Sebastian O ronco grave do motor esportivo cortou o silêncio da manhã como um lembrete de tudo que eu estava prestes a deixar escapar. A luz cinzenta que atravessava as janelas refletia meu humor — pesada, fria, incerta. Do alto, atrás da cortina espessa do meu quarto, observei tudo. Invisível. Silencioso. Um espectador forçado do próprio erro. Ane foi a primeira a surgir. Usava jeans justos e uma blusa branca que moldava seu corpo de forma casual, mas letal. O cabelo solto deslizava com a brisa suave, e os óculos escuros escondiam os olhos — os mesmos que, horas atrás, me encararam com desafio. E ainda assim, mesmo protegida pelo escudo da indiferença, ela irradiava algo impossível de ignorar. Liberdade. Uma liberdade que eu nunca tive. Que nunca dei. Que sempre destruí nos outros, an

