MAIA LIRA VEGAS
Neste dia 18/05/2023.
Os piores dias da minha vida tiveram início. Acordei às 4 da manhã, buscando consolo no céu estrelado da nossa fazenda distante da cidade. Aqui, em meio à grandiosidade, vivíamos confortavelmente. Embora não fossemos ricos, nunca nos faltou nada, principalmente amor.
Naquela época, não contávamos com uma empregada para os afazeres domésticos. Em vez disso, contávamos com alguns funcionários para auxiliar com os cuidados dos animais na fazenda. Eles tinham uma aura peculiar, como se pertencessem a um mundo distinto, de outro mundo, sabe! Mas eram pessoas boas. Mantinham um respeito genuíno por nós e pelos nossos pais. Era uma dinâmica única, onde a colaboração e o respeito criavam uma atmosfera especial no nosso lar.
Os meus pais nos incutiram a independência em todas as nossas ações. Desde cedo, fomos orientados a ser autossuficientes em tudo que empreendíamos. Essa lição moldou como encaramos a vida e nos proporcionou valiosas habilidades para enfrentar desafios com determinação.
INICIO DA LEMBRANÇA
Sempre tive uma mania peculiar: acordar, às vezes, às 4h da manhã para apreciar e contemplar as estrelas. Havia dias em que essa necessidade era urgente, como se houvesse um chamado cósmico me convidando para essa conexão especial com o universo. Era um hábito que alimentava a minha alma e proporcionava-me um momento íntimo com a imensidão do céu estrelado.
Ao contemplar o céu do lado de fora da casa, deitada numa espreguiçadeira, o meu pai aparecia ao meu lado com uma xícara de chocolate quente. Era um gesto simples, mas cheio de carinho, como se ele entendesse a magia daqueles momentos sob as estrelas. A xícara quente nas minhas mãos aquecia não apenas o corpo, mas também o coração, criando uma memória afetuosa que permanece viva no meu peito.
Papai se aproxima carinhosamente, indagando —Não consegue dormir?- Ele senta-se ao meu lado na próxima espreguiçadeira, buscando entender a minha inquietação.
Com um suspiro sereno, eu, Maia, respondo — Já dormi o suficiente, papai. Só vim apreciar o céu. - Nessa troca, as palavras carregam um quê de tranquilidade e o calor da conexão, enquanto observamos juntos a imensidão estrelada. — Não está frio hoje. - acrescento, realçando a suavidade do momento e a cumplicidade entre nós.
Papai sorri, comentando — É um costume que você pegou de mim. - Juntos, os nossos olhares perdem-se na vastidão do céu estrelado.
Eu, Maia, respondo com um tom reflexivo — Se eu não soubesse que vocês são meus pais, diria que eu não sou da terra.- A sensação de pertencer a um lugar celestial, compartilhada entre nós, cria uma atmosfera de mistério e conexão profunda, intensificada pelo espetáculo celeste diante de nós.
Papai quebra o silêncio, perguntando —Você sente? - o seu olhar permanece fixo nas estrelas, imerso na contemplação noturna.
Eu, Maia, respondo com uma sinceridade profunda —Sim, como se eu não pertencesse a esse mundo, aliás, não só a esse mundo. - A sensação de desligamento da realidade terrena se mescla com uma compreensão ampla de pertencimento a algo maior, algo cósmico. Nesse diálogo silencioso sob o manto estrelado, compartilhamos uma conexão que transcende as palavras.
Papai, com um suspiro, confidencia — Eu entendo! Sabe, queria-te contar tanta coisa, querida.
Eu, Maia, olhando fixamente para ele, pergunto — Sobre? - Estou ansiosa para ouvir o que ele tem a compartilhar.
Papai, com um olhar cheio de mistério, começa a dizer — Sobre o mundo de onde vivemos e viemos..., - mas é interrompido. Deixando um suspense no ar. Deixando a promessa de revelações fascinantes e um toque de enigma.
Mamãe se aproxima, dizendo — Querido, vamos? - Olho para ela enquanto se dirige até nós. — E você, mocinha (aponta para mim), — trate de levar a sua irmã na escolinha hoje e cuide dela. Voltamos para o jantar.
