O quarto de Isabel estava fechado desde o acidente. Ninguém mais entrava ali. A porta rangia como se também sentisse o peso da ausência, e o cheiro de flores secas e perfume antigo ainda pairava no ar. Maya respirou fundo, os dedos hesitantes na maçaneta, como se abrisse não só um cômodo, mas uma ferida adormecida. Ela não sabia ao certo o que procurava. Talvez nada. Talvez tudo. O quarto era limpo, mas intocado. Os lençóis estavam esticados, a cortina amarelada deixava entrar uma luz filtrada que dançava em partículas de poeira no ar. Um silêncio denso preenchia cada canto. Sobre a cômoda, uma foto antiga: Isabel, sorridente, com um girassol nos cabelos, abraçada a Raul, ainda com os olhos de um jovem apaixonado. Maya encarou o retrato, o estômago revirando. Não era inveja. Era um mist

