Lorenzo
— Sinto muito Lorenzo os seguranças que estavam com seu pai não conseguiram fazer nada, três deles inclusive morreram junto com ele. Eles o emboscaram depois da saída de uma das boates da família na Ítalia.
— Filho da p**a! Eu disse a ele! Eu disse a ele que eles estavam armando algo para tomar aquela área, ele não me ouviu. — Digo para o Mário andando de um lado para o outro. A dor da impotência e a da notícia que o Mário acaba de me dar estava ameaçando me tirar o chão.
— Não há dúvida que foram os Marino. — Sim, não havia dúvida que tinha sido Francesco Marino o cabeça da família Marino, chefe da máfia na Grécia e a tempos estava de olho no território da família Giordano. Boa parte da nossa família e máfia estava lá.
Meu pai por motivos de segurança tinha trazido a família para a França e tinha criado a mim e a Sofia na ignorância e longe dos negócios na Itália por medo atentados contra a nossa vida. Mas nesse meio tempo ele tem gerenciado os negócios ido a Itália continuamente com o seu braço direito que estava bem aqui na minha frente, Mário. Um homem que eu cresci vendo por perto, mas que recentemente vi uma outra face, ele podia muito bem ser frio e calculista quando queria e não sentia qualquer culpa ou remorso por isso.
Alguns anos atrás meu pai tinha me chamado e tinha me contado a real história dos negócios da família e tinha começado a me preparar para assumi-los um dia. Minha mãe sabia é claro, mas a Sofia não sabia de nada e eu pretendia que continuasse assim.
Nossos negócios envolviam tráfico de armas e fabricação também, além de drogas, fora as boates que tínhamos. Nós tínhamos um grande mercado, e fazíamos negócios com muitos países vizinhos. Havia também alguns da nossa família na Itália e também havia um conselho dentro da máfia Giordano. Com a morte do meu pai haveria uma votação, mas eu assumiria o cargo.
— Eu já providenciei que o corpo seja trazido para cá. — Mário fala por fim. Sim seria o melhor. Sofia não sabia de nada disso e levá-la para a Itália para participar do funeral onde todo o conselho provavelmente estaria seria muito arriscado.
— Obrigado Mário.
— Sinto muito não ter podido fazer mais. — Ele fala por fim antes de minha mãe aparecer no corredor chorando.
— Lorenzo é verdade? — Ela pergunta com a voz embargada.
— Sim mãe. Ele foi emboscado quando saia de uma das boates.— Digo abraçando ela enquanto ela chora em meu ombro. Sinto meu peito apertado, mas não me dou o luxo de chorar, eu estava com raiva, com tanta raiva. Eu juro que Francesco Marino iria pagar. Aliás, eu juro que os Marino iriam pagar por essa dor que estávamos sentindo. Eles sentiriam na pele.
— Eu tinha pedido para o seu pai largar a máfia, ele não me ouviu. Por que ele não me ouviu? — Ela diz com pequenos tapas em meu peito.
— Mãe, toda a família do meu pai era da máfia como você esperava que ele abandonasse isso. Você mesma deveria saber, já que teve o seu casamento com ele arranjado e o seu pai era o chefe da máfia na Espanha.
— Sim, já sei que o meu casamento foi arranjado. Uma aliança entre as máfias, um negócio apenas, mas eu cheguei a amar o seu pai.
— Eu sei, vocês foram felizes. — Digo puxando-a para o escritório do meu pai.
— Lorenzo, me prometa que não assumirá o lugar do seu pai...— Ela começa assim que entramos no escritório.
— Mãe, você sabe tão bem quanto eu que não posso fazer isso. É para isso que ele me preparou.
— Você não tem noção do meio que vai entrar...
— Tenho, sim, na verdade. Já tenho há alguns anos. Venho administrando e fazendo várias transações para ele há um bom tempo. O conselho todo já me conhece e me respeita. Eu serei indicado quer você queira ou não.
— Se você entrar.... Não vai demorar muito vai acabar mudando Lorenzo. O seu pai mudou, depois de um tempo o conselho vai querer que você case, vai querer arrumar uma noiva para você, uma aliança assim como foi comigo e com seu pai. — Ela começa a falar, mas não dou muito crédito a ela. Eu sabia que ela estava com medo. Nervosa pela perda e com medo de me perder também, mas eu já estava nessa vida, provavelmente já estava nessa vida assim que tinha nascido.
— Não se preocupe comigo. Ninguém me obriga a nada.
— Você diz isso agora, mas não sabe o que fala. O chefe da máfia precisa produzir herdeiros Lorenzo e mesmo você não conseguirá escapar muito tempo disso.
— Me preocuparei com isso quando chegar a hora, mas lhe asseguro que ninguém vai me fazer casar se eu não quiser.
— Mas e a Sofia? Já pensou nisso? Ela também é herdeira do seu pai e portanto também é muito possível que o conselho sugira que uma hora ela seja negociada em casamento em algum momento... Tudo isso pode ser evitado se… — O som do meu punho fechado batendo na mesa a silencia. As suas palavras me fazem ferver de raiva na hora.
— Ninguém seria louco de sugerir que a Sofia será negociada em casamento, não na minha frente. E não se quiser conservar alguns dentes. — Minha mãe me olha horrorizada.
— Lorenzo? Esse não é você. Quando se tornou tão violento?
— Esse sou eu mãe. E farei o que for preciso para proteger você e a Sofia, para cuidar dos negócios da família e também para vingar a morte do meu pai. Agora por favor, vá procurar a Sofia, arrume um jeito de dar a ela a notícia sem dizer a ela a verdade de como nosso pai morreu e nem nada sobre a máfia por hora.
— Mas o que eu direi a ela?
— Não sei, diga que foi algum acidente. Só não quero que ela descubra nada agora. Quero protegê-la o máximo possível. — Digo e vejo minha mãe tentar controlar as lágrimas.
— Certo, farei isso. Mas você sabe que não dará para esconder a verdade dela para sempre não é? Principalmente se você vai mesmo para Itália para ficar lá. Ela vai questionar o porque de você não voltar para casa Lorenzo, vocês sempre foram muito unidos. — Minha mãe fala e imediatamente sinto os peso das suas palavras. A ida para a Itália me deixaria longe da Sofia e me deixaria longe dela por um bom tempo se eu quisesse que ela não se envolvesse nesse meio. Eu sabia que iria sentir falta dela, mas não havia nada que eu pudesse fazer a respeito disso. Seria o melhor para ela. Aqui ela estaria mais segura e eu garantiria isso.
— Pensarei nisso depois. Por hora vamos fazer isso. — Ela assente e vai em direção a porta e eu começo a ir em direção ao telefone para ver as coisas referente ao funeral e é só nesse momento que me permito desabar.