Respondo com um — ok, mamãe. - revirando os olhos de brincadeira. Então, questiono com uma pontinha de curiosidade —Vão trabalhar mais cedo hoje? Aliás, tão cedo.- A tentativa de descobrir mais sobre a agenda deles deixa um toque de leve ironia no ar.
Papai responde com um — Sim, tivemos alguns imprevistos, - concordando com a cabeça. Há uma nota de seriedade na sua expressão, indicando que o dia pode ter tomado um rumo inesperado.
Eu pergunto com um olhar ansioso: — E pai? - Ele olha-me e eu acrescento — Quando você chegar, conte-me mais. - Um sorriso se forma nos rostos dele, que olha para mamãe e ambos sorriem, como se comunicassem algo, ele concorda, e eu, emocionada, expresso o meu amor: — Amo vocês!
E foi a última vez que os vi. A despedida, permeada por sorrisos e palavras de carinho, cria uma memória agridoce, eternizada na minha mente.
Naquele mesmo dia, mais tarde...
Estou em casa, busquei a minha irmã caçula na escolinha e fiquei cuidando dela. Enquanto isso, em meio às responsabilidades, aproveitei para conversar com um amigo pelo celular e gerenciar minhas redes sociais. Apesar de ter uma certa popularidade, percebo que nenhum deles é realmente um amigo, apenas conhecidos.
Nunca tive tempo para cultivar amizades tão profundas como irmãos. Nunca me preocupei muito com isso, não era do meu feitio apegar-me. Embora tenha tido várias amizades de conhecidos, agora sinto falta de ter alguém como confidente, alguém único com quem compartilhar as minhas alegrias e preocupações. A solidão desses momentos destaca a importância de laços mais íntimos e duradouros na vida
Uma garota nerd nem sempre encontra amizades facilmente. Preciso transmitir essa realidade à minha irmã. Às vezes, o mundo pode parecer solitário para quem se entrega aos interesses nerds. Quero ensinar-lhe que a verdadeira amizade é valiosa, mesmo que seja mais difícil de encontrar. É uma jornada que carrega as suas dores, mas também a promessa de conexões autênticas que fazem toda a diferença.
No final do dia, aproveito para assistir a uma série na TV. A minha irmã se junta a mim, habilmente multitarefa, contando sobre o seu dia na escolinha enquanto desenha. Observo maravilhada, questionando como ela consegue. "Garota gênio", penso, reconhecendo que também compartilhamos essa habilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. É um momento simples, mas cheio de admiração pela astúcia da minha irmã.
Olho para o relógio, marcando 20h. Percebo que pela hora já é tarde; os meus pais deveriam ter voltado às 18h. Provavelmente, algo aconteceu. Decido ir à cozinha preparar o jantar, considerando o atraso deles. Abro a geladeira para decidir o que farei ou peço-se uma pizza, enquanto fico perdida em pensamentos. Nesse momento, o telefone toca, e para minha surpresa, é minha irmã quem atende. O pressentimento de algo fora do comum começa a pairar no ar.
Aproximo dela e escuto a conversa.
— Alô..., sim, ela está... quem quer falar com ela? - a minha irmã me entrega o telefone, os seus olhos expressando uma leve confusão. — É um homem - ela dá de ombros e corre para a sala. Uma mistura de curiosidade e apreensão toma conta do ambiente, enquanto eu pego o telefone, imaginando quem poderia ser e o que ele tem a dizer.
Pego o telefone. — Oi?
— Falo com a senhorita Maia? - A voz do outro lado soa estranha.
— Sim, quem é o senhor? - Respondo, mas sua frieza cortante deixa o meu tom tingido de tristeza. Uma sensação de apreensão toma conta de mim, enquanto aguardo a resposta que parece carregar más notícias.
— Sou o Detetive Foxter, os seus pais sofreram um acidente, vou passar o endereço, anote - diz frio e rude. A notícia golpeia o meu coração como um soco, e o tom indiferente do detetive intensifica a dor. A frieza da suas palavras contrasta brutalmente com a gravidade da situação, deixando-me atordoada e angustiada diante da terrível realidade que se desenrola.
