O celeiro estava vazio, exceto pelos ecos das palavras que haviam acabado de ser ditas. Maya olhava para Raul como quem olha um campo devastado por tempestade — ainda belo, mas coberto de marcas do que foi enfrentado. Ele estava ali, em pé, com os punhos cerrados ao lado do corpo, como se estivesse tentando conter uma dor que pulsava por dentro, quase tão forte quanto o amor que guardava por ela. Os olhos cor de avelã estavam escurecidos, carregando um peso que ele já não conseguia esconder. — O ciúme sempre foi uma maldição entre nós — ele murmurou, a voz rouca. — Eu tinha ciúmes até do vento que tocava seu cabelo. Ciúmes do Daniel. Do jeito que ele te olhava. Do que ele a tinha. Do que eu achava que nunca a teria. Maya ergueu o queixo, tentando conter a dor e a verdade que sangravam

