Capítulo 6

1412 Words
Sofia Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo e que essa seria a última vez que eu veria o meu pai, que essa seria a última imagem que eu teria dele e que ele estava num caixão. Meu peito se aperta e na minha garganta parece que há uma bola de tamanho de uma bola de golfe que se recusa a descer. Ainda me lembro o modo como meu mundo desabou, ontem algum tempo depois que o Mário levou o Lorenzo, minha mãe havia entrado no meu quarto e havia me dito que meu pai tinha sofrido um acidente de carro na Itália depois de vir de alguma reunião de negócios e ele não tinha sobrevivido aos ferimentos. E agora aqui estávamos na manhã seguinte, o dia estava cinza como se tivesse o próprio peso da melancolia que eu trazia. No cemitério havia muitos rostos que eu não conhecia, algumas pessoas falavam italiano e eu acredito que deviam ter sido colegas ou conhecidos de trabalho do meu pai. Depois que o padre, minha mãe e Lorenzo disseram algumas palavras o caixão foi baixado debaixo de grande comoção e eu vi a minha mãe ser amaparada pelo Lorenzo quando suas pernas ameaçaram falhar. Muitas pessoas se aproximam e oferecem condolências, a maioria eu nem conhecia de verdade. Eu queria mesmo era sair daqui desse lugar onde todos estavam me olhando, nos olhando o tempo todo. Eu queria voltar para para casa, para o meu quarto onde então eu poderia de fato desabar de verdade. Meus amigos Alice, Guilherme e Bianca tinham vindo e eles estavam ao meu lado agora enquanto voltávamos para o carro, a minha mãe e o Lorenzo vinham logo atrás. — Eu sinto muito Sof. Se precisar de alguma coisa pode me ligar ok? — Guilherme diz me dando um abraço. — Sim amiga, não precisa ficar sozinha nesse momento. — Alice diz pegando no meu braço e Bianca concorda do meu outro lado. — Obrigado pessoal, eu... ligo para vocês. — Digo e eles concordam indo em direção ao carro do Guilherme. Olho em volta e vejo Lorenzo se despedindo de algumas pessoas, mas quando o olho vejo que ele estava olhando para mim de vez em quando. Espero encostada no carro por alguns momentos enquanto minha mãe e o Lorenzo ainda estão terminando de falar com algumas pessoas. — Sofia Giordano certo? — Diz um jovem com forte sotaque italiano. Eu não o tinha visto entre as pessoas ainda. Ele estava vestido de terno preto com uma das mãos no bolso. Os seus olhos castanhos me analisam, seus cabelos tem tons castanhos com algumas mechas um pouco mais claras e ele devia ter uns vinte e três anos. — Sim e você quem é? — Pergunto. — O meu nome é Enrico Rossi. — Ele diz me estendendo a mão e eu a pego, mas seu nome não me diz nada e talvez ele tenha percebido porque ele franze o cenho e então tenta novamente. — Sou filho de Giovanni Rossi do conselho. — Ele diz e eu fico mais confusa ainda. Conselho? Será um conselho da empresa onde meu pai estava associado? — É prazer conhecê-lo e obrigado por ter vindo. — Digo por fim sem saber mais o que dizer. — Não foi nada, sinto muito pelo seu pai. Ele era um grande homem.— Ele fala e me olha novamente. — Desculpe é que você não se parece muito com ele. — Eu não sei o que dizer a respeito disso… — Começo a falar, mas não sabia bem o que eu ia dizer. Eu sabia que não tinha muito as características do meu pai, o Lorenzo se parecia bem mais com ele, os olhos verdes, os cabelo castanhos, até mesmo altura, ambos eram altos. Já eu devia ter puxado a família da minha mãe. — Eu não quis dizer desse jeito. Pelo contrário, você é muito bonita. — Ele diz me deixando sem jeito afinal ainda estávamos no limiar do cemitério e hoje eu tinha enterrado o meu pai. Mas antes que eu pudesse responder o Lorenzo se aproxima. — Enrico, não esperava te ver por aqui. — Lorenzo diz se colocando entre nós. — Eu não