Estou em choque, tento escutar o endereço, buscando fixar na memória. Lá fica a delegacia? Espera? Meus pais? Antes que eu pudesse formular uma pergunta, ele desligou o telefone. Fico ali, com o aparelho nas minhas mãos, ouvindo apenas o silêncio que se seguiu ao desligar abrupto. Tento engolir a realidade do que acabei de ouvir, mas é como se estivesse presa num pesadelo. Deus, não pode ser verdade. Preciso ser forte, respirar fundo, mesmo com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, tentando digerir a notícia avassaladora que acabou de me atingir.
Subo para o quarto da minha irmã, pego uma blusa de frio para ela e outra para mim, já que a noite está um pouco fria. Desço as escadas e encontro a minha irmã na sala, concentrada em desenhar algo. O contraste entre a normalidade do momento e a tragédia que acabou de ser revelada deixa-me perplexa, mas, por enquanto, a rotina parece ser o refúgio silencioso diante da tempestade.
Chamo a minha irmã. — Adhara - A palavra parece pesar no ar, carregando consigo a tristeza e a incerteza que tomaram conta do momento. Ela olha para mim, os seus olhos atentos
Adhara pergunta-me — Você está chorando? - Ela para o que está fazendo, dando total atenção a mim, e pergunta preocupada. Sorrio para ela, mas não sei como responder. O que dizer em meio a esse turbilhão de emoções avassaladoras? As palavras parecem estar trancadas na garganta, e só consigo assentir, deixando que as lágrimas silenciosas comuniquem o que as palavras falham em expressar.
— Vamos pegar as suas coisas para você continuar a colorir em outro lugar? Precisamos sair, dar um pulo num lugar, tudo bem? - Digo triste, sentindo o peso das palavras. Ela me olha com uma expressão desconfiada.
— Tudo bem. Aia, mas sei que você não está bem. - Ela levanta e pega as suas coisas, colocando-as na sua mochila. A conexão silenciosa entre nós revela que ela percebe a tristeza que não consigo esconder.
Adhara, às vezes, tinha a mania de me chamar de AIA, pois ela não conseguia pronunciar MAIA corretamente. Essa peculiaridade na forma como ela me chama persiste até hoje,
Antes de sair de casa, tranco as portas, seguindo o hábito que sempre fui ensinada a fazer. Ao entrar no carro, coloco o endereço no GPS, tentando lembrar um pouco da trajetória, mesmo que não tenha prestado muita atenção antes. Respiro fundo, buscando coragem para enfrentar o desconhecido que me aguarda. O trajeto agora parece uma jornada cheia de incertezas, refletindo o turbilhão de emoções que se desenrola dentro de mim.
Adhara olha-me do banco de trás, preocupada — Tem certeza de que está bem? - Eu concordo com a cabeça, colocando o cinto de segurança nela antes de sair.
Cada gesto agora parece carregado de significado, e a normalidade das ações diárias torna-se um lembrete de quão frágil é a estabilidade que conhecíamos.
Chego no endereço indicado pelo GPS, e vejo a palavra "delegacia" estampada na fachada. Juro que nunca vi essa delegacia antes. Conheço uma que é frequentada pelos amigos dos meus pais; talvez devesse ter ido até lá. Mas o homem no telefone mencionou o Detetive Foxter, o que me fez optar por este local. O desconhecido agora parece um labirinto de escolhas, e a incerteza paira enquanto me aproximo do prédio.
Saio do carro e a minha irmã sai do banco de trás. Pego na mão dela, buscando conforto mútuo, e juntas atravessamos as portas duplas da delegacia. O ambiente austero e desconhecido parece envolver-nos, enquanto nos encaminhamos para o que parece ser um caminho repleto de respostas e, talvez, mais perguntas. A sensação de vulnerabilidade aumenta a cada passo dentro desse novo cenário.
— Delegacia? O que houve? - a minha irmã, com a sua pouca idade, fala e observa como uma adulta. Ela me olha com questionamentos evidentes.
— Prometo-te contar. - as minhas palavras são carregadas de uma promessa que espero poder cumprir. Ela concorda, e a confiança entre nós se torna uma âncora silenciosa enquanto enfrentamos o desconhecido juntas.
