipe era protetor com ela. — Entrar? Você estava lá fora, Leone? - Pergunta. E uma pequena faísca de compaixão é percebida por Luca. — Estou bem, Vossa Alteza. Obrigado os dois pela preocupação. Eu devo ir agora, com licença, príncipe Fhilipe, princesa Nora. - Luca sai, deixando-os um tanto curiosos e preocupados. — Ele não parecia bem... - Nora comenta vendo ele sair. — Né, Fhilipe? An... Fhilipe? - Ela vê o irmão com o olhar fixado na porta. Ele... estava bonitinho com o cabelo molhado. - Fhilipe pensou, sentindo o rosto arder. — i****a, i****a, i****a. - Luca diz para si enquanto caminha. — O que você estava pensando? Esbarrou na princesa, e o príncipe... oque foi aquilo? Parece que ele... se importou... não, deixa, é coisa da minha cabeça. Luca entra no seu pequeno quarto, pegando roupas secas para vestir. E um pano para secar o cabelo molhado que pingava em seu rosto. O príncipe passando pelo quarto do Luca, o ouve reclamar de estar encharcado. — Ok... eu estava m*l, mas meu Deus! que idiotice ter saído na chuva! — Lu... Luca. - Fhilipe solta bem baixinho, como um sussurro. Até que percebeu que ele estava tirando a blusa para se trocar e de novo sentiu o rosto arder... apenas para correr para longe. Luca olha para porta, sentindo que alguém tinha passando por lá. Enquanto isso no quarto de Fhilipe... — Meu Deus! Fhilipe, oque você estava pensando?! O rapaz estava tirando a... a blusa. - Ele fica vermelho. — Por que eu me senti assim do nada? Ele é só um... garoto, e eu gosto de mulheres! - Ele bota a cara no travesseiro. Saindo do quarto, Luca avista Nora se aproximando. — Leone, você poderia chamar o Fhilipe para o jantar, por favor? — Ah, e você está melhor agora? Você tava todo molhado quando entrou e... não parecia bem. - Nora murmurou. Ele ajeita a postura antes de responder. — Claro, princesa, eu o chamo, seus pedidos são ordens. E sim, eu estou melhor, obrigado por perguntar. Eu estava na biblioteca por isso cheguei molhado, e logo vim me vestir. - Luca comenta. — Ah, tudo bem então, Leone. Por favor, diga ao Fhilipe para não se atrasar, ele tem esse péssimo hábito. - Ela ri. Luca ri baixo, em seguida indo ao quarto de Fhilipe. Ele entra batendo na porta. — Com licença, Vossa Alteza. - Luca falou parando perto da cama. — É Fhilipe... pode me chamar de Fhilipe. - Ele interrompe Luca, que logo fica vermelho, olhando para os pés, de olhos arregalados, sem acreditar que Fhilipe falou com ele diretamente. — É... certo, Fhilipe, bom... a Princesa Nora pediu pra mim te chamar para o jantar. - Falou nervoso. — Estou indo. Obrigado, Luca. - Fala passando por ele que fica mais vermelho que um pimentão. — Ele me chamou pelo nome...?! - Diz tampando a boca de felicidade e surpresa. Fhilipe chega na sala. Seus pais conversando sobre os negócios. Sua irmã brincando com a comida. Os criados ajeitando o restante da mesa. — Está atrasado. - Sua mãe fala, sem tirar o olhar do prato. — Desculpa, mãe, eu só estava ... - Ele é interrompido. — Sente-se, Fhilipe. - Viktória responde. — Sim, senhora. - Ele apenas senta obedecendo. A mesa fica em silêncio, até que Nathanaell decidiu falar sobre a carta do Rei Edward. — Então, a carta do Rei Edward chegou hoje com sua "resposta". - Solta de um jeito estressado. — Por que disse dessa forma, papai? Algo errado? - Nora pergunta. E Fhilipe imediatamente travou os olhos no pai, que estava claramente irritado com aquilo. — Bom, digamos que o Rei está conversando com outra família sobre