O lugar era discreto. Um galpão antigo nos arredores da cidade, onde o mofo competia com o cheiro de ferrugem. Lá dentro, o som ecoava com facilidade, e cada passo soava como ameaça. Álvaro chegou primeiro. O terno caro contrastava com o ambiente degradado, mas ele não se importava. Estava ali por obrigação, não por vontade. O celular fora deixado no carro. Nenhuma escuta. Nenhuma gravação. Quando Daniel entrou, foi como se o ambiente escurecesse de repente. — Está atrasado — disse Álvaro, seco. Daniel sorriu com deboche, aproximando-se sem pressa. Usava uma jaqueta escura, o olhar afiado como lâmina. Ele não parecia ter pressa. Nem medo. — Você está nervoso, Álvaro? — provocou ele. — Medo que eu conte demais? Ou que eu cobre o que é meu? Álvaro cruzou os braços, tentando manter o co