Na primeira sala, há duas cadeiras como recepção e, ao fundo, um balcão comprido sem ninguém atrás. O silêncio que paira no ambiente me faz arrepiar. Fico perto do balcão, esperando em meio a esse vazio sonoro. Em questão de minutos, escuto passos ritmados de um salto e vejo uma senhora vindo em minha direção. O som dos saltos parece ecoar no ambiente silencioso, intensificando a tensão que paira no ar.
— Olá Srta. Maia? - A senhora se dirige a mim de maneira prestativa, questionando se sou eu.
— Sim - respondo, sentindo-me apreensiva. Internamente, rezo para que isso seja apenas uma brincadeira de mau gosto, um equívoco que se desfaça rapidamente.
— Sinto muito pelo ocorrido. - A senhora abraça-me e também abraça a minha irmã, que me olha sem entender completamente, mas já suspeitando de algo. — Venham. - Ela diz com doçura e amabilidade, convidando-nos a acompanhá-la. Cada gesto gentil dela contrasta com a gravidade da situação, criando uma mistura de emoções difícil de processar. A palavra "ocorrido" paira no ar como uma sombra desconhecida, aumentando a ansiedade enquanto seguimos a senhora por corredores desconhecidos.
Sigo-a até uma pequena sala fria e totalmente cinza, com uma mesa onde alguns papéis estão meticulosamente alinhados ao lado de lápis e canetas. A atmosfera é sinistra, penso comigo mesma. Logo atrás, há um homem de terno completamente preto, aparentando ter os seus 60 anos, careca, com uma expressão fria que parece desafiar o calor do ambiente. O contraste entre a sala e as pessoas que a ocupam adiciona um toque ainda mais sombrio à situação.
— Você poderia ficar com a minha irmã? - Pergunto para a senhora amável, que sorri e concorda.
— Mas eu quero ficar com você, Aia. - Ela faz um bico, revelando a sua expressão infantil e desejando a minha presença. A troca de olhares entre nós reflete a compreensão silenciosa de que algo sério está acontecendo, mas tento transmitir tranquilidade mesmo diante do desconhecido que se desenha à nossa frente.
— Dara, preciso que você vá com essa senhora (cujo nome ainda não perguntei) para que eu possa conversar com o Sr. Foxter. Prometo que, quando sair, vou contar-te tudo.
Ela bufa — você deve-me um sorvete - sorrio e a abraço, concordando. Ela sai com a senhora, enquanto eu me sento na cadeira de frente para o Sr. Foxter. O ambiente parece carregado de tensão, e a perspectiva da conversa que se seguirá deixa um nó apertado no meu peito.
Supus que ele não poderia ser pior do que no telefone, mas estava enganada. O Sr. Foxter começou a despejar tudo, sem dó e sem o menor cuidado. Suas palavras eram como pedras sendo atiradas, e cada uma delas parecia perfurar meu coração, deixando uma dor indescritível. A notícia que ele trazia era um golpe brutal, uma realidade que eu não estava preparada para enfrentar. O ambiente à minha volta parecia desmoronar, e a frieza com que as palavras eram proferidas tornava tudo ainda mais difícil de suportar.
Ele contou que onde os meus pais trabalhavam houve um acidente, uma explosão. Eles estavam a conduzir uma pesquisa que não deu certo e resultou na explosão de todo o andar em que estavam. No final, não havia corpos para enterrar. Eu estava tentando ser forte, segurando as lágrimas, mas era impossível. Na verdade, eu não queria acreditar. Eu os vi hoje cedo; o meu pai prometeu-me contar mais histórias, e agora eles foram-se. O impacto da notícia reverbera dentro de mim como uma tempestade, deixando um rastro de dor e incredulidade.
— Essa é a senhora Zilá; vocês vão ficar com ela até o andamento de todo o processo. - Sr. Foxter diz, dando ordens. Nem tinha percebido que a Sra. Zilá, cujo nome descobri agora, era a mesma senhorinha que nos recebeu e entrou na sala. O ambiente fica carregado com a seriedade da situação, e a presença da Sra. Zilá parece ser uma constante nesse novo capítulo da minha vida.
