A noite caiu sem pressa naquela fazenda onde o tempo parecia escorrer mais devagar. O céu vestia-se de estrelas enquanto o som do chuveiro preenchia o quarto. Raul, de camisa aberta e pés descalços, esperava Maya sair do banheiro como quem espera uma resposta da vida. Ela apareceu enrolada na toalha, os olhos cansados, mas o corpo ainda era o mesmo que incendiava cada parte dele. Só que naquela noite, o desejo vinha com outra fome. Raul não queria só o corpo dela — queria a alma, queria arrancar cada medo que ainda morava dentro dela. Tomaram banho juntos. Sem pressa. Ele lavou os cabelos dela com delicadeza, como quem aprende a tocar uma flor depois de quebrar muitos espinhos. Cada gesto dizia: “Tô aqui. Não por obrigação, mas porque você é o meu lugar.” Depois, deitados na cama, ele a

