Capítulo 7

1242 Words
Lorenzo Assim que entro no escritório que pertencia ao meu pai, começo a separar alguns documentos que vou precisar levar para administrar vários estabelecimentos que temos na Itália. Coloco sobre a mesa e começo a arrumá-los numa pasta. Eu estaria indo para lá assim que deixasse as coisas acertadas aqui e a segurança da minha mãe e da Sofia totalmente asseguradas. Passa-se apenas alguns minutos e escuto uma batida na porta. — Entre. — Digo e vejo o Mário passando pela porta. — Alguns membros do conselho já estão comentando sobre o lugar que ficou vago. Parece que farão uma reunião daqui a cinco dias. — Já era de se esperar. Suponho que Giovanni e Moretti estão entre eles.— Digo acendendo um cigarro e vejo Mário dar um sorriso sarcástico. Eu não tinha tanto costume de fumar, mas estava ficando cada vez mais frequente. Era algo que me tirava uma pequena parcela de estresse. — Sim como já era esperado. Eles estão visando a vaga a anos. — Mário fala e me encosto na mesa sentindo algo pressionando as costas. No mesmo instante me afasto da mesa e retiro a pistola que estava presa na parte de trás da calça colocando-a sobre a mesa. — Se eu descobrir que qualquer um deles teve algo haver com a morte do meu pai, eles vão desejar estar mortos se eu colocar a mão neles. — Ainda não temos pistas sobre o que aconteceu, mas assim como você pediu coloquei homens seguindo Giovanni, Moretti e também estamos monitorando Francesco Marino e o restante da sua família. — Ele diz e eu assinto. — Quero que você também esteja de olho no Enrico, eu não sei qual foi o propósito da sua vinda aqui e não gostei nada de vê-lo se aproximar da Sofia. — Vejo Mário franzir o cenho. — Ele não poderia assumir a cadeira no conselho, não com o pai vivo. O único que posso pensar é que talvez ele estivesse curioso para conhecer a Sofia, talvez a tenha visto no sepultamento e ela chamou a sua atenção. Você tem que convir que mesmo ainda sendo nova ela já está ficando muito bonita e já começa a chamar atenção. — Mário fala me irritando com as suas palavras. É claro que eu tinha reparado que a Sofia já estava chamando atenção e não gostava nenhum pouco disso. — Sério Mário? Num sepultamento? Você acha que ele se sentiu atraído por ela no sepultamento do pai dela e resolveu passar uma cantada? Será que ele não notou que ela tem apenas quinze anos? — Pergunto incrédulo praticamente cuspindo as palavras. Porque só a ideia disso me faz querer fazer um estrago naquele m***a. — Quem pode ter certeza? — Ele dá de ombros. — De qualquer forma a Sofia não parece ter a idade que tem Lorenzo. Ela é inteligente, fluente em várias línguas e bem, fisicamente... Ela já se passaria por uma garota de talvez dezessete anos. — Mário fala as últimas palavras com muito tato. Eu sabia que ele estava tentando muito não ser desrespeitoso porque sabia que eu não tinha tolerância nenhuma quanto ao desrespeito em relação a minha mãe ou a Sofia. Quanto ao que ele falou ele tinha razão. Sofia tinha mudado muito, desde o ano passado o seu corpo tinha ganhado curvas e apesar do seu rosto ainda conservar uma pequena inocência da idade, o restante dela já começava a ser um farol impossível de não se notar e eu sabia que isso só iria piorar. — Só faça o que eu disse. Ponha o i****a sobre vigilância. Quero tudo preparado para minha ida e quero os melhores homens protegendo a casa de maneira integral. Monte um plano, quero pelo menos dez seguranças todos os dias em volta da casa. Com a Sofia quero pelo menos oito homens toda a vez que ela sair de casa, os melhores e mais habilidosos que tivermos. O mesmo se aplica a minha mãe. Não quero que elas andem sozinha em nenhum momento para fora desses portões, estamos entendidos? — Claro. Mas você terá que conversar com a Sofia. Os adolescentes tendem a tentar e rebelar depois de um tempo e não querer mais ser vigiados o tempo todo, ainda mais que agora ela não terá mais o pai e você não estará mais aqui para cuidar dela. — Mário fala e reflito um instante. — Nossa mãe ainda estará aqui para estar com ela e também a Rosa. — Digo e ele me dá um olhar, e é isso é suficiente. É claro que eu sabia que a Sofia sofreria com a minha partida, inferno eu também não sei como faria para suportar a falta dela, mas eu tinha que fazer isso e ela estaria mais segura aqui. — Bem, se você não tem mais nenhuma instrução para mim hoje, eu vou começar a organizar as coisas para a nossa viagem e também para deixar tudo em segurança aqui. — Ele diz e eu assinto apagando o cigarro no cinzeiro sobre a mesa. Termino de recolher os documentos, ajeito na pasta e pego a arma. Levo tudo para o meu quarto e guardo no closet. Eu não queria que a Sofia entrasse de repente e me encontrasse com isso na mão. Eu sabia que ela estava acostumada a ver os seguranças, mas ela nunca tinha me visto com a minha arma e eu pretendia que continuasse assim. Eu tinha medo que ela fizesse muitas perguntas ou ficasse curiosa e procurasse saber mais. Quando saio novamente do meu quarto já passa da meia-noite. Entro no quarto da minha mãe para verificá-la e vejo que ela está dormindo tranquilamente. Eu sabia que ela tinha tomando um remédio para poder dormir e que se não fosse isso ela não teria conseguido descansar. Ela não entendia que eu precisava fazer isso. Eu precisava assumir a posição do meu pai, estava no meu sangue, ele havia me preparado para isso e eu não era um covarde. Se eu fugisse agora, passaríamos uma vida fugindo e eu não queria isso para mim, para ela e muito menos para a Sofia. Em silêncio saio do quarto dela fechando a porta e vou em direção ao quarto da Sofia. Assim que entro vejo ela deitada toda encolhida como se tivesse frio. A janela está aberta e está entrando uma corrente de ar frio sobre ela. Ela está descoberta porque ela era assim, sempre se descobriu muitas vezes durante a noite. Ela estava vestindo um pijama curto rosa e estava deitada de lado. A sua mão estava no queixo e a sua boca estava entreaberta num pequeno beicinho como se ela estivesse insatisfeita com o frio. Isso me faz sorrir. Vou até a janela, a fecho e quando volto, cubro o seu corpo com uma coberta que estava emaranhada nas suas pernas. Ela murmura no seu sono um instante, o que me faz acariciar os seus cabelos e no mesmo instante ela se acalma novamente. — Eu juro que vou vingar o nosso pai gatinha e também juro que vou te proteger e também a nossa mãe. Eu prometo. Daqui a cinco dias não estarei mais aqui para cuidar de você o tempo todo, mas mesmo de longe estarei cuidando, então por favor não fique brava comigo por muito tempo, ok princesa? — Sussurro dando um beijo na sua testa antes de me levantar e sair do seu quarto.
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