Capítulo 8

1328 Words
A Rebeca desviou o olhar, procurando o Pablo nas mesas, respondeu: — Não, nem tudo. Eu me senti acolhida e querida, foi fofo, mas agora que sei o porquê de tudo isso, me dói muito mais ter acreditado e achado que era real. Assim como quando a Lara me tratava muito bem, porque estava interessada em mim e eu, toda inocente, achava que ela simplesmente queria ser minha amiga. Ela voltou a olhar para a Kim, continuou falando séria: — A vida toda meu tio me alertou sobre pessoas assim, mas eu nunca soube como era bom ser tão bem cuidada e ganhar carinho dessa forma, agora eu sei. Achei que era merecedora de tudo aquilo. Só que nunca mais vou conseguir acreditar em ninguém! A Kim apertou a mão dela e respondeu triste: — Nada que eu faça ou fale vai mudar isso, não é? Não importa o quanto eu me desculpe ou seja sincera. Eu posso ter errado, mas você tem sua parcela de culpa, olha nos meus olhos e me fala que não correspondeu às provocações dele? — Foi assediada, coagida e não gostou? Não correspondeu? A Rebeca soltou a mão dela e falou com os olhos cheios de lágrimas: — Não importa o que eu faça ou fale, o quanto seja sincera. Nada vai mudar, não é, Kimberly? Ela se afastou, foi até o Pablo, falou que não estava se sentindo bem e que queria ir embora. Ele respondeu irônico: — Quer ir embora? Sério? Meu tio está vindo pra cá e eu vou ficar com ele. Ela se sentou cabisbaixa, levou as mãos ao rosto, apoiada na mesa, ficou quieta, porque realmente não estava bem. A pressão foi caindo drasticamente. Ele continuou falando irritado: — Se você quiser, eu peço pra alguém te levar embora, vou trabalhar, de novo não vamos poder ficar juntos. A Kim não te falou nada? — Meu tio vai se encontrar com ela! Você sabia que eles estão colocando ações e franquias daqui à venda? Ela continuou quieta. Ele a tocou sutilmente e falou: — O que foi? Rebeca? Ela levantou a cabeça e sentiu o nariz escorrendo, passou a mão e era sangue, disse levantando que precisava ir ao banheiro. m*l conseguiu parar em pé. Ele rapidamente se levantou, segurou ela, amparando, a colocou sentada. A Kim correu até eles, perguntou o que ela estava sentindo, disse pra ele que deviam ir ao hospital. A Rebeca falou que não precisava, que só queria ir embora de lá. O Noah estava entrando no restaurante com o Ramon, viram de longe que tinha algo acontecendo, se aproximaram. Irritada, a Rebeca falou, repetindo que estava bem e que não queria atrapalhar eles, disse que iria pra casa. A Kim falou preocupada: — Não, imagina, nem consegue parar em pé, eu vou pegar um quarto pra você, subo junto e você se limpa, deita e come alguma coisa, depois, quando eu acabar aqui, te levo pra casa. Ela saiu andando, foi na recepção. O Kobayashi chegou e o Pablo foi falar com ele, o Noah foi junto. O Ramon se sentou ao lado dela, falou irônico: — E aí? Levou um soco? Não disse que sabia se defender? Ela olhou muito séria, falou que não era da conta dele. Ele falou, segurando no rosto dela sutilmente: — Levanta a cabeça! Posso te perguntar uma coisa? Ela disse que não. Ele falou: — É verdade que você quer minha ajuda? Com as coisas da Kim e as suas? Ela ficou quieta. Ele continuou falando: — Sabe o que me diferencia do Noah? Nos negócios? Eu sou mais pé no chão e eu sei como é não ter nada. Se as coisas continuarem nesse ritmo, logo todos vão saber também! Ela disse que sempre soube e olhou pra ele, nos olhos. Ficaram se encarando em silêncio. Ele logo falou: — Eu só vou ajudar, por você e por ela, porque ela sempre me ajudou quando eu precisei e é alguém que