Sofia
Quatro dias depois
Era a parte da tarde e estava fazendo bastante calor hoje e eu estava sentada na beira da piscina. Eu estava usando um biquini vermelho e estava levemente inclinada para trás com o rosto em direção ao sol. Eu tinha acabado de dar um mergulho, então meu corpo estava todo coberto de gostas de água. No ambiente tocava uma música e estava tentando relaxar e me distrair dos eventos dos últimos dias cantarolando em francês junto com a vocalista.
— Vocês perderam a p***a de alguma coisa aqui? — Escuto Lorenzo encarando os dois seguranças que estavam caminhando não muito longe da área da piscina.
— Não chefe, estamos apenas seguindo a ordem do Mário e vigiando toda a área da casa. — Andrew fala.
— Você acha que eu sou cego? Pois então siga essa ordem agora. Não quero nenhum de vocês nessa área quando a Sofia estiver aqui ou vocês não vão gostar nada do que vou fazer com vocês se pegá-los olhando para ela novamente. Ficou claro? — Lorenzo fala irritado encarando o outro segurança que não me lembro o nome.
— Claro como Cristal. — O outro segurança fala e ambos se afastam sem olhar para trás. Vejo Lorenzo se aproximar da piscina me olhando, ele tira a camisa e o short revelando uma sunga de praia preta que estava linda nele. Seu corpo era todo forte devido aos exercícios que eu sabia que ele fazia, ele era lindo. Quando ele tira sua camisa havia uma tatuagem nova em sua costela que eu ainda não tinha visto e de longe eu não conseguia ver direto sobre o que era, mas despertou imediatamente minha curiosidade. Quando ele tinha feito isso? Tinha que ser muito recentemente, apesar de ele já ter algumas.
Lorenzo pula no canto mais extremo da piscina e começa a nadar na minha direção. Não demora muito sinto suas mãos nos meus pés quando ele chega no canto onde estou e logo ele se levanta na água jogando a cabeça para o lado. Um gesto impaciente dele para tirar o cabelo dos olhos.
— Precisamos conversar gatinha. — Ele diz com a mão na minha panturrilha.
— Você não acha que foi um pouco exagerado com aqueles dois seguranças? Afinal foi o nosso pai e você que colocaram eles aqui.— Digo tirando os fios do cabelo dele da testa.
— De maneira nenhuma. Aqueles idiotas não estavam trabalhando Sofia e eu vi muito bem o que eles estavam olhando. Eu não quero nenhum homem aqui enquanto você estiver aqui. — Ele diz irritado. Resolvo não dizer mais nada, até porque eu até preferia ficar sozinha aqui sem esses homens passando o tempo todo.
— O que você queria falar? — Pergunto ainda mexendo no cabelo dele.
— Estarei indo para Itália amanhã. Preciso administrar mais de perto os negócios da família. —Ele diz me dando um olhar direto.
— Tudo bem eu entendo. Quando você volta? — Pergunto e ele olha para o outro lado por um tempo e nesse momento eu sabia que ele iria dizer algo que eu não ia gostar muito.
— Eu não irei voltar Sofia. — Lorenzo fala e meu queixo cai.
— Como assim não vai voltar?
— Irei ficar por tempo indeterminado lá. Pode demorar anos para eu voltar...
— Então nos leve com você Enzo, não há porque ficarmos aqui se...
— Não! — Ele fala categoricamente sem nem me deixar terminar.
— Por que? Por que não podemos ir e por que você teria que ficar por tanto tempo lá? — Eu não entendia, eu não conseguia entender nada. Lorenzo suspira e coloca a mão na minha bochecha fazendo carinho.
— É o melhor gatinha. Aqui vocês estarão seguras e também aqui você pode terminar seus estudos.
— Seguras do que afinal? Há algum motivo para você e meu pai sempre terem colocado tantos seguranças na casa e com a gente? Há algo que eu não sei? — Pergunto e o vejo desviar o olhar um instante, mas logo em seguida ele olha novamente para mim. Esse jeito de desviar o olhar era típico dele quando não queria dizer algo, mas como o movimento durou apenas um segundo, então eu já não tinha certeza do que tinha visto em suas feições. O Lorenzo estava mudando muito. Eu não sabia ao certo o que era, mas estava ali... Uma certa dureza? Escuridão? Irritabilidade? Possessividade? Eu não sabia, talvez alguma dessas coisas ou todas juntas. Tudo que eu tinha certeza é que parecia que eu não conseguia alcançá-lo como antes algumas vezes.