podia deixar de vir Lorenzo, como você sabe todos nós respeitávamos muito o seu pai e... — Sofia entra no carro, o Mário vai te deixar em casa junto com a nossa mãe. — Lorenzo fala interrompendo a fala do Enrico que o olha com atenção agora. Eu o olho confusa por um instante, afinal ele tinha sido tremendamente m*l educado, mas ele não parece nenhum pouco arrependido. — Vá Sofia, a nossa mãe não está se sentindo bem. — Ele diz e por fim eu concordo deixando os dois sozinhos. Estranho, por um instante tive a impressão que o Lorenzo queria me afastar do Enrico. Enfim, de qualquer forma eu estava muito cansada e devastada para ter qualquer conversa polidamente educada naquele momento. Eu só queria mesmo ir para casa. Quando chegamos em casa, a minha mãe ainda estava muito alterada. Então lhe dei o remédio que ela tomava sempre estava com os nervos muito atacados e que seu médico tinha receitado. Fiquei ao lado dela até que ela dormisse. Vê-la tão triste intensificou ainda mais a tristeza e a dor que eu já sentia. Em pensar que na manhã que meu pai tinha saído eu nem tinha me despedido. Ele tinha saído tão cedo para pegar seu voo e quando eu acordei ele já tinha ido e agora eu nunca mais o veria novamente. Quando joguei as cobertas sobre a minha mãe antes de sair do quarto, eu já estava chorando novamente copiosamente e quando ia em direção ao meu quarto enxugando as lágrimas Lorenzo terminava de subir as escadas. — Ei, vem cá. — Ele segura os meus braços e me puxa ao encontro do seu peito antes que eu possa abrir a porta do quarto e entrar, e foi só encostar no seu peito para que eu desabasse por completo. Lorenzo me levantou e entrou comigo no quarto, se sentou na cama comigo ainda nos seus braços e me deixou chorar no seu peito sem dizer nada. — Eu nem disse que o amava antes que ele saísse. Eu deveria ter dito mais vezes o quanto eu o admirava e o amava Enzo. — Digo entre as lágrimas e ele me aperta. Sempre se deve dizer a alguém o quanto ela é importante para você, nunca se sabe quando pode ser a última oportunidade e nunca mais você vai poder dizer. E eu sentia exatamente isso agora a dor por não ter dito ao menos uma vez mais o quanto o amava. — Shh! Ele sabia Sofia. Ele sabia que você o amava, não fique pensando assim porque ele te amava também e não iria querer que você estivesse se culpando dessa maneira. — Ele diz fazendo carinhos no meu cabelo. Não digo nada, apenas continuo ali ouvindo a sua respiração, sentindo o seu abraço, seu conforto e tentando dar o meu, pois eu sabia que o Lorenzo também estava sofrendo. — Você não precisa ser forte o tempo todo sabia? Sei que você também está sofrendo. — Digo depois de um tempo quando as lágrimas por fim pararam de cair. Ele dá um beijo na minha cabeça me levantando do seu colo e me sentando na cama ao seu lado. — Não se preocupe comigo gatinha. Eu ficarei bem. — Ele diz, mas noto que a área ao redor dos seus olhos está tensa e seus olhos estão vermelhos. Vendo isso, coloco a mão no seu peito e dou um beijo na sua bochecha. — Eu amo você Lorenzo. — Digo abraçando o seu pescoço e sinto seu corpo grande tremer ligeiramente. — Eu também te amo gatinha. — Ele me aperta mais um momento e então se afasta. — Agora vá tomar um banho e depois tente descansar um pouco. Acho que você está precisando disso. — Ele diz e eu precisava mesmo, mas eu duvidava que hoje o sono viesse facilmente tamanho o buraco que eu sentia por dentro. — Mais tarde voltarei para ver como você está. — Lorenzo diz por fim antes de finalmente sair do quarto. Com um suspiro exausto pego um pijama e vou em direção ao banheiro rezando para que esse buraco que eu sentia no peito agora parasse de doer em algum momento.
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