eu sei que posso contar, quase sempre. Eu já cansei de te falar que não se deve confiar, vai investir seu dinheiro nisso, é loucura, vou direto ao ponto. — Faça as coisas por você e porque quer, nada pelos outros, seja lá o que for fazer. Sinceridade é algo que eu já não espero de você mesmo! Ela disse irônica, levantando: — É recíproco, vai ver aprendi com o melhor mentiroso de todos, você! O Pablo estava se aproximando, a segurou, ficou próximo, subiu com ela para o quarto. No elevador, perguntou o que ela estava conversando com o Ramon. Ela disse que nada demais. Ele falou sério: — E qual é a de vocês? Ficou com ele também? Ela disse irônica: — Também? Não entendi. Ele falou encarando ela profundamente nos olhos: — Ficou com o Noah, não ficou? Ela o encarou e disse que não, com nenhum dos dois. Ele respondeu, pegando ela no colo para sair do elevador: — Entendi, eu vou descer lá acompanhar meu tio, se eu te mandar mensagem, responde, por favor, e assim que der eu venho te buscar. Te levo no hospital ou pra casa, você decide! Ele a levou até o quarto, a colocou na cama, atencioso, arrumou os travesseiros, ligou a televisão, tirou as sandálias dela e lhe deu uma garrafinha de água. Assim que ele saiu, ela deitou com a cabeça pra fora da cama, ficou ouvindo a televisão e pensando que talvez fosse morrer, do nada, e nem seria tão r**m, pois não faria muita diferença na vida de ninguém. Começou a fazer uma retrospectiva de si própria e pensando no Neto, na Suzan. Depois de um tempo, uma funcionária abriu a porta e se deparou com ela lá, ainda deitada de cabeça pra baixo, falou sem jeito, surpresa: — Olá, desculpa entrar assim, eu vim trazer seu pedido, com licença! Você está bem? Ela foi entrando com o carrinho, tinha uma bandeja com frutas, suco, um filé com molho, porção de arroz e salada de folhas. A Rebeca falou olhando a moça: — Entra! Mas eu não pedi nada. A moça se aproximou meio sem jeito, disse que pediram pra entregar e verificar se estava tudo bem. A Rebeca se levantou, disse que estava bem. A moça saiu, o Tato chegou e foi direto no quarto. A Rebeca comeu um pouco e voltou a deitar, pensativa. Ele contou como foi a noite dele, disse que acabou t.r.a.n.s.a.ndo com a menina, mas que queria outra coisa, outra pessoa. A Rebeca falou irônica: — O Levi? O Tato disse que com ele era diferente, que não era só p.u.t.a.r.i.a. Ela falou séria: — E o que te impede de ficar com ele? Chateado, ele respondeu: — Você! Porque sou seu amigo e você vem me ajudando muito. Eu sei que rola algo entre vocês todos, você não fala com eles direito, vive de cara fechada, e apesar de eu não entender e de ninguém abrir o jogo, sei que ficar com ele prejudicaria nossa amizade e eu já perdi a Julie por causa dessas coisas. Então... Ela disse sentida: — Ele não vai te fazer bem, é só o que eu acho, não é de confiança, Tato. Mas não vou me intrometer, você tem sua vida, suas escolhas. Ele disse brincando: — Mas você é mais gata e me banca, espero não me decepcionar te escolhendo. Ela disse que ia tentar ser digna daquela devoção. Ele falou pensativo: — Eu falo sério sobre querer ser seu amigo, eu sou muito sozinho, minha família é uma m.e.r.d.a e, sem a Julie, eu não tenho ninguém. Não sei o que estaria sendo de mim sem sua companhia nesse último mês! Eles estavam deitados juntos, ela com a cabeça pra cima e ele pra baixo. Ela se sentou e falou que não queria muito dele, só a sinceridade e os maus conselhos. Ele respondeu: — Vamos ficar chapados? Você tá se sentindo melhor?
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