Zé Lino não era homem de bisbilhotar, pelo menos, não assumidamente. Mas naquela tarde abafada, enquanto cuidava do reparo do galinheiro perto da antiga estrebaria, algo chamou sua atenção. O som de vozes, baixas e urgentes, vinha do lado de dentro. Ele ia ignorar. Ia. Só que o nome de Raul foi dito. E depois, o nome de Maya. Parou com o martelo no ar, o suor escorrendo pela têmpora, e se esgueirou devagar até a lateral da parede de madeira gasta. A madeira era fina ali. O suficiente para deixar escapar palavras entre os intervalos da madeira velha. — …ele não pode saber. Ainda não. — Era Álvaro. Zé Lino franziu a testa. Álvaro falava com alguém. — E se ela contar? — disse a outra voz. Era Bento, o capataz de uma das fazendas vizinhas. Zé Lino já não gostava de Bento. Tinha algo tr

