A noite caiu sobre a fazenda com uma suavidade estranha. Nada de gritos, portas batendo ou provocações afiadas. A casa estava quieta. Quieta demais. Maya estava em seu quarto, sentada na beira da cama, vestindo apenas uma camisola de algodão leve. O cabelo ainda úmido escorria pelos ombros, e os pés descalços tocavam o chão frio. Não havia música. Nem vela acesa. Só o som da própria respiração. Ela não sabia o que a incomodava mais: o fato de Raul não ter a procurado... ou o fato de ela desejar que ele o fizesse. Era como se o silêncio gritasse coisas que a boca não ousava dizer. Na outra ala da casa, Raul caminhava pelo corredor escuro com as mãos nos bolsos. Passou pela porta do quarto dela. Parou. Não bateu. Não tocou a maçaneta. Apenas encostou a testa na madeira e respiro

