Capítulo 02. Dei o cü pra um desconhecido

1194 Words
Sempre fui o cara certinho. Aquele que chega em casa cedo, que separa o lixo reciclável, que nunca, nunca mesmo, fala com estranhos no aplicativo depois das 22h. Era uma regra minha. Até aquela sexta-feira. O dia tinha sido um lixo. Reuniões que não saíram do lugar, um projeto importante engavetado e a solidão do meu apartamento de um quarto parecendo maior do que o habitual. O silêncio era tão pesado que eu abri o aplicativo quase por reflexo, só para ver alguma vida além das quatro paredes. E foi quando vi ele. Perfil novo. Sem foto do rosto, só o torso. E que torso. Peitoral definido, com uma tatuagem intrincada que descia pelo abdômen até sumir na linha do jeans aberto na foto. A descrição era um só verso: “Cansado de conversinha. Só ação.” Meu dedo pairou sobre a tela. Eram 23:47. Minha regra clara como água. Mas aquele vazio no peito e a imagem daqueles músculos sob a pele faziam um zumbido na minha cabeça. f**a-se a regra. Digitei. — Ação de que tipo? A resposta veio em segundos. — Do tipo que te faz esquecer seu nome. Em meia hora. Endereço? A audácia me deixou tonto. Era imprudente, perigoso, tudo o que evitava. Meu coração batia no pescoço. Antes que o bom senso vencesse, meus dedos já tinham digitado o endereço e enviado. O estalo da porta do elevador no meu andar, vinte e oito minutos depois, pareceu o som mais alto do mundo. Quando abri a porta, o ar saiu dos meus pulmões. Ele era mais alto pessoalmente, preenchendo a moldura com uma presença que a foto não capturava. Cabelo escuro e curto, olhos claros que me avaliaram de cima a baixo num piscar de olhos, sem sorriso. Vestia um casaco de couro preto aberto sobre o torso nu que eu já conhecia. — Então você é o certinho — disse ele, a voz um baixo. Entrou sem ser convidado, passou por mim, e seu casaco raspou no meu braço. Um choque. Ele olhou ao redor da minha sala arrumadinha. — Tá precisando bagunçar um pouco. Não houve prólogo. Não teve “qual seu nome?” ou “o que você gosta?”. Em dois passos, ele estava diante de mim. Uma mão grande e quente agarrou a nuca do meu pescoço, puxando-me para um beijo que foi menos beijo e mais uma tomada de posse. Seus lábios eram düros, sua língua invadiü minha boca com uma urgência que me deixou sem pernas. Gëmi contra ele, minhas mãos encontrando o peitoral sólido por baixo do casaco aberto. A pele era quente, a textura do músculo sob meus dedos, uma revelação. Ele quebrou o beijo, seus olhos faiscando. — Tira isso — ordenou, puxando a barra da minha camiseta social. Em um movimento, a camisa estava no chão. Seu olhar percorreu meu torso como se me lesse, e então ele se virou e caminhou em direção ao meu quarto. Eu simplesmente o segui. Era hipnótico. Dentro do quarto, ele finalmente se livrou do casaco. Agora, completamente nu da cintura para cima, as tatuagens se revelaram uma obra de arte que contornava cada músculo. Ele se sentou na beira da minha cama, a postura de um rei em um trono improvisado. — Vem cá — ele disse, a voz agora um comando suave mas inegável. Eu fui. Fiquei parado entre suas pernas abertas. Suas mãos encontraram o botão da minha calça, abrindo, empurrando tecido para baixo até eu estar tão nü quanto ele, da cintura para cima. Seu olhar estava fixo na minha cara, enquanto suas mãos desciam pelas minhas costas, apertando, posicionando. Então, ele se inclinou para frente e sua boca encontrou meu peito. A sensação daquela língua quente e áspera circulando um mämilo, enquanto seus dedos apertavam o outro, foi um choque elétrico. Meus joelhos amoleceram. Um gëmido profundo escapou-me. — Isso… — ele sussurrou contra minha pele, sua respiração quente. — Se solta. Sua boca desceu. Beijos e mordidas leves pelo meu abdômen, cada uma mais baixa que a anterior. Quando ele ajoelhou no chão diante de mim, e seu hálito quente atingiu a pele sensível da minha virilha, quase caí para trás. Ele olhou para cima, nossos olhos se travando, enquanto suas mãos firmes seguravam meus quadris. Sua boca me envolveu completamente, quente, úmida e com uma períodia brutal. Ele não estava tentando me fazer durar; estava tentando me destruir. A sucção era forte, a língua jogueteava com uma precisão devastadora. Minhas mãos se enterraram em seus cabelos curtos, não para guiar, mas para me agarrar a algo enquanto o mundo desabava. — Porrä… — gritei, tentando puxá-lo para longe, mas ele só me puxou mais para dentro, seus dedos cavando na minha carne. A onda me pegou de surpresa, violenta e total. Meus quadris estacaram por conta própria enquanto eu explodia naquela boca implacável. Ondas e ondas de präzer roubaram minha visão, meu fôlego, minha sanidade. Quando a última convulsão passou, estava cambaleando, ofegante, vazio. Ele se levantou, limpando os lábios com as costas da mão, um brilho satisfeito em seus olhos claros. Sem uma palavra, ele me empurrou para trás, fazendo-me cair de costas na cama. Eu estava mole, inerte, completamente à mercê dele. Ele tirou suas calças e botas em movimentos rápidos. E então ele estava sobre mim, nü, seu corpo uma linha quente e pesada contra o meu. Seu paü, düro e imponente, pressionava contra minha coxa. Ele pegou algo do bolso do casaco jogado no chão um pequeno pacote de lubrificante. — Vira — a ordem foi suave, mas deixou claro que não era um pedido. Com um esforço, virei de bruços. Ele ajoelhou-se entre minhas pernas. O som da embalagem sendo aberta pareceu amplificado. Então, senti seus dedos, gelados com o lubrificante, na minha entrada. — Respira — murmurou, e um dedo entrou, lento mas firme, esticando, explorando. A dor inicial deu lugar a um preenchimento intenso. Então veio um segundo dedo, e o movimento deles dentro de mim fez um novo tipo de fome despertar no meu ventre. Antes que pudesse me ajustar, os dedos saíram. A ponta de algo muito maior e mais sólido pressionou no lugar. Ele entrou num movimento contínuo e controlado. Não havia como descrever aquele primeiro preenchimento completo. Um grito abafado escapou para o meu travesseiro. Ele começou a se mover, e qualquer noção de tempo ou decência se foi. O ritmo era implacável, cada investida mais profunda, cada retirada uma promessa de retorno. Suas mãos seguravam meus quadris com força, seus dedos marcando minha pele. A dor se misturou com o präzer até se tornar uma coisa só, uma sensação avassaladora que subia pela minha coluna. — Isso, toma paü… certinho… — sussurrava, cada palavra um golpe que me acertava mais fundo que o último. Meu próprio paü, que eu julgava esvaziado, estava düro novamente, pressionando contra o lençol a cada embate. Ele mudou o ângulo, e de repente… Com um rugido abafado, ele enterrou-se até o fim e ficou lá, tremendo, sua respiração quente explodindo no meu pescoço. Senti o calor dele inundando meu interior, a pulsação final de sua conquista.
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