— Não precisa. - Digo o óbvio. Tenho idade e maturidade suficientes; não preciso de alguém cuidando de nós. A independência e a resistência brotam nas minhas palavras, apesar do turbilhão emocional que estou a enfrentar.
— Precisa! - Foxter diz, frio e dando ordens. Reviro os olhos, mas a sensação de impotência diante da situação me consome.
— Não precisa, sou maior de idade e posso muito bem cuidar da minha irmã e de mim. - Digo firmemente, tentando reafirmar a minha autonomia diante da insistência do Sr. Foxter. A determinação nas minhas palavras é uma tentativa de preservar o controle sobre a minha vida diante das mudanças abruptas que estão a ocorrer.
— Pela lei, você é menor, só será maior com 21 anos. - Foxter responde, destacando a frieza das leis que agora regem a minha vida. Não quero ficar com ninguém, será que ele não entende? Queremos viver o nosso luto sem pessoas estranhas, sem intervenções indesejadas
— De as chaves da sua casa, vamos buscar as suas coisas. - Ele diz autoritário, como se estivesse a traçar o rumo da minha vida sem dar espaço para a minha opinião
— Não precisa, eu irei para minha casa e conversarei com o advogado dos meus pais e meu amigo delegado, que acredito que você o conheça, o Sr. Alcântara. - Invento um nome, tentando usar qualquer recurso disponível para manter ao menos um resquício de controle sobre a situação.
— Conheço. - Foxter diz seco, mas eu peguei-o na mentira, bingo. — Mas tudo bem então, se você quer voltar para sua casa e acha melhor assim, então que vá. - A aceitação relutante na sua voz indica que, apesar da autoridade, ele percebe que não tem controle total sobre mim.
Antes que eu falasse, alguém bate na porta, e a Sra. Zilá diz: — Está tudo certo, senhor - ela diz e sai, mas ela não estava aqui dentro já? Ela saiu e não percebi. A confusão momentânea ressalta a estranheza e desconforto da situação em que me encontro, cercada por figuras que agora desempenham papéis cruciais na minha vida.
— Vou-te acompanhar até a saída. - Foxter chega perto de mim, e eu levanto-me. Ele abre a porta, e vejo a minha irmã deitada no colo da Sra. Zilá. Preocupo-me e chego perto dela, tentando constatar o que aconteceu. O nó na minha garganta aperta, enquanto a minha mente tenta processar cada detalhe dessa trágica reviravolta nas nossas vidas.
— Não se preocupe, ela chorou tanto que acabou adormecendo. - A Sra. Zilá tenta-me tranquilizar, mas seus olhos revelam a compaixão diante da nossa dor. A visão de Adhara adormecida, talvez buscando refúgio nos sonhos diante da c***l realidade, aumenta a sensação de impotência e tristeza que paira sobre mim.
— Chorou? - Olho interrogativa para ela, buscando entender como a minha irmã lidou com a notícia.
— Pensei que ela sabia do ocorrido, acabei comentando sem querer, desculpa! Mas já conversei com ela sobre, e ela acalmou-se um pouco e logo adormeceu. - Concordo com a cabeça, mas não engulo isso, tento pegá-la. As minhas mãos tremem um pouco enquanto a seguro, procurando o conforto do seu sono inocente em meio à tempestade que nos cerca.
— Não se preocupe, meu amor, eu levo-a e ajudo-te. Vamos? - Ela diz, indo à frente. Sigo-a, saindo da delegacia. Arrepio-me quando saio, não é só pelo frio; há algo mais... Olho para trás e percebo, sem acreditar, que a fachada da delegacia não está mais lá. No seu lugar, apenas uma casa m*l acabada, velha e abandonada há muito tempo. O que está acontecendo? Uma sensação de confusão e inquietação toma conta de mim.
— Mas que p***a. - Sinto um puxão, e o cara me prende nos braços, percebo ser do falso Detetive Foxter. O desespero toma conta de mim enquanto tento entender o que está acontecendo. Minhas mãos tremem, e meu coração dispara, sentindo-me aprisionada em um pesadelo do qual não consigo acordar.
— Ei, me solta. - Consigo dizer antes de sentir algo no meu pescoço e adormecer. A escuridão me envolve, e minha consciência desaparece, deixando para trás a incerteza e o medo.