o casamento. - Falou colocando os cotovelos na mesa e os dedos se entrelaçando. — O quê ?! - Os três soltaram juntos. Viktória perguntou brava. Nora com um sorriso leve. E o Fhilipe? Ah, ele perguntou quase levantando da cadeira de tanta felicidade. — Como assim outra família ?! - Viktória largou o garfo. — Não estava nos nossos planos, querida, mas, se o Rei decidir que não quer, Fhilipe não se casará tão cedo... e isso? Isso é um problema. - Nathanaell solta como uma ameaça. Os pais olhando para ele. A pressão e angústia crescendo. Fhilipe começou a apertar a calça por baixo da mesa. — Então eu... eu estou livre? - Perguntou nervoso. — Livre? Você acha que está nos fazendo um favor? - Viktória o olhou com uma chama de raiva em seus olhos. — Eu pensei que... - Ele é interrompido novamente. — Você não entende o que eu e seu pai fazemos pra manter você e sua irmã bem! - Ela fala aumentando a voz. — Eu e minha irmã ?! Tá falando sério ? Como se você se impotasse com alguma coisa além de você mesma, sua... - Ele abaixa a voz. — Tudo o que eu faço é para o bem de vocês! - Viktória bate na mesa. Fhilipe levanta da cadeira, quase a fazendo cair no chão. — Nosso bem ?! Vocês fazem o que é melhor e mais vantajoso pra vocês dois. Estão me forçando a se casar com Anastasia por que com isso vocês terão terras e pilhas de dinheiro! - Ele solta a angústia numa fala. Olhando para Nora, ele percebe o erro que cometeu. Seus pais o encaram com os rostos sérios. — O que você falou, Fhilipe...?! - A sua mãe pergunta. — Eu não quis dizer isso, eu... - Ele tenta se desculpar, as palavras não saem, ele sente as mãos suando. Nora sai da sala correndo, sabendo que a discussão não vai acabar ali. — Queito, Fhilipe! Você vai se casar querendo ou não! — Você não pode me obrigar a se casar ! - Ele grita. Viktória o olhou e levantou batendo a mão na mesa com tanta força, que as taças de vidro se bateram entre si, se quebrando. — Você mora na minha casa! Você acha que suas coisas aparecem magicamente quando você quer?! Eu te dou tudo o que você tem, e é melhor você cuidar com o que fala para mim, seu muleke! - Ela gritou, a voz ecoando pela sala. — A culpa não é minha de você não ter o que quer! - Fhilipe fala com a mão no peito. — Ja chega, Fhilipe! - Ela grita. — É a minha vida, droga! Viktória arregala os olhos, Fhilipe trava. — Vai para o seu quarto. Agora. - Nathanaell fala levantando devagar, segurando Viktória pelo braço. O garoto encara a mãe que o olha como um demônio. — Sim, senhor... - Ele responde baixo. Fhilipe saiu de lá com o coração acelerado, as lágrimas escorrendo pelo rosto assim como a chuva caía la fora. Luca o vê correndo para o quarto, ele tinha ficado perto da porta da sala, e acabou escutando tudo o que aconteceu. Cada palavra dita, cada sentimento naquele lugar maldito. Ele foi até a porta do quarto e bateu entrando devagar, encontrando Fhilipe sentado no chão, encarando os próprios pés, os olhos vermelhos de tanto que estava chorando. — Vossa Alteza...? - Luca pergunta num tom baixo. - O senhor está bem? Precisa de algo? - Ele fala se aproximando, esquecendo que não podia chegar tão perto do Príncipe sem ser para serviço. — Você ouviu a conversa, Luca... você ouviu as coisas horríveis que ela falou pra mim, como se eu fosse seu fantoche. Me desculpa... - Fhilipe abaixa a guarda. — Pelo o que? - Luca o olha surpreso. Ambos com o coração machucado por suas razões. — Por estar dessa forma na sua frente... — Tá tudo bem, você me viu chorando mais cedo, então é justo. E sua mãe não é nada fácil. - Solta dando indireta. — É, ela não é. - Fhilipe fala abaixando a cabeça. — Você quer desabafar comigo...? - Luca pergunta. — Eu aceito, Luca, mas não tenho muito o que dizer... 