A noite caiu abafada, com as cigarras cantando mais alto que o normal e o vento rodando seco pelas janelas do casarão dos Montenegro. Álvaro andava de um lado para o outro no escritório escuro, o copo de uísque quase intocado, mas a mão trêmula revelava que a bebida não era o que ele mais queria controlar. A porta rangeu. Bento entrou com passos contidos e um sorriso fingido. — O velho não disse nada até agora. Mas tá desconfiado. E isso já me incomoda. Álvaro virou-se lentamente, os olhos fundos cravando em Bento. — Zé Lino é como espinho enfiado debaixo da unha. Pequeno… mas que pode infeccionar. — Quer que eu resolva? — Quero que você apague a dúvida dele — respondeu Álvaro com voz baixa, controlada. — Mas sem sujeira. Ainda não. A cidade é pequena, Bento. E o coração do povo é mo