— Não há nada que você precise saber Sof, a segurança é compatível com nosso padrão de vida e você pode ver isso em todas casas que se estendem nesse condomínio. Nós temos um padrão de vida alto você sabe, e ter cuidado com a segurança é o mínimo que se pode fazer nesses casos. Andar por aí ou deixar a casa sem qualquer segurança com nosso nível de vida é pedir para ser alvejado nos dias de hoje. — Ele fala casualmente. Realmente no condomínio que morávamos, era de padrão de alto luxo. Haviam enormes mansões aqui, mas tinha um número limitado de apenas quinze e você não tinha uma casa aqui por menos de vários milhões. Era um condomínio muito recluso e bastante seguro geralmente e a maioria das enormes casas aqui tinham seguranças.
— Eu não quero que você vá para ficar. — Digo voltando ao assunto que realmente estava me entristecendo. Sua notícia de partida tinha realmente me entristecido. Sem conseguir evitar e num gesto impulsivo de repente pulo na água e me jogo em seu abraço. Meu movimento o faz quase se desequilibrar, mas logo ele firma os pés e me abraça.
— Eu sei... — Ele diz com um suspiro como se para ele também custasse, mas se custasse por que ele estava indo? Por que não poderia voltar? Eu não entendia e o odiava por não explicar.
— Sabe, mas irá mesmo assim não é? — Digo apoiando o queixo em seu peito e uma pequena lágrima cai do meu olho.
— Sim, eu tenho que ir, mas eu não quero que fique triste Sofia, eu posso não estar aqui, mas te ligarei sempre.
— Não ficar triste? Me diz como Lorenzo? Porque eu perdi meu pai a apenas a uns dias e agora eu sinto que também estou te perdendo. Só que isso é pior porque é você quem está me deixando. É você quem está escolhendo não voltar. — Digo me soltando e me afastando dele. Eu estava magoada, eu nem havia superado uma perda e agora teria outra... Eu sentia como se eu estivesse ficando sozinha de repente.
Vejo Lorenzo fechar os olhos um instante nas minhas últimas palavras como se o que eu estava dizendo o estivesse realmente machucando, mas na verdade era ao contrário.
— Preciso cuidar disso agora. São nossos interesses, interesses da família gatinha... — Ele fala por fim. — Nosso pai contava comigo para isso, não posso falhar com ele.
— Eu entendo isso Lorenzo, mas meu pai era presente. Ele não precisou ir para outro país e ficar. Tudo bem, ele viajava muito, mas sempre voltava. Por que você não pode cuidar dos negócios da mesma forma?
— Porque ele preferia dessa maneira e eu prefiro da minha maneira. — Ele diz simplesmente, a sua resposta curta e fria me irrita.
— Pois vá então! Talvez seja bom afinal não é mesmo? Vou poder finalmente crescer e aproveitar sem ter ninguém me vigiando.Vou finalmente sair e ir a boates, festas... Chega de ficar presa nessa casa. Vou sair e fazer o que eu quiser... — Falo nadando para a escada da piscina. Quando finalmente saio e estou me afastando Lorenzo me alcança e me vira tão rápido que quase me tira o ar.
— Eu te proíbo Sofia! Você não tem idade para isso e não sabe o perigo que pode enfrentar se cair nas mãos de alguém m*l intencionado. — Ele praticamente grita irritado segurando meus braços.
— Quem é você para me proibir de algo? Você nem estará aqui. — Bufo irritada tentando me soltar do aperto dele, mas ele só se aproxima ainda mais.
— Pois tente Sofia... E você verá que não importa se estou aqui ou lá na Itália, o meu alcance te alcançará e você não irá gostar! — Ele fala com o rosto tão perto do meu e com tal comando que meu coração acelera. Nesse momento eu sabia, mesmo na minha irritação eu sabia que ele cumpriria cada palavra. Com algum esforço me desvencilio do seu aperto e me afasto sem lhe dizer nada e ele não me impede.
— Você vai acabar me fazendo te odiar. — Digo depois de dar alguns passos longe dele e finalmente entro na casa. Eu tinha na minha inocência tentado usar algo que eu sabia que ele não gostaria para tentar fazê-lo mudar de ideia e ficar ou ao menos ir e voltar, mas Lorenzo estava muito mais preparado para essa guerra comigo do que eu. Mas não seria assim para sempre, seria?