40 minutos depois... — O que ela espera que eu faça?! Eu também tenho deveres e responsabilidades... a minha vida inteira foi programada para o dia em que eu me tornaria, a minha mãe - Fhilipe bufa revirando os olhos. — Ela manda em cada dia da minha vida! Ela quer que eu fale como ela, aja como ela, seja como ela! Mas eu não sou! E... acho que falei até demais...né? - Ele deu um sorriso i****a e meio sem jeito, vendo Luca rir. — Bom... tudo bem, eu gostei de ouvir você. Você é mais humano do que eu pensava. - Ele diz vendo Fhilipe o encarar na última frase. — Desculpa se eu sou frio com você. Eu sempre faço as mesmas coisas, só converso com Nora, e... eu pensei que você não gostava de mim na real. - Ele assumi, mostrando que repara. — Ta tudo bem, acho que eu acabaria sendo igual você... eu também não falo com muita gente. E obrigado. — Pelo o que? - Fhilipe pergunta. — Por tudo. - Diz Luca levantando da janela. Logo após a conversa, ele prepara o banho de Fhilipe, o ajudando a tirar suas vestes. Já era quase meia noite, quando Luca saio do quarto real, se despedindo do Príncipe, que pela primeira vez Luca viu sorrindo, sentindo o ar leve, como se uma conversa fosse tudo o que ambos precisavam naquele momento desprezível e doloroso. Pois com tantos sentimentos, mágoas, palavras que cortavam como lâmina... um desabafo para eles foi como um remédio mágico. — Boa noite, Príncipe Fhilipe. - Luca diz ao parar na porta antes de sair. — Boa noite, Senhor Luca Leone. - Fhilipe ri, fazendo com que o clima ali terminasse bem junto com a longa conversa. E a noite continuou se estendendo, a chuva ainda caía lá fora escorrendo pelos telhados do Palácio: escuro, frio, guardando histórias e sentimentos que talvez nunca fossem ditos, pelo menos... não em palavras faladas. Fhilipe ainda se revirava na cama, as palavras de sua mãe gritando em sua mente. Nora chorava na ponta da janela, suas lembranças doendo no peito. Luca cantarolava baixo em seu quarto, fingindo que a dor que sentia já não estava mais ali. Foi um dia qualquer para todos. E ao mesmo tendo foi um dia tenebroso. A angústia virou medo, o medo virou gritos, os gritos viraram taças que se quebraram ao colidir. O silêncio pelo Palácio era como uma dor insuportável, enquanto os sussurros dos criados preenchiam os corredores. Antes que Luca pudesse fechar seus olhos, alguém bate na porta: — Você gosta do rapaz? - Lumière pergunta ao se encostar na parede. — Ah, Lumière... aquele sorriso, e aqueles olhos. Ele não é frio e horrível como todos dizem, só é quieto. - Luca fala sentando no chão, com a cabeça apoiada na cama. — Bom... hoje foi um dia r**m para todos nós. - Lumière solta com um olhar triste, enquanto olhava para a chuva caindo la fora. — Sim... foi mesmo. - Luca diz, lembrando tudo o que chegou aos seus ouvidos e olhos. — Boa noite, garoto. Espero que amanhã seja um dia melhor. - Lumière fala fechando a porta. Luca cansado apenas fechou seus olhos, foi o bastante para que dormisse ali mesmo. A noite se seguiu. O barulho da tempestade sendo o único apoio que todos tinham naquele momento, enquanto os olhos se fechavam, e por um instante tudo parecia melhor...

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